Diário do Amapá - 31/10/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 31 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA M uita gente decora a Bíblia, mas não a entende. Outros a interpretam errado por falta de "ferramentas" linguísticas e his- tóricas. Ainda há aqueles que não sabem o que documentos da Patrística (tempo dos primeiros cristãos depois dos apóstolos) revelam sobre o culto, os ritos e a vivência cristã, e como a Bíblia foi escrita e montada. Os cristãos modernos acreditam que ela apareceu do nada e já na nossa língua. Há alguns anos, leio a Bíblia no grego original, no Antigo Testamento vejo também a versão hebraica para sanar dúvidas, sabendo que as "letras" aramaicas (que chamamos de hebraicas) não tinham vogais e muitos livros foram escritos originalmente usando "letras" fenícias (chamado paleo-hebraicas), ou seja, perdemos os originais... Também leio em Latim da Vulgata e da Neo-Vulgata (que corrigiu alguns erros de São Jerônimo, que são muitos). Sem entender ou até mesmo conhecer o Con- cílio de Niceia, muitos se fazem pastores evan- gélicos, creem-se inspirados pelo Espírito Santo, mas criam teologias esdrúxulas e que promovem divisão (em grego, diábolos) como a Teologia da Prosperidade, que dispensa apresentação, e a Teologia do Domínio, que pouca gente conhece e merece mais atenção da Igreja pelos perigos que representa, como rebaixamento dos direitos da mulher, restrição de outros credos religiosos, entre outros absurdos. Nos Estados Unidos, tem no governo Trump seu maior representante. Não que a profecia tenha sido abolida na Nova e Melhor Aliança Eterna de Jesus, ao con- trário, eu mesmo farei uma revelação importante: Jesus passará na sua casa! Sim! Ele dar-lhe-á uma oportunidade de você ouvir Dele no julgamento: tive fome... estava nu... Conforme registra o escritor do Evangelho Segundo Mateus (25,31): quando o Filho do Ho- mem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes (welcome, na versão inglesa); nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Quando foi isso? Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome; tive sede; era estrangeiro; nu; enfermo e na prisão e não me ajudastes. Quando aconteceu isso senhor? Eu visitei sua casa pedindo comida, pedindo roupas, necessitando de amor. E um detalhe importante: estava vestindo uma camiseta do Lula (às vezes do Bolsonaro)... Por isso, pense dez vezes antes de postar seu ressentimento eleitoral! ■ Tive fome e estava nu Voltar-se-á para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai- vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome; tive sede; era estrangeiro; nu; enfermo e na prisão e não me ajudastes. A política brasileira tem dessas coisas. Quando as regras co- meçam a incomodar determinados grupos, logo aparece al- guém disposto a mudá-las. O presidente da Câmara, Hugo Motta, quer discutir uma PEC para implantar o voto distrital misto no Brasil, com uma transição a partir de 2030 e adoção defi- nitiva em 2034. Mas a pergunta que precisa ser feita é outra. Essa mudança vai atender aos interesses da população ou aos cálculos de quem vive da política? Há anos, os eleitores reclamam de uma distorção que alimenta a desconfiança nas urnas. Candidatos com votação expressiva ficam de fora, enquanto outros, com muito menos votos, conquistam uma cadeira graças ao desempenho do partido. É uma regra do sistema proporcional, mas isso não impede que milhões de brasileiros questionem se o resultado corresponde, de fato, à vontade popular. Afinal, quem recebe mais votos deveria ter, no mínimo, uma chance mais clara de representar quem o es- colheu. A proposta prevê que, em 2030, seja ado- tado o distritão, elegendo os candidatos in- dividualmente mais votados em cada estado. Em 2034, entraria em vigor o voto distrital misto, com o eleitor escolhendo um candidato e também um partido. Metade das vagas seria preenchida pelo voto direto, enquanto a outra metade dependeria das listas parti- dárias. É aí que mora o problema. Se o modelo promete valorizar a escolha individual, por que reservar metade das cadeiras a nomes definidos pelos partidos? A aproximação entre representantes e eleitores pode ser positiva, mas ampliar o poder das cúpulas parti- dárias vai na direção contrária da transparência que a população exige. A discussão também ocorre em meio a mudanças na correlação de forças em Brasília, depois do crescimento do PL e da perda de espaço de partidos do Centrão. Não é absurdo desconfiar de reformas conduzidas por políticos interessados na própria sobre- vivência eleitoral. O Brasil precisa discutir seu sistema eleitoral, sim. Mas a prioridade deve ser garantir que o voto tenha significado e que os representantes respondam à sociedade. Democracia não pode ser um jogo em que os políticos mudam as regras quando o placar deixa de lhes agradar. ■ A reforma eleitoral de Hugo Mota e o eleitor em segundo plano A discussão também ocorre em meio a mudanças na correlação de forças em Brasília, depois do crescimento do PL e da perda de espaço de partidos do Centrão. Não é absurdo descon.ar de reformas conduzidas por políticos interessados na própria sobrevivência eleitoral. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO
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