Diário do Amapá - 31/10/2026
A incidência dos juros da dívida pública fez a Dívida Pública Fe- deral (DPF) subir em setembro. Segundo números divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 9,293 trilhões em agosto para R$ 9,383 trilhões no mês passado, alta de 0,97%. Em maio deste ano, o indicador havia superado a barreira de R$ 9 tri- lhões. Apesar da alta, a dívida pública está abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro e revisado em agosto, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária (em tí- tulos) interna (DPMFi) avançou 1,04%, passando de R$ 8,944 trilhões em agosto para R$ 9,037 trilhões em setembro. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 3,78 bilhões em títulos a mais do que resgatou, volume baixo para os pa- drões históricos. A apropriação de R$ 89,29 bilhões em juros, porém, impediu a queda do endividamento. Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a cor- reção dos juros que incide sobre os tí- tulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 13,75% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 189,44 bilhões em títulos da DPMFi. Os resgates em setembro somaram R$ 185,66 bilhões, motivados principal- mente pelo elevado volume de venci- mentos de títulos corrigidos pela Taxa Selic, juros básicos da economia. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 0,82%, passando de R$ 348,26 bilhões em agosto para R$ 345,41 bilhões em setembro. O principal fator foi a estabilidade do dólar no mês pas- sado e o pagamento corrente de cerca de R$ 3 bilhões. Colchão Após cair em agosto, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) su- biu em setembro. Essa reserva passou de R$ 1,208 trilhão em agosto para R$ 1,273 trilhão em setembro. Atualmente, o colchão cobre 7,71 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,87 trilhão em tí- tulos federais. Com o forte vencimento de títulos vinculados à Selic, a composição da DPF variou da seguinte forma de agosto para setembro: Títulos vinculados a Selic: • 52,74% para 51,6%; Títulos corrigidos pela in- • flação: 23,22% para 23,59%; Títulos prefixados: 20,31% para • 21,14%; Títulos vinculados ao câmbio: • 3,74% para 3,67%. Revisado em agosto, o PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos se- guintes intervalos Títulos vinculados a Selic: 49% • a 53%; Títulos corrigidos pela inflação: • 21% a 25%; Títulos prefixados: 20% a 24%; • Títulos vinculados ao câmbio: • 3% a 7%. Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de ins- tabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que compro- meteria a administração da dívida do governo. ■ DÍVIDA PÚBLICA SOBE 0,97% EM SETEMBRO E ENCOSTA EM R$ 9,4 TRILHÕES DPF V Foto/ José Cruz/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SÁBADO | 31 DE OUTUBRO DE 2026 O mercado financeiro apresentou movimentos de acomodação nesta terça-feira (27), após a forte reação da véspera à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar fechou em queda próxima de 1% e ficou abaixo de R$ 5,35. A bolsa recuou cerca de 0,5%. A sessão foi marcada pela correção cambial após a disparada da véspera e pela continuidade das perdas na bolsa, emmeio às incertezas sobre a política econômica do próximo mandato, como a falta de definição do pró- ximo ministro da Fazenda. Principais números Dólar: R$ 5,349 (-1,07%); • Mínima do dólar: R$ 5,316, por volta das • 10h45; Dólar em 2026: queda acumulada de 2,55%; • Ibovespa: 175.710,05 pontos (-0,51%); • Petróleo tipo Brent: US$ 109,41 o barril (- • 1,20%). Câmbio O dólar à vista encerrou o pregão em baixa de 1,07%, a R$ 5,349, após subir mais de 8% na segunda- feira (26), quando a moeda estadunidense registrou sua maior alta diária desde janeiro de 1999. A divisa recuou ao longo de toda a sessão e chegou à mínima de R$ 5,316 pela manhã. O movimento refletiu um ajuste de posições após a forte valorização anterior, provocada pela reação dos investidores ao re- sultado eleitoral. Em 2026, o dólar acumula queda de 2,55%. Na véspera, o dólar havia avançado em meio à revisão de apostas que consideravam a vitória do senador Flávio Bolsonaro e às preocupações com a condução da política fiscal no novo mandato de Lula. Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Du- rigan, reafirmou que o governo pretende perseguir o centro da meta fiscal e que a proposta será discutida com o Congresso Nacional. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também afirmou que a instituição poderá atuar no mercado cambial caso identifique disfuncionalidades. No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas, subia cerca de 0,35% no fim da tarde, movimento con- trário ao observado no mercado brasileiro. (Com informações da Reuters) ■ CÂMBIO Dólar cai quase 1%, e Ibovespa recua após tombo eleitoral ●
RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=