Diário do Amapá - 01 a 03/11/2026
ENTREVISTA CANTORA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO A TERÇA-FEIRA | 01 A 03 DE NOVEMBRO DE 2026 14 Cantora franco- surinamesa fala sobre sua primeira visita a Macapá, revela admiração pela música brasileira e destaca as semelhanças culturais que aproximam o Amapá, o Suriname e a Guiana Francesa D iário do Amapá - É uma honra receber você em nossa emissora. É a sua primeira vez aqui no Amapá? Como está sendo essa experiência?? MadGyal Souyengé - Sim, sim, é a minha primeira vez e estou adorando! Estou muito feliz de estar aqui com vocês. É uma expe- riência muito especial conhecer o Amapá, estar emMacapá e encon- trar tantas coisas que me fazem lembrar de casa. Diário - É verdade que você já aprendeu algumas pala- vras em português antes mesmo de chegar ao Brasil? Souyengé - Sim! Antes de chegar aqui, eu já estava assistindo às minhas séries favoritas em português. Então comecei a ter esse con- tato com a língua. Gosto muito de aprender idiomas e estou tentan- do aprender cada vez mais. Às vezes misturo as palavras porque falo várias línguas, mas quero conseguir me comunicar em português. Aprendo muito rápido e tenho certeza de que, na próxima vez que vier, vou conseguir falar muito mais. Diário - Em que cidade você nasceu? Você é do Surina- me ou da Guiana Francesa? Souyengé - Eu nasci na Guiana Francesa, mas meus pais são do Suriname. Por isso, cresci muito próxima da cultura surinamesa. Embora tenha nascido na Guiana Francesa, a cultura do Suriname está muito presente emmim, na minha família e na minha maneira de viver. Sempre tivemos essa ligação muito forte com o país. É uma identidade que carrego comigo. Diário - Você chega ao Brasil, um país de tantas refe- rências musicais, do samba, do frevo, do funk, do brega e do forró, e encontra aqui no Amapá pessoas que tam- bém admiram e dançam o zouk e outros ritmos caribe- nhos. Como tem sido essa experiência de encontrar sua própria cultura tão presente deste lado da fronteira? Souyengé - Foi incrível! Realmente incrível, porque foi como en- xergar um pouco de mimmesma em todas essas pessoas. Quando cheguei, percebi que a paisagem é muito parecida com a do Surina- me e da Guiana Francesa. O ambiente, os lugares, tudo me trouxe essa sensação de familiaridade. Mas não é apenas a paisagem. Ama- neira como as pessoas recebem umas às outras também é muito se- melhante. As pessoas são acolhedoras, cumprimentam, dizem bom dia, demonstram carinho. É exatamente como acontece em casa. E a música está por toda parte! Isso tambémme chamou muito a aten- ção. Estávamos na rua, na orla de Macapá, e havia pessoas correndo, dançando, se divertindo, commúsica naquele ambiente. Era uma corrida de Halloween, e achei aquilo muito divertido. No Suriname também temos essa relação muito próxima com a música, com a rua e com as pessoas. Então, quando vejo tudo isso aqui, tenho a sensa- ção de estar em casa. É muito bonito perceber essas semelhanças. Diário - O Festival Quebra-Mar tem justamente essa proposta de integrar as Guianas e aproximar povos que estão geograficamente tão próximos, mas que nem sempre mantêm o intercâmbio cultural que poderiam. Como você se identifica com essa proposta? Souyengé - Eu me identifico muito com isso. Quando as pessoas olham para mim, muitas dizem que sentem que represento todas as Guianas. E eu entendo esse sentimento, porque essa mistura cultural faz parte de quem eu sou. Tenho essa relação com diferentes línguas, diferentes culturas e diferentes lugares. A Guiana Francesa, o Suri- name e os outros territórios da região estão muito presentes na mi- nha identidade. Eu falo várias línguas e agora também quero falar português! Para mim, essa aproximação é muito natural. Somos po- vos que têmmuitas coisas em comum. Por isso, é muito bom estar aqui e participar de um festival que valoriza justamente essa ligação. Diário - Enquanto a diplomacia avança lentamente, as populações já mantêm relações culturais e familiares há muito tempo. Você percebe essa proximidade? Acredita que a música e a arte podem acelerar esse processo? Souyengé - Definitivamente! Acredito muito nisso. E estar aqui é uma demonstração de como essa aproximação acontece de maneira natural. Vou dar um exemplo que não está apenas na música, mas também na comida. Aqui vocês têm a farinha, e nós temos algo muito parecido no Suriname, que chamamos de kwak. É um produ- to semelhante, feito da mandioca, mas com os grãos um pouco maiores. Quando vi a farinha de vocês, reconheci imediatamente essa semelhança. Por isso, acredito que a música pode ser um ins- trumento muito importante para aproximar as pessoas. Quando en- contramos essas referências em comum, percebemos que existe uma ligação muito forte entre nós. A cultura consegue mostrar essa proximidade de uma maneira muito natural. (Leia a entrevista completa no portal www.diariodoamapa.com.br ) Reportagem: Cleber Barbosa Foto: Breno Barbosa PERFIL Nasceu naGuiana Francesa, filha de pais nativos do Suriname. Devido a essavivência familiar, cresceu profundamente imersa na cultura e nas tradições surinamesas, carregando uma identidade multicultural que une os povos das Guianas. Breve biografia - A música não reconhece fronteiras. E, quando os ritmos, os costumes e as histórias de diferentes povos se encontram, as distâncias geográficas parecem ainda menores. Foi com esse sentimento que a cantora franco-surinamesa SOUYENGÉ chegou ao Amapá para participar do Festival Quebra- Mar, evento que voltou ao calendário cultural de Macapá depois de dez anos, trazendo como proposta a integração entre os povos das Guianas. - Nascida na Guiana Francesa, filha de pais surinameses e profundamente identificada com a cultura caribenha, a artista encontrou em Macapá muito mais do que um público interessado em sua música. Descobriu paisagens familiares, manifestações culturais semelhantes às de sua terra, comidas que despertaram lembranças e uma população que, segundo ela, tem a mesma maneira acolhedora de receber as pessoas. - Durante participação no programa Ponto de Encontro, da Rádio Diário FM. Entre uma resposta e outra, arriscou falar em português, improvisou versos sobre sua passagem pelo Brasil e revelou sua admiração por artistas brasileiras como Iza e MC Soffia. MadGyal Souyengé ■ Entrevista da cantora Souyenge ao programa PontoDeEncontro, da Rádio Diário FM (90,9). A música é um instrumento muito importante para aproximar as pessoas.
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