Diário do Amapá - 04/11/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 04 DE NOVEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA M inha conversão ao Catolicismo foi acompanhada pelo meu desvio ideológico para a esquerda, afinal, como permanecer o mesmo depois de ler Atos dos Apóstolos (2,44-45): "Todos os fiéis viviamunidos e tinham tudo em comum, vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um". Isso foi denominado Koinonia (ΚΟΙΝΩΝΙΑ), comunidade! Creio que foi o mesmo caminho trilhado por Karl Marx, cujo pai era um judeu convertido ao Luteranismo. Ele se apropriou da ideologia cristã, tirou Deus e rebatizou com nome parecido. A koinonia toma forma com os Padres Apostólicos São Clemente de Roma, Santo Inácio de Antioquia e São Policarpo, espalhando-se pelo Império Romano, impressionando profundamente a todos os pagãos. Um dos primeiros escritos cristãos, a Didaqué, primeiro Catecismo da Igreja, escrita entre os anos 60 e 80, afirmava que o ser humano não é dono, mas tão somente usuário dos bens materiais. Cabe-lhe administrá-los, sem se eximir jamais do dever de socorrer os que pouco ou nada têm: "Não rejeite o necessitado. Compartilhe tudo com seu irmão e não diga que as coisas são apenas suas. Se vocês estão unidos nas coisas imortais, tanto mais estarão nas coisas perecíveis" (Didaqué. IV,8). Essa época passou, e consolidou-se o enten- dimento que o fiel deve sustentar a Igreja de Deus, mas voluntariamente e no que puder e quiser, conforme vemos nos escritos de Justino Mártir em Apologia (I,67) em 156 d.C.: "Os que estão na abundância e querem dar, deem livre- mente, cada um, o que quiser”. E Tertuliano, em Apologético, em 197 d.C.: "Mesmo se existe entre nós uma espécie de caixa comum, ela não é formada por uma 'soma ho- norária', versada pelos eleitos, como se a religião fosse colocada em leilão. Cada qual paga uma cotização módica, num dia fixo do mês ou quando achar melhor, se ele quiser e puder. Pois ninguém é forçado; sua contribuição é livre". O Pastor Hermas (IX, 27) registrou que: "os Bispos continuamente protegeram os necessitados e as viúvas e sempre levaram vida pura". Não menos incisivo, São Policarpo destaca que os ministros da comunidade têm por of ício o dever de promover a prática da caridade de Cristo, as- sistindo aos indigentes da comunidade em suas necessidades religiosas e econômicas (Aos Fil. VI,1). No século IV, Basílio se dirige aos ricos com dureza: "aquele que despoja um homem de sua roupa é um ladrão. Quem não veste a nudez do indigente, quando pode fazê-lo, merecerá outro nome?" (Hom. contra a riqueza, 7). "Quem pode remediar o mal dos famintos e, por avareza, não oferece o seu socorro, com justiça, pode ser condenado como homicida” (Hexaemeron, Homilia in fame, 7). Santo Ambrósio, Bispo de Milão, afirma que na criação do mundo, a terra foi criada para todos, ricos e pobres (De officiis ministrorum). E para fechar com chave... boca (stomos) de ouro (crisós), João Cri- sóstomo pergunta inconvenientemente: "Quem se libertou das próprias riquezas? Da metade dos seus bens? Da terça parte? Ninguém?" (De Mateus, Homilia). ■ Comunismo ou Koinonia? No século IV, Basílio se dirige aos ricos com dureza: "aquele que despoja um homem de sua roupa é um ladrão. Quem não veste a nudez do indigente, quando pode fazê-lo, merecerá outro nome?" (Hom. contra a riqueza, 7). "Quem pode remediar o mal dos famintos e, por avareza, não oferece o seu socorro, com justiça, pode ser condenado como homicida” (Hexaemeron, Homilia in fame, 7). Q uando o poder começa a se preocupar excessivamente com o que os cidadãos dizem sobre ele, a pergunta deixa de ser sobre comunicação institucional e passa a ser sobre os limites da própria democracia. O STF quer monitorar publicações nas redes sociais, mapear influenciadores e avaliar manifestações sobre a Corte e seus ministros. A justificativa pode parecer administrativa, mas o pre- cedente é preocupante. Afinal, quem vigia aqueles que vigiam a sociedade? A Constituição Federal não existe para proteger autoridades das críticas. Existe para proteger os cidadãos contra os abusos do poder. Criticar ministros, questionar decisões judiciais e manifestar indignação não são ameaças à democracia. São direitos funda- mentais. A história oferece lições incontornáveis. Grandes regimes comunistas e ditatoriais, como a União Soviética, a China de Mao e a Alemanha Oriental, construíram mecanismos de vigilância e controle do discurso para identificar opositores e preservar o poder. Nenhum regime autoritário começa neces- sariamente anunciando que pretende silenciar a população. O controle costuma avançar sob justificativas como segurança, estabilidade e proteção institucional. Não se trata de afirmar que monitorar redes sociais equivale a instaurar uma dita- dura. Trata-se de reconhecer que toda ferra- menta de vigilância exige limites rigorosos, transparência e fiscalização independente. O perigo começa quando instituições poderosas passam a tratar a crítica como ameaça, a discordância como suspeita e a opinião pública como algo que precisa ser controlado. O Brasil deve estar atento. A democracia está em perigo quando o poder se expande sem controles efetivos e quando questionar autoridades passa a ser visto como um problema. Uma democracia forte não teme cidadãos críticos. Teme o poder que acredita não precisar prestar contas. O STF deve respeitar a Constituição que jurou defender. E os brasileiros devem continuar exercendo o direito de questioná-lo, sem medo e sem intimidação. ■ A democracia está em perigo no Brasil com STF ditatorial O perigo começa quando instituições poderosas passam a tratar a crítica como ameaça, a discordância como suspeita e a opinião pública como algo que precisa ser controlado. O Brasil deve estar atento. A democracia está em perigo quando o poder se expande sem controles efetivos e quando questionar autoridades passa a ser visto como um problema. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO

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