Diário do Amapá - 04/11/2026

O artigo de umdos economistas da equipe que elaborou oPlanoReal, professor André Lara Resende, tem ganhado destaque nos últimos dias por acusar oBancoCentral (BC) de causar desequilíbrio fiscal no Brasil por meio das altas taxas de juros. O especialista defende novas regras para as despesas e os juros no país. “Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater.” Formado pela PUCdo Rio de Janeiro, André Lara Resende temPhD emecono- mia peloMassachusetts Institute of Tech- nology (MIT), nos Estados Unidos, além de ter atuado em instituições financeiras no Brasil. O especialista questiona a teoria eco- nômica defendida pelomercadofinanceiro e pelo BC para justificar a taxa Selic em 13,75% ao ano. Segundo ranking da Mo- neyou, o Brasil tem a taxa de juros real mais alta do mundo. “Acuso a grande imprensa de repetir, semexame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.” Escrito às vésperas do primeiro turno eleitoral, o artigo de André Lara Resende ainda acusou “todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizamopaís, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade”. OBancoCentral justifica os juros ele- vados, entre outros motivos, devido às pressões inflacionárias e aos déficits fiscais primários nas contas públicas, que é quan- do as despesas superam as receitas, ex- cluindo os gastos com a dívida. Segundo a autoridade monetária, os gastos primáriosmaiores que arrecadação pressionam a inflação. Dívida e déficit públicos Apesar de reconhecer que o Brasil gastamal e aloca recursos de forma “irra- cional”, como nos casos das emendas par- lamentares, das vantagens salariais do Ju- diciário e das isenções tributárias “de toda ordem”, André Lara Resende demonstra que oBrasil temumdéficit fiscal pequeno, entre os menores do mundo. “Quando se exclui o serviço da dívida, as contas estão praticamente equilibradas. A grande despesa do Estado é com os juros sobre a dívida”, escreveu. A dívida pública brasileira cresceu de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026. Para combater esse au- mento, analistas do mercado financeiro tem cobrado corte de despesas da União, o que tende a afetar as políticas sociais. O professor André Lara Resende re- conhece que o crescimento da dívida é insustentável, mas destaca que o problema não está nos “gastos primários”, que são as despesas com serviços públicos que o mercado financeiro cobra para reduzir. “Nos últimos anos, exceto durante a Covid, o resultado primário foi apenas li- geiramente negativo; já o déficit nominal, puxado pelos juros, foi sempre alto e agora aproxima-se de 10% do PIB”, expli- cou. “O equilíbrio das contas públicas não é uma condiçãonecessária enemsuficiente para o bom funcionamento da política econômica”, afirmou no artigo publicado no Substack. André Lara Resende concluiu que a redução da taxa de juros é a solução para odesequilíbriofiscal noBrasil. Nos últimos 12 meses, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento ou 8,9% do PIB. “Aeconomia temumproblema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoriamonetária e fiscal anacrônica”, concluiu. ■ ECONOMISTA DE PLANO REAL ACUSA BC DE CAUSAR ROMBO FISCAL VIA JUROS DÍVIDA PÚBLICA V Foto/ Geraldo Magela/Agência Senado FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 04 DE OUTUBRO DE 2026 O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão, comdisparada do dólar e queda acentuada da bolsa de valores. Nesta sexta-feira (30), a moeda es- tadunidense avançou cerca de 1% e fechou perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167,9 mil pontos. Na semana, o dólar acumulou valorização superior a 9%, a maior desde a crise financeira de 2008. O principal índice da B3 registrou a pior queda semanal desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19. No plano nacional, o desempenho dos ativos foi marcado pelos ajustes do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelas incertezas sobre a política fiscal bra- sileira. No cenário internacional, a forte queda de ações de empresas tecnológicas e de inteligência artificial pressionou o dólar e as bolsas de outros países. Números do dia Dólar à vista: R$ 5,446 (+1,09%); • Máxima do dólar no dia: R$ 5,463, por volta das 16h; • Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%); • Dólar na semana: +9,15%; • Ibovespa na semana: -18,12%; • Dólar em outubro: +5,27%; • Ibovespa em outubro: -9,88%. • Câmbio O dólar comercial fechou a sexta-feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, nomaior valor de fechamento de 2026. Du- rante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,463, antes de reduzir parte dos ganhos. Na semana posterior ao segundo turno das eleições presi- denciais, o dólar acumulou alta de 9,15%, movimento que re- presenta a maior valorização semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. Emoutubro, amoeda estadunidense avançou 5,27%. Com isso, passou a acumular valorização de 0,81% no ano. Parte da volatilidade registrada na primeira metade do pregão esteve relacionada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio. A pressão sobre o real também foi influenciada pela rea- valiação das posições dos investidores após o resultado eleitoral. A expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo e pela apresentação demedidas relacionadas às contas públicas manteve o mercado atento aos rumos da política fiscal brasileira. Outro fator foi a procura por proteção cambial antes do fim de semana prolongado pelo feriado de Finados, na segun- da-feira (2). Nomercado internacional, amoeda estadunidense voltou a subir, perante moedas de países emergentes, num dia marcado por turbulências ligadas a empresas de tecnologia. ■ DISPARADA Dólar fecha a R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde 2008 ●

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