Diário do Amapá - 08 e 09/11/2026
LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 08 09 DE NOVEMBRO DE 2026 2 E screvo este texto com o coração apertado de quem já foi da casa. Não falo de fora, não falo por ouvir dizer. Falo porque comecei minha carreira na Rádio Difusora, no início da década de 1990. Fui contemporâneo de Hermínio Gurgel. Vi de perto o programa dele invadir as madrugadas do Amapá, vi o quanto ele era amado. Vi a força que ele tinha junto ao povo, sei o que ele significou. E é exatamente por saber disso, que hoje me levanto para dizer que concordo com o presidente do Memorial Amapá, Walter Júnior, quem ama de verdade não precisa apagar ninguém para homenagear alguém. A Difusora não é uma placa, é uma casa cheia de gente. Quando entrei naqueles estúdios, era jovem, era o começo de tudo e aprendi ali que rádio não se faz sozinho, se faz em turnos, em madrugadas, em escalas que ninguém vê, se faz em técnicos que ficam invisíveis atrás do vidro, em lo- cutores que emprestam a voz e o peito para o ou- vinte do outro lado. A difusora é feita disso, é feita de gente que deu a vida por um microfone e nunca teve o nome em nenhum projeto de lei. Por isso a frase de Walter Júnior me tocou fundo, são dois desrespeitos. Um com a memória de Hermínio Gurgel, outro com todos aqueles que construíram a difu- sora, porque não se homenageia um grande nome encolhendo ou diminuindo a memória de uma casa inteira, isso não é homenagem, é subtração. Hermínio Gurgel merece mais e não menos e que fique muito claro, Hermínio Gurgel foi gigante, marcou época, alcançou o povo nordestino nas primeiras horas da manhã, aproximou a emissora da comunidade. Merece reconhecimento eterno, mas reconhecimento eterno não se conquista ti- rando o nome de uma emissora que é de todos, reconhecimento eterno se conquista com um es- paço novo, um auditório, uma praça, uma sala de memória, um estúdio. Homenagem que amplia é homenagemque honra, enquanto que, homenagem que substitui é homenagem que fere. E tem um detalhe que dói, Pedro Afonso da Silveira, Ama- zonas Tapajós, HumbertoMoreira, Arnaldo Araújo, Joaquim Ramos e quantos outros nomes a memória histórica guarda e a memória oficial esquece? Cada um deles deixou um pedaço de si na Difusora. O que está em jogo é a nossa identidade. O Teatro das Bacabeiras, o hospital Alberto Lima, as rodovias, os lo- gradouros, um padrão que se repete, mexer no que é nosso sem nos ouvir e quando se mexe em símbolo sem escuta, não se homenageia, se administra e símbolo não se administra por decreto. Como advogado, sei que a memória coletiva é um bem jurídico, protegido pela Constituição. Como radialista, sei que a memória é ainda mais frágil porque vive de arquivo, de testemunho, de repetição e quando se perde o nome, perde-se o fio. e sem fio, ninguém se reconhece. Termino com a frase do Walter Júnior, que assino com a mão e com a voz: "Um povo sem história, um povo sem memória é um povo que não tem referência para o futuro." Finalizo pedindo que a Difusora continue Difusora e que Hermínio Gurgel receba a homenagem inteira, sem tirar nada de ninguém e que devolvam à Difusora o slogan que diz tudo o que ela foi: "Uma Voz da Amazônia a Serviço do Brasil." ■ JORGEANAICE E-mail: lcaescritor@gmail.com Advogado e Jornalista O Teatro das Bacabeiras, o hospital Alberto Lima, as rodovias, os logradouros, um padrão que se repete, mexer no que é nosso sem nos ouvir e quando se mexe em símbolo sem escuta, não se homenageia, se administra e símbolo não se administra por decreto. Como advogado, sei que a memória coletiva é um bem jurídico, protegido pela Constituição. Renomear a Difusora é apagar a memória de quem a construiu O santo Cura d’Ars recebera de um colega uma carta que começava assim: "Sr. Vigário, quando se sabe tão pouco a teologia, como é o seu caso, nunca se deve entrar no confessionário". O Santo, que nunca achava tempo bastante para responder às inúmeras cartas que recebia, a esta respondeu imediatamente: "Quanta razão tenho de amar-vos, meu caríssimo e reverendíssimo colega! Vós sois o único que me conhece. Já que sois tão bom e caridoso, interessando-vos pela minha pobre alma, ajudai-me a obter a graça, que peço sempre, de ser substituído no cargo, de que sou indigno pela minha ignorância, a fim de retirar-me a um canto e chorar a minha pobre vida...". Confundido com tamanha humildade, o autor da insolente carta correu a pedir desculpas ao Santo. No início do mês de novembro, lembramos com saudade os nossos irmãos e irmãs falecidos e celebramos a solenidade de Todos os Santos. Na visita aos cemitérios, refletimos sobre o tempo que passa e a necessidade de dar um sentido menos superficial, talvez, à nossa vida. Repensamos os nossos relacio- namentos, o valor que damos a Deus, as pessoas e os bens materiais. No domingo da festa de Todos os Santos, a Igreja nos aponta aqueles cristãos e cristãs que encontraram a verdadeira felicidade, porque tomaram a sério o evangelho das Bem-Aventuranças. Eles e elas, de tantas formas e por tantos caminhos, colaboraram com a construção do Reino de Deus e, acreditamos, merecem participar da glória do céu. Por ter ouvido tantas histórias de santos e santas famosos, pensamos que a santidade seja algo absolutamente heroico e, por isso, somente para poucos. No entanto, todos nós cristãos, somos chamados a buscar e praticar, conforme as nossas possibilidades, a santidade. As palavras com as quais a Liturgia apresenta os santos e as santas podem nos ajudar a entender. Na segunda Oração Eucarística rezamos: ”Lembrai-vos ó Pai...e dai-nos participar da vida eterna com a Virgem Maria, São José...os apóstolos e todos os santos que viveram na vossa amizade”. Aprendemos assim que os santos e as santas foram, são e serão os “amigos” de Deus e, por consequência, amigos também dos homens porque, como ensina João em sua Primeira Carta “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’ mas odeia o seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama a seu irmão que vê, não poderá amar a Deus que não vê (4,20). Apesar das nossas dificuldades, todos desejamos ter amigos, ou seja, pessoas nas quais podemos confiar e que possam nos socorrer na hora da neces- sidade. Por isso, talvez, escolhamos a dedo as nossas amizades por interesse ou para ter alguma vantagem. A questão, porém, não é “ter” amigos, mas “ser” amigos, sermos, nós mesmos, pessoas com as quais os outros possam contar e sempre prontas para ajudar. Quando Jesus quis falar de um amor “muito grande” disse que “Ninguém temmaior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Por isso, podemos dizer, sem medo, que ele, Jesus, se oferece para ser o nosso “maior” amigo, ao menos se acreditarmos que ele gastou realmente toda a sua existência terrena fazendo o bem, acolhendo, consolando e curando aqueles que sofriam de tantas formas de pobreza e enfermidade. Ele nada pedia em troca pelas curas e a quem perdoava os pecados simplesmente exortava a não pecar mais. Com isso, ensi- na-nos que a doença mais perigosa, que acaba com nossas vidas, acontece quando nos afastamos de Deus e dos irmãos, quando nos fechamos em nós mesmos e, afinal, não amamos ninguém. Quantos homens e mulheres foram e, ainda hoje, são verdadeiros santos e santas, também se nunca ficaram co- nhecidos. De fato, os santos e as santas “famosos” nunca buscaram a santidade para serem honrados neste mundo, se fosse assim já teriam recebido a sua re- compensa (Mt 6,2). Simplesmente, amaram, praticaram o bem, doaram as suas vidas para outros serem felizes ou sofrerem menos e, sobretudo, não sozinhos e abandonados. Afinal, somos todos “colegas” de caminhada, por que não nos ajudamos mais para sermos todos santos e santas? Com humildade, sem inveja, sem disputas. O mundo precisa de uma grande corrente de alegre santidade. Hoje é a nossa vez. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Apesar das nossas dificuldades, todos desejamos ter amigos, ou seja, pessoas nas quais podemos confiar e que possam nos socorrer na hora da necessidade. Por isso, talvez, escolhamos a dedo as nossas amizades por interesse ou para ter alguma vantagem. Ajudai-me colega
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