Diário do Amapá - 24/04/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 24 DE ABRIL DE 2026 Num dia marcado por cautela nos mercados diante das tensões no Oriente Médio, a bolsa caiu mais de 1,5%, enquanto o dólar ficou praticamente estável, abaixo de R$ 5. Investidores reagiram à realização de lucros (venda de ações para embolsar ganhos recentes) na bolsa brasileira e às incertezas geopolíticas, que também impulsionaram os preços do petróleo. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira recuou 1,65%, aos 192.888 pontos, no menor nível desde 8 de abril. O movimento reflete ajustes após altas recentes e uma reavaliação de riscos por parte dos investidores. As ações de bancos e de mineradoras, com grande peso no índice, lideraram as perdas e pressionaram o desempenho geral. Por outro lado, ações ligadas ao setor de energia ajudaram a limitar as perdas, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, o saldo do dia foi negativo. Dados recentes também apontam uma redução na entrada de capital estrangeiro na bolsa, o que contribuiu para o enfraquecimento do índice. Dólar estável O dólar à vista encerrou o dia praticamente estável, com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 4,974. A cotação está no menor nível desde 25 de março de 2024. Apesar da estabilidade no fim do pregão, a moeda oscilou ao longo do dia, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas externas, especialmente relacionadas ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. No ano, o dólar acumula queda de 9,39% frente ao real, indicando ummovimento de valorização da moeda brasileira em meio ao fluxo de capital e à diferença de juros entre o Brasil e o exterior. Petróleo em alta Os preços do petróleo subiram com força e voltaram a superar o patamar de US$ 100 por barril, impulsionados pelas tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência para as negociações internacionais, avançou 3,5%, a US$ 101,91. O barril WTI, do Texas, subiu 3,66%, a US$ 92,96. A alta foi motivada por incertezas sobre a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã, além de novos episódios na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. * com informações da Reuters ■ INDICADORES ECONÔMICOS Ibovespa cai e dólar fecha estável em dia de tensão externa ● A o optar pela exploração de petróleo na Foz doAmazonas, oBrasil poderá abrirmãodeR$47bilhões emreceita e benef ícios que poderiam ser gerados na escolha por energia renovável e biocom- bustíveis, diz estudo inéditodaWWFBrasil, lançado nesta quinta-feira (23). Omontante soma as perdas de R$ 22,2 bilhões estimadas para o investimento em combustíveis fósseis naMargemEquatorial aos R$ 24,8 bilhões que o país deixaria de lucrar pela ausência de investimentos na eletrificação da matriz energética. Perdas e ganhos Para entender o que o país pode ganhar e perder ao investir em uma nova fronteira petrolífera em um contexto de transição energética acelerada e riscos crescentes, o estudo promovido pelo WWF-Brasil usou comometodologiaaAnáliseSocioeconômica de Custo-Benef ício (ACB). É a mesma me- dição recomendada peloTribunal deContas da União para avaliação de grandes investi- mentos públicos. De acordo com Daniel á, consultor daWWF-Brasil, é ummétodo bastante sis- temático e comparativo com critérios obje- tivos, baseados emevidências, transparentes e comparáveis, emuma perspectiva de longo prazo. “É uma análise que não está focada no lucro do investidor privado ou no imposto que o governo recolhe. Está balizada no re- torno para todos os atores da sociedade, in- cluindo governo, empresa e famílias”, expli- ca. Bacia da Foz do Amazonas O estudo partiu de um cenário de de- sempenho produtivo da bacia da Foz do Amazonas, em um período de 40 anos, considerando os dez primeiros anos neces- sários à exploração para identificar e com- provar o petróleo, além de desenvolver a nova frente de extração do recurso. Nos 30 anos seguintes, com o início da operação, foram levantados investimentos compatíveis com o mercado e o preço do petróleo no longo prazo, a partir de 2036, quando os barris estariam disponíveis no mercado. A reserva considerada seria de 900 milhões de barris de petróleo, com a capacidade de explorar 120 mil barris ao dia a partir de 20 poços exploratórios Partindo do ponto de vista exclusiva- mente financeiro, descontados os custos das operações, as empresas teriam lucro, a partir do valor de venda de US$ 39 por barril. Atualmente, o barril de petróleo está em torno de US$ 100. Segundo Danielá, o lucro seria mais ou menos vantajoso conforme as ações cli- máticas adotadas pelo país. “As petroleiras dependem muito de um mundo sem ação climática suficiente para terem lucro”, diz. Efeitos O cálculo inclui ainda o custo social do modelo adotadona Foz doAmazonas tendo como principal efeito colateral as emissões de gases de efeito estufa, conforme critérios da Agência Internacional de Energia. “Nós conseguimos, a partir do desenho dessemodelo representativo, estimar emis- sões de 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. A maior parte na fase de con- sumo dos combustíveis”, explica o consultor daWWF-Brasil. Omontante das emissões, apenas con- siderando o custo social do carbono, pode variar de R$ 21 a R$ 42 bilhões emprejuízos gerados à população. Naprática, aoconsiderar prejuízos como esses, os pesquisadores chegaramà conclusão de que o saldo líquido da nova frente petro- lífera na Foz do Amazonas geraria perda de R$ 22,2 bilhões em 40 anos. “Aadição dessas externalidades faz com que a somatória dos custos de exploração e produçãomais as externalidades não sejam superadas pelo volume de benef ícios que é gerado”, explica Daniel á. ■ BRASIL PODE PERDER R$ 47 BI AO PRIORIZAR PETRÓLEO NA FOZ DO AMAZONAS PREJUÍZOS V Foto/ Divulgação/Foresea/Petrobras

RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=