Diário do Amapá - 26 e 27/04/2026
oje, 24 de abril, é o dia em que meus olhos se abriram para o mundo, às sete e meia da manhã, na cidade de Pinheiro, localizada na Pré-Amazônia, área da Baixada Maranhense, zona de campos verdes, alagados, com muitos lagos e capins variados, como arroz-bravo, andrequicé, capim-de-marreca, algodão- do-campo, e flores amarelas que enfeitavam o tapete verde das plantas. Nessa cidade, as casas baixas, a rua deserta e a visão do campo verde davam ternura a uma planície sem fim que se perdia no horizonte. Era uma pequena vila de duas ruas, uma maior, o eixo central, como em outros lugares sempre chamada de Rua Grande, e a outra que dela derivava e ia em curva até a Igreja de Santo Inácio, onde se iniciara a povoação. Em 1920 foi elevada a Município, desmembrada da Comarca de São Bento. Emmarço de 1930, uma comitiva chegou a Pinheiro no fim da tarde e desembarcou no porto do Albino Paiva — assim chamado porque ali ele tinha sua casa de comércio —, onde aportavam as canoas, que, no in- verno, eram o único transporte disponível. Naquela tarde, meus pais se dirigiram para a casa onde iriam morar. Deus, o ser bondoso que eu sabia ter me dado a vida, me assegurou a Eternidade no paraíso que Ele me dera para viver na Terra: uma pequenina casa, com um quarto na frente, com piso de tijolo local, um outro quarto, uma salinha de comida e cozinha, juntas, de chão de barro batido. A casa da infância é, sobretudo, onde moram as saudades nunca mortas, no interior do Maranhão, há quase cem anos — isso parece ontem. Na memória me vêm o pote com água de caneca, a cozinha com os cal- deirões de ferro, em trempes de pedra, com carvão de árvores secas, as fruteiras, manga, figo, laranja-da- terra, tangerina e a horta de quintal com tomate, vina- greira, maxixe, alface e abóbora. Os urucus vermelhos e o cavalo Graúna, preto, brilhante, relinchando com a chegada das cargas de palmito de babaçu, num quadro materializado no tempo. Ficava na rua principal, àquele tempo José Anastácio, que fora um grande prefeito da cidade. Em frente morava José Alvim, farmacêutico, solteirão que depois veio a se casar com Inês de Castro — que se tornaram meus amigos, eles e seus filhos. Naquela madrugada de abril anterior ao meu nas- cimento, chovera muito, e ainda chovia quando meu pai teve de ir buscar na Farmácia do Zé Alvim, a única da vila, uma injeção para restabelecer as contrações do parto. Aliás, o ditado popular era: “abril, chuvas mil; maio, trovão e raio”. Busco antigas recordações e lembro das chuvas da minha infância e, na minha memória, as águas não param de cair. Ao me recordar desse tempo hoje ainda chove, uma chuva azul escuro que turva o dia. Na cidadezinha pequena, pobre, isolada, mas bela na pureza de seus humildes arruados, Pinheiro, ficava minha casa, meu chão, onde meus olhos se abriram para a vida. Em duas ruas a cidade se esgotava. Mas nada mais belo do que a minha cidade, seus campos, suas águas, sua gente. Eu tenho escrito muitas vezes que o tempo é uma criação do homem, feito de datas escolhidas por nós. Mas o tempo não destrói as memórias velhas, onde ficam as saudades nunca mortas. Ao longo da vida, com mais de 50 anos de crônicas de imprensa, publicadas semanalmente em jornais e sites, que eu me recorde, com boa memória, jamais meu aniversário coincidiu com a data e o dia da publi- cação do meu artigo: sexta-feira, 24. Por isso compartilho tanta saudade. Desculpe-me o leitor, mas obrigado pelos parabéns que eu sei que está me enviando. Eu sou só gratidão no dia de hoje. Todas as manhãs e noites agradeço a Deus pela vida que me deu, através do meu pai e da minha mãe, e pela minha família: filhos, genro, noras, netos, bisnetos, parentes e amigos. Deus guiou os meus passos. Viva a vida. Viva o amor. E as saudades que nunca morrem. ■ A casa da infância E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY H ➔ E-mail: luizmello.da@uol.com.br ➔ Instagram: @luizmelodiario© 2018 ➔ twitter: @luizmelodiario RÁPIDAS ● Quemdá mais?… Bala e Randolfe ainda nem degustaram tão assim gostinho bom da reinauguração do Augustão, em Santana, e o Sesi já anuncia bater do martelo para leiloar área toda do estádio - que Icomi passou pra ele [Sesi] - de mão beijada - quando foi embora do Amapá. Bala e Randolfe, por conta disso, pilotam, nessa semana, grande manifestação popular em reação à medida, que fecha o único estádio de futebol em reduto santanense. ● Vendido! … O Sesi vai leiloar o estádio Augusto Antunes no dia 5 de maio. E o prefeito Bala Rocha publica manifesto, assim: “O Estádio [...] é patrimônio do povo de Santana. Não podemos aceitar que seja colocado à venda. Esse é ummovimento em defesa de um espaço que pertence à população. Diga não ao leição do Augustão!” ● Celulite… E o plenário da Alap virou ringue, na última sessão legislativa. De um lado, Roberto Góes, da base do governo; do outro, R. Nelson, oposição raiz, daqueles que acha defeito até em nota de cem! Aí, no meio do fogo cruzado, RGóes solta essa: “Rapaz, tu fica procurando celulite até em perna de miss, por mais bonita que seja!” Foi o suficiente pra acender o pavio, e o que era debate virou troca de farpas, lá e cá. No fim, ninguém convence ninguém, mas o espetáculo tá garantido! E o eleitor? Tentando entender se aquilo é política, ou teste pra stand-up na tribuna! Dando o baralho... Já juram por todos os juros que o ministro Flá- vio Dino (STF) não prorroga prazo do afasta- mento de Mário Neto. E que vencidos os 60 dias, agora emmaio, ele reassume, e já com Furlan fora, desta feita como titular absoluto no cargo de prefeito de Macapá. Capiberibe e Rubem têm puxado muita conversa, ultimamente, sobre candidaturas de ambos, em outubro. E, fechada a prosa, aí entra Capi para o Senado, e Bemerguy ao GEA. É mais opção para o eleitor avaliar, sem pressa. Pois é... Amores... Base política, no Setentrião, não tem mos- trado, mas garante que últimas pesquisas mostram Clécio, em pré-campanha, já cor- rendo à frente do sol, e cada vez mais e mais conquistando corações. Quando defende a saúde como um dever do Estado - o que tem feito na prática -, governador Clécio Luís vai ao encontro do lema “Saúde não é um luxo, é um direito de todos”. É uma frase frequentemente citada pela Santa Sé, na ONU. E o Papa Francisco, que já nos deixou, também defendia muito essa ideia. No vermelho... Malfeitos na Macaprev - mais de R$ 200 mi, mas com conta ainda em aberto - seguem em- pilhados, e agora também vasculhados por auditores do INSS. Pior: conta já sem fundo suficiente para ban- car salário dos aposentados municipais. Eis a questão... Tanto Clécio Luís quanto WGóes ainda orbitam na cabeça de Teles Jr. quando levado a avaliar se segue de vice em chapa governamental, ou se en- gata um voo solo rumo ao Senado, como sugerem aliados pedetistas. |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 26 E 27 DE ABRIL DE 2026 3 FROM / LuizMelo Semdúvida... O homem retrata-se inteiramente na alma; para saber o que é e o que deve fazer, deve olhar-se na inteligência, nessa parte da alma na qual fulge um raio da sabedoria divina. Platão Filósofo grego Governo é como violino: você toma com a esquerda e toca com a direita José Sarney “ Brilho... Acácio, que disputa o Senado e Dorinaldo Malafaia a reeleição, são os membros da bancada federal, em Brasília, com maior destaque na mídia com apresentação de trabalhos importantes, principalmente nas áreas de saúde e habitação. “
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