Diário do Amapá - 29/04/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 29 DE ABRIL DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br P rovavelmente, você já assistiu ao filme Total Recall do Arnold Schwarzenegger, de 1.990, ouMatrix, de 1.999, e suas continuações, cujo argumento é que todos os seres humanos vivem em uma si- mulação. Bem, nem todos, há Morfeus, que vive no mundo real e invade o sistema libertando pessoas da simulação. De qualquer forma, são seres vivos biológicos, mas havia também os seres artificiais compostos de uma inteligência artificial (IA), como a Oráculo. Em 2.003, o filósofo Nick Bostrom escreveu um artigo na revista Phi- losophical Quarterly em que propôs que o nosso universo poderia ser uma simulação de computador, ou seja, seríamos inteligências artificiais em ummundo simulado. Fouad Khan escreveu uma interessantematéria na Scientific American sobre o assunto apontando que a ideia teve adesão de alguns "gênios" da atualidade como ElonMusk e do cientista Neil deGrasse Tyson, discípulo de Carl Sagan. Já o f ísico Frank Wilczek não acredita nisso, seu argumento é que há muita complexidade desperdiçada emnosso universo para ser simulada. A complexidade de um edif ício requer energia e tempo. Por que um "designer" de realidades des- perdiçaria tantos recursos para tornar nosso mundo mais complexo do que precisa ser? Isso não é exatamente verdadeiro, como emum jogo, precisaria apenas simular com detalhes aquilo que está no foco dos nossos sentidos, como visão e audição. Também a f ísica e comunicadora científica Sabine Hossenfelder entende que essa hipótese não é científica, não podemos realmente testá-la ou refutá-la e, portanto, não vale a pena investigar seriamente. Mas isso tambémnão é inteiramente verdade. Há algumas operações de computador que demoramomesmo tempo, porque depende da capacidade operacional do computador. Por exemplo, emum computador moderno, o tempo de somar 1+1 é igual ao de somar 458.391+763.611, ou seja, se você demorar, pode ser um indicativo de viver na realidade... Ou a simulação é muito boa! De qualquer forma, a simulação não precisa ser muito boa, apenas boa o suficiente para en- ganar as inteligências simuladas. Mesmo assim, precisa- se de muita ca- pacidade computacional. Por exemplo, Bostrom estimou que para cada ser humano simulado seria necessário de 10^33 (quatrilhões de quintilhão) a 10^36 (quintilhão de quintilhão) de operações por segundo. Usando a tecnologia atual, um computador tão grande quanto nosso planeta Terra, simularia ummilhão de seres humanos. Acapacidade computacional dos computadores cresceram incrivelmente nos últimos 50 anos e deve crescer ainda mais, mas há um limite f ísico para isso. Provavelmente, a tecnologia evoluirá para simular um cérebro com capacidade cognitiva de um ser humano, mas ainda será grande demais, o cérebro biológico parece ser imbatível em solução viável. Fouad Khan intitulou sua matéria de "Confirmado! Vivemos em uma Simulação" e que foi publicado em primeiro de abril, o dia da mentira, ou dos tolos, como dizem os americanos. Um dia excelente para pregar uma peça nos leitores, mas nesse caso, para dizer que a própria realidade que vivemos pode ser uma mentira de fato.. ■ A capacidade computacional dos computadores cresceram incrivelmente nos últimos 50 anos e deve crescer ainda mais, mas há um limite físico para isso. Provavelmente, a tecnologia evoluirá para simular um cérebro com capacidade cognitiva de um ser humano, mas ainda será grande demais. Você realmente está vivo? MARIO EUGENIO A s mudanças do clima têm provocado longos períodos de es- tiagem em contrapartida com momentos de fortes chuvas. Os extremos vêm exigindo cada vez mais uma melhor gestão dos recursos hídricos brasileiros. Apesar de contar com mais de 10% da água doce de todo o mundo, o Brasil precisa avançar na gestão dos recursos hídricos, já que esse volume está concentrado em 80% na bacia do Rio Amazonas, região com menos de 10% da população. ONovo Marco Legal do Saneamento é um importante instrumento para que os municípios se preparem adequadamente para os desafios que têm pela frente, principalmente diante das possibilidades de es- tiagem nas regiões metropolitanas brasileiras. Um dos avanços da nova legislação é a possibilidade de uma nova estruturação da política de saneamento baseada na gestão associada, permitindo o agrupamento de entes federativos, por meio de consórcios públicos ou convênio de cooperação, para a busca de soluções comuns aos participantes. O incentivo aos agrupamentos municipais abre as portas para a prestação integrada de obras e serviços de saneamento básico. O novo modelo potencializa as operações regionalizadas por meio da união das cidades de uma mesma região, bacia hidrográfica ou região administrativa. Assim, municípios me- nores podem usufruir de serviços de ponta si- milares aos das grandes cidades, que dispõem de melhores condições financeiras e maiores atrativos para a iniciativa privada, em um sis- tema de subsídio cruzado. Esses agrupamentos podem, por exemplo, contar com empreendimentos para a troca de tubulações antigas, que em parte significativa das cidades brasileiras já ultrapassam meio século de uso. As perdas de água são um dos problemas comuns desses antigos sistemas, e os municípios não poderão se furtar de re- solvê-lo para alcançar uma boa gestão dos recursos hídricos. Na média brasileira, as perdas alcançam quase 40% da água tratada. Isso representa jogar dinheiro fora e está na contramão da eficiência esperada por essa nova fase do saneamento brasileiro. O planejamento é outro pilar para garantir o atendimento das metas de 100% de abastecimento de água tratada e 90% no esgotamento sanitário até 2033. Sem planos de pequeno, médio e curto prazo, pouco avançaremos. A redução das perdas de água é um dos assuntos prioritários para os municípios com o novo marco legal. O uso de novas técnicas deve ampliar as opções de troca de tubulações e reduzir significativamente o desperdício de recursos hídricos nos municípios, com preços competitivos. ■ Esses agrupamentos podem, por exemplo, contar com empreendiment os para a troca de tubulações antigas, que em parte significativa das cidades brasileiras já ultrapassam meio século de uso. Eficiência ajuda a reduzir as perdas de água E-mail: edmir@libris.com.br Presidente da Apecs RICARDO LAZZARI
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