Diário do Amapá - 29/04/2026

ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 29 DE ABRIL DE 2026 A s propostas de redução da jornada de trabalhonoBrasil, emtramitação no Congresso Nacional, têm mo- bilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos damedida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6x1. De um lado, estudos de entidades que representamo empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação. Por outra perspectiva, análises da Uni- versidade Estadual deCampinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Apli- cada (Ipea) desenhamumcenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB. Para a economista da Unicamp Mari- lane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de umdebate puramente técnico, mas político. “Parte significativa da literatura eco- nômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à re- dução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historica- mente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta. Membro do Centro de Estudos Sindi- cais e de Economia do Trabalho (Cesite), Marilene defende que a resistência à re- dução da jornada, por parte dos emprega- dores, pode levar a projeções alarmistas. “Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benef ícios para o conjunto da sociedade”, acredita. Previsões A pesquisa da ConfederaçãoNacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%. “Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban. Já a Confederação Nacional do Co- mércio de Bens, Serviços eTurismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afir- ma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%. Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, emmédia. “Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC. Custos x benef ícios Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalha- dores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%. Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança. “Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do tra- balho, ainda que alguns segmentos de- mandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea. ■ FIM DA ESCALA 6X1: ESTUDOS DIVERGEM SOBRE IMPACTOS NO PIB E INFLAÇÃO PRODUTIVIDADE V Foto/ Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

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