Diário do Amapá - 03 e 04/05/2026

Balelômetro A Coluna lança hoje o Balelômetro, para qualquer Governo – dos municipais ao federal, e vez ou outra vai jogar aqui para o leitor questionar, também. No Federal, começou um pacote de bondades (ou balelas eleitorais) para efeito nas urnas em outubro. Já temos a suspensão das multas do pedágio free flow na SENATRAN; e a promessa do fim da escala de trabalho 6 x 1 – o que todos no Congresso sabem que não passa. Seguro do dinheiro Até os bancos, com lucros líquidos trimestrais bilionários, estão commedo. O uso de seguros por bancos para gestão de capital cresceu mais de 10 vezes entre 2020 e 2024, segundo relatório da corretora Howden. O estudo destaca que o volume de operações de transferência significativa de risco estruturadas, com suporte de seguro, passou de cerca de €500 milhões em 2020 para €6 bilhões em 2024 (ou R$ 36 bilhões). Na contramão Questionada pelo TCE de Rondônia sobre o seu transporte escolar, a Prefeitura de Cacoal reconheceu em ofício que quase metade de sua frota – 40 de 82 veículos – não passou por vistoria, o que deixa os alunos em situação de risco. Outros oito veículos estão parados. Circulam nas redes imagens de ônibus sucateados e vídeo de crianças desesperadas. Até abril, a Prefeitura era comandada por Adaílton Fúria, pré-candidato do PSD, partido de Gilberto Kassab, ao Governo do Estado. Tudo errado O dia B, de “Bessias”, tinha tudo para dar errado. Indicado por um presidente em baixa popular histórica, com um Governo desgastado, e uma madrinha, Dilma Rousseff, que saiu da China para comemorar a suposta aprovação, cuja maioria do Congresso nunca engoliu. O AGU Jorge Messias apanhou igual a lutador magrelo em arena de UFC. Dois banquetes, em mansão e restaurante do Lago, foram cancelados na noite de quarta-feira. Os Insaciáveis O tal grupo Prerrogativas, formado por advogados e juristas em sua maioria progressistas, reivindica no Palácio o Ministério da Justiça para o AGU Jorge Messias como prêmio de consolo. Este é o mesmo grupo que quebrou os Correios após “ganhar” a estatal na camaradagem lulista por ter defendido sua liberdade na Operação Lava Jato. O mesmo grupo que quer derrubar no STF a sessão de derrota de Messias no Senado. Dois recados A rejeição ao nome do jovem advogado Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi amparada em dois duros recados do Senado: aos Poderes Executivo e Legislativo. Ao fim da noite, o presidente Lula da Silva entendeu que não adianta empurrar um nome sem debater com os senadores, que, constitucionalmente, dão a palavra final. Na outra ponta, o Senado mostrou à composição atual do STF que nenhum ministro mais está seguro na poltrona. Pesou muito, nos bastidores, o fato de o juiz decano Gilmar Mendes sair aos holofotes esta semana pregando a revisão das emendas impositivas e o fim da ingerência partidária nas agências reguladoras – cujos indicados, claro, passam pelo Senado. Destaque para o discurso duro do senador Hamilton Mourão (Rep-RS) na sabatina na CCJ, no qual lembrou, em outras palavras, que o Supremo não pode ser um puxadinho das vontades de um presidente ou partido. U m artigo publicado na revista científica alemã Instituto de Economia do Trabalho (IZA) não identificou queda do Produto Interno Bruto (PIB) após redução da jor- nada de trabalho adotada em cinco países europeus entre 1995 e 2007. O nível do emprego na França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia também não foi significativamente afetado pelas reformas, segundo os pesquisadores Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini. O levantamento da IZA, instituiçãomantida pela Fundação Deutsche Post, também identificou efeitos positivos, “mas insignificantes”, sobre os salários por hora e o valor adicionado por hora trabalhada. Esses cinco países tiveram ainda um crescimento “relativamente robusto” do PIB no período. “É, portanto, possível que, mesmo em um cenário clássico de oferta e procura, a redução do tempo de trabalho e o au- mento do custo do trabalho por hora trabalhada tenham sido rapidamente absorvidos”, conclui o documento. Os resultados diferem de pesquisas que vem sendo di- vulgadas no Brasil no contexto da discussão do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1), com al- gumas projeções apontando para redução do PIB e do em- prego, e outras indicando aumento de contratações devido à redução das horas trabalhadas. “Entre 1995 e 2007, os países europeus experimentaram um crescimento relativamente forte. A redução do horário de trabalho padrão e o aumento do custo da mão de obra por hora trabalhada foram rapidamente absorvidos, sem efeitos consideráveis sobre o emprego”, diz a publicação de setembro de 2022. Ao todo, a pesquisa analisou 32 setores da economia, a partir de bancos de dados de instituições europeias, com corte em 2007 para evitar distorções causadas pela crise fi- nanceira de 2008. Também foram excluídos setores como agricultura, edu- cação, saúde, assistência social, artes e entretenimento “porque geralmente [esses setores] apresentam uma alta proporção de trabalhadores autônomos ou de trabalhadores do setor público”. ■ INTERNACIONAL Escala 6x1: jornada menor na Europa manteve empregos e não reduziu PIB O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei (PL) da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados por tentativa de golpe de Estado ligados ao 8 de janeiro de 2023. O projeto de lei segue para promulgação. No Senado, foram 49 votos favoráveis à derrubada do veto e 24 contrários Eram ne- cessários 41 senadores para derrubar o veto presidencial. Na Câmara dos Deputados, 318 parla- mentares votaram para beneficiar os gol- pistas, enquanto 144 deputados votaram contra e cinco se abstiveram. Eram neces- sários 257 votos para derrubar o veto. Antes da votação, o presidente do Con- gresso, Davi Alcolumbre (União-AP), fatiou a votação, excluindo os trechos que benefi- ciariam criminosos comuns ao reduzir o tempo para progressão de pena, mudança prevista no texto aprovado em dezembro de 2025. O PL 2.162 de 2023 foi incluído como pauta única na sessão de hoje, entrando na frente de mais de 50 vetos, parciais ou totais, que aguardam na fila para análise do Parla- mento. O líder do governo na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), pediu questão de ordem contra a votação do PL por entender que outros vetos teriam preferência, mas o apelo foi rejeitado por Alcolumbre. “Nós estamos votando o tema da de- mocracia e, portanto, o futuro de novas aventuras golpistas se derrubar este veto, uma vez que está defendendo um grupo de- terminado, que é o de Jair Bolsonaro, e os generais golpistas que tentaram implantar golpe no país”, disse a liderança governista. Uczai lembrou ainda do plano de assas- sinatos contra o presidente eleito e o vice previsto na trama golpista. “Não é esquerda ou direita. É se nós queremos democracia ou golpe ou ditadura, autoritarismo no Brasil. Liberdade, demo- cracia, sim, ditadura nunca mais.” A derrubada do veto foi defendida pelo senador Espiridião Amim (PP-SC), relator do PL, que justificou que o julgamento da trama golpista não teria sido justo. “Eu quero, em primeiro lugar, dizer a todos os congressistas que estão aqui que este é um dia que pode permitir que se galgue ou se supere o primeiro degrau para a justiça e para a harmonia política no Brasil”, disse o parlamentar. Razão do veto O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o chamado PL da Dosimetria por en- tender que a proposta é inconstitucional e viola o interesse público ao reduzir penas de crimes contra a democracia. “[O PL] daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem demo- crática e indicaria retrocesso no processo histórico de redemocratização que originou a Nova República”, justificou o Palácio do Planalto. ■ PROJETO DE LEI CONGRESSO DERRUBA VETO DE LULA E MANTÉM PL DA DOSIMETRIA V Foto/ Lula Marques/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 03 E 04 DE MAIO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO

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