Diário do Amapá - 20/05/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 20 DE MAIO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O mercado de trabalho brasileiro passa por uma transformação profunda, e os dados mais recentes do LinkedIn revelam um movimento que há alguns anos parecia distante: as carreiras ligadas à tecnologia da infor- mação e engenharia de software passaram a ocupar o centro das oportunidades mais valorizadas do país. A lista das melhores empresas para desenvolver carreira no Brasil em 2026 mostra a forte presença de organizações ligadas à inovação, tecnologia, dados e transformação digital, como LinkedIn, IBM, Ac- centure e outras gigantes do setor. Paralelamente, o ranking “Empregos em Alta 2026” confirma que profissões como engenheiro de inteligência artificial, engenheiro de software, especialistas em dados e profissionais de automação estão entre os cargos que mais crescem no Brasil. Isso demonstra não apenas uma tendência passageira, mas uma mudança estrutural na economia e no comportamento social. Durante décadas, profissões tradicionais como direito, medicina, administração pública e carreiras burocráticas eram vistas como o principal símbolo de estabilidade e prestígio social no Brasil. O sonho de grande parte das famílias estava ligado ao concurso público, aos cargos administrativos ou às profissões liberais clássicas. Hoje, entretanto, o cenário mudou. A valorização crescente das áreas de TI mostra que a sociedade passou a enxergar inovação, domínio tecnológico e capacidade de adaptação como competências essenciais para o futuro. Essa mudança também reflete a transformação das próprias empresas. O avanço da inteligência arti- ficial, da computação em nuvem, da automação e da análise de dados fez com que praticamente todos os setores da economia dependessem da tecnologia. Bancos se tornaram empresas digitais, indústrias pas- saram a operar com sistemas inteligentes, o agronegócio incorporou monitoramento tecnológico e até áreas tradicionais da saúde e educação passaram a utilizar soluções digitais em larga escala. O mais interessante é que essa valorização da tec- nologia representa uma alteração cultural importante. Antes, muitos jovens escolhiam profissões buscando estabilidade; agora, procuram áreas com inovação, crescimento rápido, salários competitivos e possibili- dade de atuação global. O profissional de TI hoje pode trabalhar remotamente para empresas interna- cionais, criar startups, atuar com inteligência artificial ou desenvolver soluções para diferentes países, algo que poucas profissões tradicionais ofereciam há duas décadas. A ascensão da engenharia de IA e das carreiras tecnológicas indica que o futuro do trabalho será cada vez mais orientado por conhecimento técnico, criatividade e capacidade analítica. Não se trata apenas de programar sistemas, mas de compreender dados, resolver problemas complexos e integrar tecnologia às necessidades humanas e empresariais. Essa transformação também cria desafios. O Brasil ainda possui déficit de profissionais qualificados em tecnologia, além de desigualdades no acesso à formação digital. O próprio LinkedIn aponta desequilíbrios de gênero nas áreas técnicas, mostrando que o crescimento do setor ainda precisa ser acom- panhado por inclusão e democratização do conhecimento. Esta ascensão não representa apenas uma mudança econômica, mas uma mudança de mentalidade nacional. O que antes era considerado periférico no mercado de trabalho tornou-se estratégico. O Brasil começa a compreender que o desenvolvimento do futuro dependerá menos de estruturas tradicionais e mais da capacidade de inovar, criar tecnologia e formar profissionais preparados para uma economia digital e globalizada. ■ A nova centralidade do Mercado de Trabalho em Tecbologia A ascensão da engenharia de IA e das carreiras tecnológicas indica que o futuro do trabalho será cada vez mais orientado por conhecimento técnico, criatividade e capacidade analítica. Não se trata apenas de programar sistemas, mas de compreender dados, resolver problemas complexos e integrar tecnologia às necessidades humanas e empresariais. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO D ias atrás, a Time publicou a interessante matéria "Esqueça a crise de meia-idade. Pode ser o seu capítulo mais feliz", que pode ser lida online e que farei uma pequena sinopse. A crise da meia-idade é crida acontecer para quase todos entre 40 e 60 anos. A pessoa tem a percepção de que já se viveu metade da vida. É quando se faz um balanço sobre realizações, fracassos e sonhos não cumpridos. E provoca mudanças de comportamento, desde cuidar mais da aparência até trocar de carreira ou buscar novos relacionamentos. E a sensação de que o futuro é mais curto pode levar a decisões mais ousadas (e descuidadas). O termo "crise de meia-idade" foi cunhado em um artigo de 1965 do psicanalista e cientista social Elliot Jacques, mas "meia-idade" e "crise" nunca foram bem definidas. O que se considera uma crise de meia-idade varia amplamente, desde doenças até divórcios e angústia, e crises seme- lhantes acontecem em outras fases da vida com aproximadamente a mesma taxa. Em um estudo de 2000, apenas 10 a 20% dos americanos relataram espontaneamente uma crise de meia-idade, embora não esteja claro como essa taxa se aplica às pessoas de meia- idade hoje. Os pesquisadores normalmente es- tudam a meia-idade dos 40 aos 65 anos, um pe- ríodo amplo que clama por subcategorias, con- forme Hollen Reischer, psicóloga clínica da Uni- versidade de Buffalo. Mas estudos mais recentes desafiaram a uni- versalidade da crise de meia-idade. Muitas pessoas na meia-idade sofrem angústia, mas ela é moldada por pressões sociais e econômicas, não por um declínio inevitável relacionado à idade. E muitas outras experimentam o oposto. Os pesquisadores afirmam que esse período frequentemente coincide com picos de autoaceitação e satisfação nos rela- cionamentos. Por mais comum que seja associar a meia- idade à crise e a uma marcha desleixada do jovem ao velho, a meia-idade é, na verdade, muito mais do que isso; é um período rico em desenvolvimento com seus próprios "interesses e aspirações únicos", diz Reischer. Pesquisas nos anos 1990 mostraram piora na meia-idade e, em 2004, economistas de Dartmouth descobriram que, por volta dos 40 anos, as pessoas relatavam o pior bem-estar, formando o fundo do U, da curva, em comparação com idades mais jovens e mais velhas. Posteriormente, no entanto, pesquisadores da Universidade de Alberta no Canadá e da Universidade Brandeis adotaram outra abordagem. Em vez de comparar pessoas diferentes em idades diferentes, eles analisaram pesquisas que acompanhavam as mesmas pessoas ao longo dos anos da meia-idade para ver como sua felicidade mudava com o tempo. Ela au- mentou de forma constante, em média, levantando dúvidas sobre um mal-estar psicológico tão previsível quanto a menopausa ou o crescimento de pelos masculinos. Em um estudo recente de Kira Birditt, professora pesquisadora do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan, cuidadores na meia-idade relataram sentir-se menos estressados e sobrecarregados do que adultos mais jovens que eram cuidadores. Pesquisas recentes sugerem que os adultos jovens estão cada vez mais infelizes. ■ Crise de meia-idade Pesquisas nos anos 1990 mostraram piora na meia-idade e, em 2004, economistas de Dartmouth descobriram que, por volta dos 40 anos, as pessoas relatavam o pior bem-estar, formando o fundo do U, da curva, em comparação com idades mais jovens e mais velhas. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior
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