Diário do Amapá - 07 e 08/06/2026

ENTREVISTA PESQUISADOR |ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 07 E 08 JUNHO DE 2026 14 Dados técnicos fortalecem exploração de petróleo e ampliam oportunidades para o Amapá. Especialista ouvido pelo DA explica como o banco de dados da ANP ajuda a reduzir riscos e serve também para pesquisas ambientais, mineração e gestão hídrica. D iário doAmapá - Quando se fala empetróleo, qual a importância desses dados técnicos e por que o Amapá precisa compreendermelhor o assunto? CláudioJorge Souza - Apartir da Lei do Petróleo, em1997, o Bra- sil implantou o Banco deDados de Exploração e Produção daANP, co- nhecido como BDEP, que hoje é umdosmaiores bancos de dados pú- blicos de petróleo e gás domundo. Ele foi inspirado emmodelos inter- nacionais, como o daNoruega, mas agregou aindamais informações técnicas. Aprópria lei estabeleceu que esses dados têmomesmo valor estratégico do petróleo para o Estado brasileiro. Isso foi importante por- que permitiu ao Brasil concentrar todo o conhecimento histórico da ex- ploração petrolífera emumúnico sistema. Inclusive, a Petrobras teve de transferir todos os seus dados históricos para esse banco quando aca- bou omonopólio estatal. Com isso, o país passou a reunir informações sísmicas, dados de poços, levantamentos gravimétricos e uma enorme quantidade de estudos geológicos acessíveis para futuras operações. Diário - Essa centralização das informações ajudou amu- dar o patamar competitivo do Brasil no cenário global? Claudio - Semdúvida. O grande diferencial foi justamente permitir que todas essas informações ficassem reunidas emumúnico local, fa- cilitando o acesso para empresas interessadas em investir no Brasil. Isso reduz muito o risco exploratório. Uma empresa que pretende dis- putar áreas em leilões da ANP consegue estudar previamente as ba- cias sedimentares brasileiras, entender o potencial geológico daquela região e avaliar melhor os investimentos necessários. Quantomaior o conhecimento prévio, menor o risco. OBDEP funciona como uma ferramenta para atrair investidores e fortalecer a competitividade. Diário - Esses dados são públicos? Como funciona o acesso exatamente professor? Claudio - Alguns dados são públicos e outros podem ser adquiri- dos mediante pagamento. Praticamente todos os dados das bacias ter- restres, os chamados dados onshore, estão disponíveis gratuitamente pela internet. Qualquer pesquisador, estudante ou cidadão pode aces- sar a página da ANP e baixar essas informações. Já os dados offshore, ligados às áreas marítimas, possuem regras específicas. Alguns são gratuitos, outros precisam ser adquiridos diretamente junto ao BDEP, seja como cliente eventual ou como associado do banco de dados. Diário - Um volume tão grande de informações seja um enorme desafio tecnológico, não é? Claudio - Sem dúvida. No início, os dados históricos da Pe- trobras eram relativamente pequenos para os padrões atuais da indústria, com poucos gigabytes. Mas com o avanço das tecnologias de imageamento sísmico e da geração de novos levantamentos, esse volume cresceu de forma gigantesca. Hoje o BDEP possui cerca de 11 petabytes de dados armaze- nados. É uma estrutura enorme, que exige data centers ro- bustos, softwares especializados, equipes qualificadas e atua- lização tecnológica permanente. O grande desafio não é ape- nas armazenar, mas também receber, fazer controle de quali- dade, organizar e disponibilizar esses dados de forma eficien- te para empresas, universidades e centros de pesquisa. Diário - Existem outros bancos semelhantes no mun- do. Como o Brasil se compara internacionalmente? Claudio - O modelo brasileiro tem uma característica inte- ressante: a centralização. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, muitos dados ficam espalhados entre universi- dades e órgãos estaduais. No Brasil, praticamente tudo fica concentrado em um único sistema nacional. Isso facilita o acesso e o gerenciamento das informações, mas também exi- ge uma estrutura tecnológica muito mais complexa para manter tudo funcionando adequadamente. Diário - Esses dados podem ajudar o estado a se pre- parar economicamente para eventual exploração? Claudio - Com certeza. O BDEP guarda informações geoló- gicas de várias épocas e de diferentes regiões da Margem Equatorial. Existem dados de poços perfurados na região da Foz do Amazonas e áreas próximas ao Marajó que podem servir não apenas para estudos de petróleo, mas também para mineração, recursos hídricos e pesquisas ambientais. Quando um poço é perfurado a milhares de metros de profundidade, ele revela uma enorme quantidade de informações sobre a geologia daquela região. Esses dados podem ser utilizados por universidades, pesquisadores e órgãos públicos em diver- sos tipos de estudos. Ou seja, não estamos falando apenas de petróleo. Existe um patrimônio científico e técnico extrema- mente valioso que pode ajudar estados como o Amapá a pla- nejar melhor seu futuro econômico e ambiental. ■ Reportagem: CLEBER BARBOSA e MÁRCIAANDREIA V DA/ Breno Barbosa PERFIL Graduado em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio deJaneiro (1989) eMestrado emGeociências (Geoquímica) pela Universidade Federal Fluminense (1995). PRINCIPAIS ESPECIALIDADES - Especialização em Eng. Sanitária e Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1991) – MBP Petróleo e Gás pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). – Especialização em Administração Pública com ênfase em Óleo e Gás pela Estácio (2017). – Trabalhou por 10 anos no Inmetro na área de Regulação Técnica de Produtos e Ambiental, em Auditorias da Qualidade em âmbito Nacional e Internacional, bem como, no grupo de Regulamentação Técnica de Produtos para Comércio no Mercosul – (SGT-3). – Há 14 anos na Agência Nacional do Petróleo – ANP como Especialista em Regulação, e Superintendente Adjunto da área de Dados Técnicos (SDT) e coordenador do Banco de Dados de Exploração e Produção – BDEP. – Atuou na Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento – SPD, na análise de projetos de P,D&I e Superintendência de Desenvolvimento da Produção – SDP, como responsável técnico de campos de produção. – Atualmente atua Superintendência de Dados Técnicos – SDT como Superintendente. Claudio Jorge Souza ■ Professor Claudio Souza na coluna Conexão Margem Equatorial, do programa PontoDeEncontro. Dados técnicos fortalecem exploração e oportunidades de petróleo no Amapá exploração e

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