Diário do Amapá - 19/06/2026
A redução de 0,25% ponto percentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, foi considerada insuficiente por entidades como a Confederação Nacional da In- dústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para as representações da indústria e dos trabalhadores, o corte nos juros é incapaz de reverter “o quadro de estagnação dos investimentos” e não atende “às necessidades urgentes do país e do povo brasileiro”. A decisão de reduzir a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano foi anunciada nesta quarta-feira (17) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Para a CNI, a redução não contribui para a reversão da asfixia financeira das empresas e das famílias. “Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, be- neficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e ex- pansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban. ACNI avalia que, diante do acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra, haveria espaço para o Banco Central intensificar o ciclo de cortes da Selic na próxima reu- nião. “O provável fim do conflito já impacta na queda do preço do petróleo — elemento que vinha pressionando os custos das cadeias produtivas globais. Ao retirar o principal componente de pressão sobre a expectativa de preços e juros, há umambientemais favorável para uma flexibilização monetária”, completou Alban. Redução tímida Para a CUT, principal central sindical do país, a redução é tímida e não atende às necessidades urgentes do país e do povo brasileiro. Segundo a entidade, a política monetária do BC ignora os sinais positivos da economia brasileira e de alívio no cenário internacional, como a recente queda no preço do petróleo. “Manter os juros nesse patamar absurdo continua sufo- cando o setor produtivo, encarecendo o crédito e penalizando diretamente a classe trabalhadora, que segue pagando a conta da lógica do rentismo”, diz comunicado da central. A CUT disse ainda que a redução de apenas 0,25% pontos na taxa de juros expõe os limites e os perigos do atual modelo de autonomia do Banco Central, que mantém o país refém da especulação financeira. ■ INEFICÁCIA ECONÔMICA Entidades consideram insuficiente redução da taxa Selic ● M esmo em um cenário de juros elevados e choque de preço do barril do petróleo, a economia brasileira cresceu 0,1% na passagem de março para abril. Já na comparação com abril de 2025, houve avanço de 1,8%. As estimativas fazemparte doMonitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV (Fundação Getulio Vargas), di- vulgado nesta quinta-feira (18). No trimestre móvel terminado em abril (fevereiro/março/abril), houve cres- cimento de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2%. A pesquisa reúne dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária e apre- senta estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país. A economista Juliana Trece, coorde- nadora da pesquisa, aponta que a alta de 0,1% mostra uma economia estável, em- bora tenha enfrentado obstáculos internos e externos. “A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, in- dicando certa resiliência em meio ao ce- nário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, disse. Juros e guerra Em praticamente todo o mês de abril, a Taxa Selic, taxa básica de juros da eco- nomia, esteve em 14,75%. O patamar ele- vado é uma estratégia do Banco Central (BC) para conter inflação. Quanto maior o juro, menor o incentivo ao consumo, forçando queda ou elevação mais suave dos preços. No fim do mês, o BC cortou 0,25 ponto percentual (p.p.) da taxa. Movi- mento repetido na quarta-feira (17), dei- xando a Selic em 14,25%. A cautela do BC na velocidade dos cortes de juros tem a ver com o cenário externo citado pela economista do Ibre. A guerra no Irã elevou o preço do barril do petróleo em todo o mundo, o que se refletiu no encarecimento de combustíveis como o óleo diesel e a gasolina. O governo brasileiro tomou medidas para tentar conter o aumento de preços, como corte de tributos e subsídio a pro- dutores e importadores de combustível. Setores do PIB O Monitor do PIB estimou que, no trimestre móvel terminado em abril, o consumo das famílias cresceu 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo o maior patamar de alta desde o trimestre terminado em fevereiro de 2025. As exportações tiveram crescimento de 9,3%, com cerca de 60% desse desem- penho devido “ao bom desempenho das exportações de produtos da indústria ex- trativa, que cresceram 27,8% no trimestre móvel findo em abril”. A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o in- vestimento na economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve ex- pansão de 0,7% no trimestre móvel. Foi a primeira expansão depois de recuo nos quatro trimestres móveis imediatamente seguidos. O estudo estima que a taxa de inves- timento da economia em abril foi de 18%. De acordo com a FGV, em termos monetários, o PIB acumulado no ano até abril, em valores correntes, é estimado em R$ 4,376 trilhões. Resultado oficial O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da eco- nomia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na úl- tima quarta-feira (17), que indicou ex- pansão de 0,5% na passagem de março para abril e de 1,6% em 12 meses. ■ ECONOMIA BRASILEIRA CRESCEU 0,1% EM ABRIL, ESTIMA PRÉVIA DA FGV ESTABILIDADE V Foto/ Fernando Frazão/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 19 DE JUNHO DE 2026
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