Diário do Amapá - 03/07/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 03 DE JULHO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Radialista e estudante de Filosofia E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br H á um novo patriotismo circulando pelo Brasil. A moda agora não é mais o petróleo, o ouro ou a Amazônia. A expressão da vez atende pelo nome de “terras raras”. Políticos falam sobre isso com a solenidade de quem anuncia a descoberta de um novo continente. Jornalistas repetem o termo em telejornais e artigos como se todos compreendessem perfeitamente do que se trata. Militantes transformamo assunto embandeira ideológica e passam a defendê-lo com fervor re- ligioso. O problema é simples. Quase ninguém sabe o que são terras raras. O brasileiro comum ouve a expressão, concorda com a cabeça e segue adiante sem a menor ideia do significado. E a parte mais curiosa da história é perceber que muitos dos que discursam sobre o tema tambémnão fazem ideia do que estão dizen- do. Terras raras não são exatamente terras e tampouco são tão raras assim. Tratam- se de elementos químicos fundamentais para a indústria moderna, utilizados em celulares, baterias, turbinas, carros elétricos, equipamentos militares e tecnologia avançada. Extraí-los exige conhecimento técnico, bilhões eminvestimentos e processos industriais complexos. Não se trata de cavar umburaco no chão e retirar riqueza com uma pá patriótica na mão. Mas oBrasil possui uma relação peculiar comassuntos complexos. Aqui, entender nunca foi condição necessária para opinar. Basta decorar meia dúzia de palavras fortes, vestir indignação no rosto e repetir frases prontas diante de uma câmera. Então surgem os especialistas instantâneos. Ontem discutiam futebol, reality show e horóscopo político. Hoje aparecem debatendo geopolítica mineral, soberania es- tratégica e domínio tecnológico global como veteranos da mineração internacional. Falam sobre o interesse chinês, a cobiça estrangeira e a proteção das riquezas na- cionais sem conseguir localizar nomapa as principais re- servas brasileiras ou explicar para que servemos elementos que defendem com tanto entusiasmo. Os jornalistas também ajudam pouco. Multiplicam reportagens dramáticas, exibemimagens deminas asiáticas e gráficos coloridos, mas frequentemente deixamescapar o essencial. Poucos conseguem traduzir para a população o tamanho real das reservas, os desafios tecnológicos en- volvidos ou a distância gigantesca entre possuir minério no subsolo e dominar a cadeia produtiva mundial. No fundo, muitos descobriram o tema há poucas se- manas e agora tentam parecer especialistas diante do público igualmente perdido. E então surge Brasília, sempre fiel à sua vocação criativa para a burocracia. Quando os políticos não en- tendemum assunto, a solução quase automática consiste em criar uma estatal, uma agência reguladora ou um novoorganismopúblico. Foi assimque alguns parlamentares tiveram a brilhante ideia de propor uma agência para regular as terras raras. O nome escolhido parece retirado diretamente de uma repartição imaginária dos anos 1970. “TerraBras”. Apenas o nome já transmite a sensação de corredores acarpetados, cargos comis- sionados, diretorias políticas e reuniões intermináveis produzindo relatórios que ninguém lerá. Antes mesmo de compreender plenamente o setor, já apareceu quem desejasse criar estrutura, orçamento, presidência, vice-presidência e dezenas de funções estratégicas para administrar algo que mal conseguem explicar. Existe um talento muito brasileiro para transformar qualquer novidade em máquina pública. Primeiro nasce o órgão. Depois tentam descobrir sua utilidade. O estudo sério do problema costuma ficar para mais tarde, quando sobra tempo e interesse. Enquanto isso, o povo acompanha discussões inflamadas sobre riquezas subterrâneas invisíveis, conduzidas por pessoas que dificilmente saberiam distinguir um elemento químico de uma marca de fertilizante. Talvez esse seja o retrato mais honesto do Brasil atual. Um país apaixonado pela opinião rápida e profundamente cansado do esforço necessário para compreender aquilo que defende. No passado, pessoas assim recebiam uma definição simples e quase piedosa. Eram chamadas de inocentes. Hoje, os inocentes ganharam assessoria, cargo público e espaço nobre nos tele- jornais. ■ Apenas o nome já transmite a sensação de corredores acarpetados, cargos comissionados, diretorias políticas e reuniões intermináveis produzindo relatórios que ninguém lerá. Antes mesmo de compreender plenamente o setor, já apareceu quem desejasse criar estrutura, orçamento, presidência. Brasileiros debatem "terras raras" e não sabem do que se trata GREGÓRIOJ.L. SIMÃO N os anos 1980, o Japão prometia revolucionar todos os campos pro- fissionais com Sistemas Especialistas, um precursor das inteligências artificiais. Em 1984, um professor da Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, levou seus alunos (eu era um) a Campinas para conhecer um pesquisador dos Estados Unidos que apontava o fracasso iminente. Hoje, com o atual desenvolvimento das IA, seu uso no combate ao crime organizado, especialmente, no tráfico de drogas, armas e seres humanos pode ser um novo paradigma. E fazer coisas que as autoridades nem imaginam como mineração de dados para identificação de padrões e predição de eventos. Inclusive a indicação de traidores dentro das forças policiais ou autoridades em geral. A primeira coisa e mais fácil é a coleta de informações já nos bancos de dados das polícias, também nas notícias de jornais de todas as mídias, incluindo Youtube, Instagram, Facebook, sites, etc. Os dados da Receita Federal e do COAF também são essenciais. Os perfis dos trabalhadores do crime podem ser criados e comparados com todos usuários de mídia, todo criminoso gosta de exibir bens. Transações ligadas a operações criminosas podem ser detectadas. E grandes operações criminosas são precedidas por gastos específicos e aumento de comunicação. Creio que uma lei deveria ser criada para fiscalizar transações bancárias de menor valor. Isso traria fortes indicativos de corruptos, fraudadores e criminosos. A IA pode monitorar comunicações de crimi- nosos ou suspeitos, autorizada pela Justiça, em tempo real, o que geraria muitos flagrantes. Também podem ser utilizados para detectar falsos positivos, escaramuças para distrair a polícia. E ainda auxiliar nos interrogatórios ou entrevistas de rua, a IA pode identificar, microexpressões, mentiras e sugerir per- guntas. O reconhecimento facial já parece estar bem desenvolvido, mas há muito espaço para a IA, por exemplo, a escolha dos melhores locais para a ins- talação das câmaras. O mesmo pode ser aplicado na instalação de postos fixos e móveis de policiais ou outros agentes, como seguranças do Metrô, para coibir o crime. E ainda realizar a geolocalização de locais de atividades criminosas, também utilizando monitoramento aéreo (drones). Aliás, a orientação do posicionamento de viaturas, helicópteros e policiais sem necessidade de de- núncia prévia, realizando um policiamento ostensivo. Movimentos indiretos dos moradores podem ser usados para detectar movimentação criminosa, como de cargas roubadas, encontro de criminosos, etc. Utilização de dados históricos (datas, horários, dias da semana, feriados, fases da lua, eventos esportivos) para prever picos de roubos, homicídios ou ataques a bancos e caminhões. E inclusão de fatores variáveis como operações policiais recentes (prevendo reações de retaliação), liberações de presos em massa, dados climáticos (previsão de chuva). Também a montagem de perfis de presos que não retornam ou que cometam crimes pode auxiliar as auto- ridades na prevenção. Enfim, muito a se fazer e a colher, que as autoridades entendam isso. ■ IA para combater o crime E-mail: diario-ap@uol.com.br Advogado e Jornalista E ainda realizar a geolocalização de locais de atividades criminosas, também utilizando monitoramento aéreo (drones). Aliás, a orientação do posicionamento de viaturas, helicópteros e policiais sem necessidade de denúncia prévia, realizando um policiamento ostensivo. MARIO EUGENIO
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