Diário do Amapá - 15/07/2026

CIDADES QUARTA-FEIRA | 15 DE JULHO DE 2026 | CIDADES | DIÁRIO DO AMAPÁ Peças históricas da antiga estrada de ferro passarão por re- cuperação para integrar novo espaço de preservação da memória do Amapá. ■ ● Governo restaura vagões e prepara transporte de locomotiva para o Parque Residência U m terminal recém- inaugurado bem no meio da Amazônia começou a escoar soja e milho pelo Porto de Santa- na, no Amapá, com R$ 88 milhões investidos e um armazém para 76,6 mil to- neladas, mirando justamen- te a fila interminável de ca- minhões e navios que su- foca os portos do Sul e do Sudeste do país. Enquanto Santos e Pa- ranaguá vivem congestionados na época da safra, com filas de caminhões que chegam a quilômetros, o agronegócio brasileiro procura saídas por cima do mapa. E uma dessas saídas acaba de ganhar reforço num lugar improvável: a foz do rio Amazo- nas. No coração da floresta A operação começou em 3 de julho, quando a empresa Rocha iniciou a movimentação de grãos no Porto de Santana. ForamR$ 88milhões investidos para erguer um terminal com capacidade de arma- zenar 76,6 mil toneladas de soja e milho, num espaço de 11,7 mil metros quadrados às margens do rio. Pode não parecer muito perto dos gigantes do Sul, mas a localização é o que faz toda a diferença. Do Amapá, um navio carregado de grãos chega à Europa por um caminho mais curto do que saindo de Santos, economizando dias de navegação e com- , 9 Opção transforma estado em mais um elo da cadeia de exportação do agronegócio, gerando empregos e movimentando economia historicamente à margem dos grandes fluxos comerciais ■ A operação começou em 3 de julho, quando a empresa Rocha iniciou a movimentação de grãos no Porto de Santana. Foram R$ 88 milhões investidos para erguer um terminal com capacidade de armazenar 76,6 mil toneladas de soja e milho, num espaço de 11,7 mil metros quadrados às margens do rio. Trecho do texto Enquanto Santos e Paranaguá vivem congestionados na época da safra, com $las de caminhões que chegam a quilômetros, o agronegócio brasileiro procura saídas por cima do mapa. E uma dessas saídas acaba de ganhar reforço num lugar improvável: a foz do rio Amazonas. NO PORTO DE SANTANA bustível. É geografia trabalhando a favor de quem produz no Centro-Oeste e no Norte. O projeto não para por aí. A concessão do terminal é de 25 anos, e a empresa já planeja estender o cais em mais 30 metros para receber navios maiores. É o tipo de aposta de longo prazo que só se faz quando há confiança de que o fluxo de carga vai crescer, e no caso do Arco Norte, ele vem crescendo rápido. Arco Norte O Arco Norte é o nome dado ao conjunto de portos localizados acima do paralelo 16, espalhados pelo Norte e Nordeste do país. Durante décadas, praticamente toda a safra brasileira escoava pelos portos do Sul e do Sudeste, criando um gargalo brutal que encarecia o frete e atrasava as exportações justamente no auge da colheita. A virada começou quando produtores e empresas perceberam que sair pelo Norte podia ser mais barato e mais rápido para boa parte da produção. Nos últimos quatro anos, as importações de fertili- zantes pelo Arco Norte cresceram 98%, quase do- brando, num sinal claro de que a região deixou de ser rota alternativa para virar peça central da logística do agro. Fico imaginando o tamanho da transformação que isso representa. Um país que sempre escoou tudo por um punhado de portos do Sul agora tem uma segunda porta, aberta bem no meio da floresta, encurtando o caminho até os compradores do outro lado do Atlântico. É a logística brasileira finalmente aproveitando a própria geografia. ■ PARA FUGIR DO CONGESTIONAMENTO DE NAVIOS DO SUL, SOJA É ESCOADA PELO AMAPÁ

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