Diário do Amapá - 19 e 20/07/2026
| CULTURA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 19 E 20 DE JULHO DE 2026 FALECOMOHERALDO E-mail: heraldocalmeida@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @heraldocalmeida Instagram: @heraldoalmeida65 13 Cultura HERALDOALMEIDA NÉVOA, NEON E PESADELOS EM 'SEU INFERNO PARTICULAR' O charmoso retrofuturismo neon é o pano de fundo da nova história de suspense do diretor NicolasWinding Refn. Famoso por longas como 'Drive' e 'Apenas Deus Perdoa', seu novo filme será uma mistura de ficção científica, sus- pense e o subgênero slasher. Ao mes- mo tempo, a narrativa vai viajar em camadas entre a realidade e a aluci- nação. Essa mistura de gêneros vai em- balar a trama da jovem atriz Elle (Sophie atcher), hospedada em um hotel de uma metrópole futurista. Enquanto ela aguarda para rodar seu próximo projeto, uma névoa miste- riosa engole a cidade e altera as leis da realidade, libertando uma entidade maligna que estava aprisionada no submundo. Após a chegada de uma nova hóspede ao hotel, Elle vê seus traumas familiares despertados e sai em busca de seu negligente pai biológico. Com o ambiente ainda mais claustrofóbico por causa de mortes misteriosas, a antiga lenda de um homem que caça mulheres é revivida. O filme traz a fotografia que é a marca registrada do diretor: neons contrastantes com ambientes escuros e cores quentes. O ator Charles Mel- ton (Tempo de Guerra) interpretará o Soldado K, coprotagonista da his- tória, enquanto Havana Rose Liu (Sem Saída) vive a madrasta e colega de elenco de Elle. 'Seu Inferno Particular' ainda não tem data de estreia confirmada no Brasil, mas chega aos cinemas ame- ricanos em 24 de julho deste ano. ■ POR WALLACE FONSECA ARTE CINEMATOGRÁFICA D epois de 70 anos de seu lançamento, o livro Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa continua encan- tando leitores e é comemorado por especialistas. Para o professor, economista e imortal daAcademia Brasileira de Letras (ABL), Eduardo Giannetti, é um dos livros mais ousados e inovadores da literatura brasileira. Na observação dele, Grande Sertão: Veredas tem “um cuidado e umapuro formal, inexcedível” e, aomesmo tempo, é resultado de uma entrega criativa de Guimarães Rosa, a ponto de dizer que praticamente transcrevia alguma coisa que vinha de fora dele. “Ele chega a dizer que é um experimento quase mediúnico”, seguiu em entrevista. Sobre esse assunto, Giannetti lembrou de uma expressão que acha muito boa, usada por Rosa em uma entrevista. “‘De repente, o diabo me cavalga.’ O milagre do processo criativo de Guimarães Rosa é justamente essa combinação”. Produção dupla A criatividade do autor mineiro era tanta que entre 1946 e 1956 produziu paralelamente Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, uma coletânea de novelas. Os dois foram concluídos e lançados em 1956, depois de começarem a ser escritos em Paris, na França; continuarem em Bogotá, na Colômbia; e em 1951, na volta de Rosa para o Rio de Ja- neiro. “O Grande Sertão era uma história do Corpo de Baile, que ele desmembrou e tornou um romance independente”, disse, em entrevista à Agência Brasil, o jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia sobre o escritor mineiro. A viagem com um amigo ao interior mineiro foi a inspi- ração para escrever Grande Sertão: Veredas, obra marcante da literatura brasileira. Assim como Guimarães Rosa, que levou dez anos para concluir Grande Sertão, o jornalista passou esse mesmo tempo estudando e pesquisando a vida do mineiro, que contou em João Guimarães Rosa, biografia, a primeira pu- blicação deste tipo dedicada a ele. “Ele é considerado omais inventivo dos nossos escritores e ninguém nunca escreveu uma biografia dele. Havia uma demanda de biografar o maior escritor brasileiro de todos os tempos”, pontuou. Leonêncio Nossa começou a levantar dados e a colher informações para trabalhar na biografia em 2006 e gostou do que conheceu. “A vida dele é muito agitada, apesar de ter sido escritor. Viveu tempos de guerra com riscos de morte e [essa história] não estava descrita. Foi uma surpresa a cada dia”, contou. ■ LITERATURA GRANDE SERTÃO: VEREDAS FAZ 70 ANOS E PERMANECE INSTIGANTE CULT’ ART A abertura da Semana Estadual do Marabaixo 2026 reuniu milhares de pessoas no Parque Residência, em Macapá, em uma celebração da cultura afro-amapaense marcada pelo encontro entre tradição, música e ancestralidade. Promovido pelo Governo do Amapá, o evento teve como atração nacional a cantora Alcione, que exaltou a riqueza cultural do estado e a força das comunidades que mantêm viva uma das mais importantes manifestações tradicionais da Amazônia. A programação marcou o início de mais uma edição da Semana Estadual do Marabaixo, reforçando o compromisso do Governo do Estado com a preservação e valorização do patrimônio cultural amapaense. O evento reuniu artistas locais, grupos tradicionais e o público em uma grande celebração da identidade afro-amapaense, fortalecendo o intercâmbio cultural e ampliando a visibilidade das tradições do estado. Marabaixo A cantora e compositora, Nany Rodrigues, além de cantar muito, agora está se destacando como uma excelente fotógrafa. Sua sensibilidade com a arte de fotografar é impressionante e com sensibilidade indiscutível. Parabéns. Fotografia Título da música de Enrico Di Miceli e Joãozinho Gomes. A obra faz parte de um novo projeto dos dois artistas, com poemas musicais eróticos. ...E partimos como um raio na direção do infinito para saborear aquele pouco instante que a imaginação do sonho me deu. Foi real, sim, cada momento e cada sorriso dela em minha direção... Língua Intrusa Todos os anos, a Igreja no Brasil mobiliza comunidades e paróquias para viver, durante o período da Quaresma, a Campanha da Fraternidade. Essa iniciativa teve início em 1961, quando três padres que trabalhavam na Cáritas Brasileira — um dos organismos da CNBB — planejaram uma campanha com o objetivo de arrecadar recursos para financiar as atividades assistenciais da instituição. A essa ação deram o nome de Campanha da Fraternidade. Campanha da Fraternidade Não, ninguém faz samba só porque prefere, coisas nenhumno mundo interfere sobre o poder da criação (Paulo Cézar Pinheiro e João Nogueira). Poder da Criação O mundo tá perdido Com o sumiço do cupido Que eu flechei num tiro certo Pro gelo derreter Fernando Canto / Nivito Guedes
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