Diário do Amapá - 19 e 20/07/2026
ENTREVISTA PESQUISADORA | ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 19 E 20 DE JULHO DE 2026 14 Executiva com quase 30 anos de experiência na indústria do petróleo, esta engenheira química destaca em entrevista a importância da capacidade de adaptação, da construção de lideranças e da diversidade para o futuro do setor de energia. D iário doAmapá - Comquase 30 anos de experiên- cia na indústria do petróleo, atualmente como lí- der de planejamento de negócios na Infinium, joint venture da ExxonMobil e Shell. Também integra o board Women in Energy e atua comomentora de novas lideran- ças. Sejamuito bem-vinda ao programa. Margareth Carvalho - Obrigada, pessoal. É uma grande honra par- ticipar do programa e estoumuito feliz por estar aqui. Diário -Você temdedicado parte da sua trajetória ao de- senvolvimento de pessoas e lideranças. Como enxerga a construção da carreira no setor de energia atualmente e o quemaismudou desde o início da sua trajetória profis- sional? Margareth - Quando comecei minha carreira, a construção profis- sional era muito linear. Existia uma sequência lógica: adquirir conhe- cimento, aprofundá-lo, acumular experiência ao longo do tempo e, gradativamente, alcançar desafios maiores. Isso continua sendo im- portante. Emuma indústria complexa como a nossa, o conhecimento permanece sendo a base de tudo. Mas hoje percebo que a indústria valoriza muito a capacidade de conectar diferentes competências. No passado, eu acreditava que, para crescer profissionalmente, precisava ter todas as respostas. Hoje vejo que o diferencial está em formular as perguntas certas e saber se conectar com as pessoas corretas. A indús- tria de óleo e gás é muito dinâmica e vive ummomento de transfor- mação. Oprofissional precisa conseguir se adaptar, fazer a leitura das situações e transformar conhecimento emdecisão. Não basta olhar apenas a foto. É preciso enxergar o filme, interpretar o que está acon- tecendo e identificar onde atuar e quais pessoas podem ajudar em cada contexto. A velocidade das mudanças é muitomaior hoje e exige profissionais cada vez mais adaptáveis. Diário - Considerando esse cenário e sua atuação em planejamento de negócios, o que mais impulsiona o crescimento profissional na indústria de energia atualmente? Margareth - Eu acredito que o principal fator é a capacidade de li- dar como desconforto e com a incerteza. Oprofissional precisa aprender a avançar mesmo em cenários de transformação. Na enge- nharia, costumamos falar das CNTPs, as condições normais de tem- peratura e pressão, mas a realidade da indústria está longe disso. Sem- pre há muitas coisas acontecendo aomesmo tempo. Às vezes você está conduzindo umprojeto e descobre que o orçamento foi reduzido pela metade. Emoutras situações, a equipe é reduzida ou é necessário tomar decisões sem ter todas as informações disponíveis. O bompro- fissional aprende a lidar com esses desafios. É nesses momentos que ele é colocado à prova e aprende tanto comos acertos quanto comos erros. Muitas pessoas acreditamque precisam estar prontas para co- meçar. Eu penso diferente. A gente vai ficando pronto ao longo do ca- minho. Mais importante do que estar pronto é estar disposto. É preci- so seguir em frente, aprender, aperfeiçoar e ajustar a rota conforme os desafios surgem. Diário - Você atua diretamente na formação de novas lideranças. O que tem aprendido sobre liderança em um ambiente tão técnico, hierárquico e historica- mente masculino? Margareth - Uma das primeiras lições é entender que lide- rança não é sobre comando nem controle. Liderar não signifi- ca dar ordens ou simplesmente dizer quem deve fazer o quê. Liderança tem muito mais relação com contexto e relaciona- mento. É preciso compreender a situação para conseguir lide- rar adequadamente. Também é fundamental desenvolver a capacidade de se relacionar com as pessoas. O líder não é aquele que apenas determina tarefas. O verdadeiro líder é aquele que consegue influenciar, desenvolver pessoas e criar condições para que outros profissionais cresçam e assumam responsabilidades. A liderança passa pela capacidade de en- tender cenários, construir relações de confiança e ajudar as equipes a encontrarem caminhos para superar desafios. Diário - Muito obrigado pela participação e pelos im- portantes esclarecimentos sobre carreira, liderança e desenvolvimento profissional no setor de energia. Margareth - Eu que agradeço, Márcia e Cleber. Foi um pra- zer participar do Conexão Margem Equatorial. Diário - E assim encerramos mais uma edição do Co- nexão Margem Equatorial, trazendo reflexões impor- tantes sobre os desafios da formação profissional, da liderança e das transformações que estão moldando o futuro da indústria de petróleo e gás. Reportagem: CLEBER BARBOSA e MÁRCIAANDREIA PERFIL Possui graduação emEngenharia Química pela Universidade do Estado doRio de Janeiro (1994) e mestrado em QuímicaOrgânica pelaUniversidade Federal doRio de Janeiro (1999). Em 2016 concluiu sua tese deDoutorado pelo Programa de EngenhariaCivil daCOPPE-UFRJ. PRINCIPAIS EXPERIÊNCIAS - Atualmente é engenheira de processamento do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguêz de Mello (PETROBRAS). – Engenheira com sólida trajetória acadêmica e profissional voltada para a Engenharia Civil e Infraestrutura Rodoviária. - Possui vasta experiência no estudo e desenvolvimento de materiais asfálticos, reologia, processos de envelhecimento térmico/fotoquímic o de ligantes e sustentabilidade aplicada à pavimentação. - Atua diretamente na vanguarda da inovação tecnológica no CENPES/Petrobras. DESTAQUES ACADÊMICOS - Doutorado em Engenharia Civil – COPPE / Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Área de Concentração: Geotecnia / Pavimentação. - Tese: Efeitos do envelhecimento térmico e fotoquímico em ligantes asfálticos, mástiques e matriz de agregados finos. Margareth Carvalho Coutinho ■ Margareth Carvalho, na coluna ConexãoMargemEquatorial, do programa PontoDeEncontro. Adaptaçãoeformaçãodetalentos impulsionamosetordeenergia
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