Diário do Amapá - 25/07/2026

A pesar da presença massiva de publicidade das casas de apos- tas online durante as trans- missões da Copa do Mundo, o Brasil registrou um crescimento do número de pessoas que pediram a autoexclusão de plataformas de bets. A ferramenta de autoexclusão foi lançada pelo governo federal em de- zembro do ano passado e permite ao cidadão cadastrar seu CPF para que o uso seja bloqueado simultaneamente em todos os sites legalizados de apos- tas. De acordo com os dados da Se- cretaria de Prêmios e Apostas do Mi- nistério da Fazenda, nas duas primeiras semanas do torneio, o número médio de pedidos diários para ter o CPF blo- queado para apostar em bet aumentou quase sete vezes. A Plataforma Centralizada de Au- toexclusão registrou, entre 15 e 28 de junho, 17.866 pedidos por dia, contra 2.594 solicitações médias diárias re- gistradas na primeira quinzena de maio. Depois de processados, os pedidos impedem que as pessoas usem os pró- prios CPFs para apostar nas bets le- galmente autorizadas a funcionar no país. Desde o lançamento da plata- forma, mais de 1 milhão de pessoas já se inscreveram no serviço. O levantamento tambémmostrou que os motivos alegados por quem fez essas solicitações mudaram. Em maio, a maior parte dos pedidos (43%) era por perda de controle sobre o jogo. Já nas duas primeiras semanas da Copa, a prevenção do uso dos dados em plataformas de apostas pas- sou a ser o principal motivo para o cadastro, apontado por 29,5% dos so- licitantes. A perda de controle sobre o jogo ficou em segundo lugar, com 24,13%. Ao escolher a autoexclusão, o usuá- rio deve informar os dados pessoais e optar por bloquear o acesso aos sites por tempo indeterminado ou por um período pré-determinado, que pode variar entre um e 12 meses. Alémda plataforma, outra iniciativa voltada ao tratamento da compulsão por aposta é o teleatendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde. ■ PEDIDOS EM PLATAFORMA DE AUTOEXCLUSÃO CRESCEM 7 VEZES NA COPA A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a enfrentar uma tributação total de 37,5% para entrar no mercado estadunidense, se- gundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, a nova medida alcançará US$ 12,4 bilhões, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do Brasil aos Estados Unidos. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (24). O levantamento da CNI detalha como a nova tarifa de 12,5% será aplicada sobre os produtos brasi- leiros exportados aos Estados Unidos: 4.060 produtos brasileiros serão atingidos pela nova sobretaxa; 3.985 produtos já estavam sujeitos à tarifa adicional de 25% e agora passarão a pagar 37,5% no total; Esse grupo representa 80,7% das exportações afe- tadas, o equivalente a US$ 10,8 bilhões; Outros 75 produtos, que somam US$ 1,6 bilhão em exportações, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem incidência da tarifa anterior. Impacto maior No total, a CNI calcula que 48,7% de todas as ex- portações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional imposta pelo governo estadunidense. As novas cobranças decorrem da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, que concluiu que o Brasil e outros países não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Defesa do Brasil Na avaliação da CNI, porém, as justificativas apre- sentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não refletem a realidade brasileira. A entidade afirma que o país possui uma das le- gislações mais modernas para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas. Segundo a confederação, o arcabouço jurídico brasileiro prevê mecanismos de fiscalização, respon- sabilização e proteção aos trabalhadores reconhecidos internacionalmente. Negociação Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, de- fendeu a intensificação das negociações entre os go- vernos brasileiro e estadunidense, para tentar reduzir os impactos sobre a indústria. "É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas", destacou. Segundo Alban, a entidade já mantém conversas com o governo federal e com os setores mais afetados para construir medidas de curto prazo. A investigação conduzida pelos Estados Unidos alcançou 60 parceiros comerciais. Na decisão final, o Brasil foi incluído entre os países que, na avaliação do governo estadunidense, "não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado". A medida resultou na aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras, que, em muitos casos, será somada à sobretaxa de 25% em vigor desde esta semana. ■ EXPORTAÇÕES Tarifa de 37,5% atingirá quase 4 mil produtos brasileiros, estima CNI ● BETS V Foto/ Joédson Alves/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SÁBADO | 25 DE JULHO DE 2026

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