Diário do Amapá - 26 e 27/07/2026
m 1958, eu era deputado federal no Rio de Janeiro (a sede da Câmara ainda era lá), e Afonso Arinos, líder da Oposição ao Governo de Juscelino Ku- bitschek, propôs o meu nome para vice-líder da UDN. Eu tinha apenas 28 anos, mas já construíra minha re- putação combatendo o governo e exercendo uma pre- sença forte em nossa Bancada. A vice-liderança representa uma função de muita responsabilidade. Uma das principais tarefas confiadas aos vice-líderes consiste em emitir um parecer preliminar para orientar os deputados — servindo como reco- mendação oficial do Partido para a Bancada. Natural- mente, ouvíamos as bancadas estaduais, consultávamos os Estatutos e o próprio Líder — naquele tempo, o meu era Carlos Lacerda — sobre a orientação política. Todos, com disciplina, seguiam a orientação oficial. Quando alguém divergia e queria votar diferente, só o fazia depois de autorizado, após examinadas e aprovadas as razões de consciência. Quando eu era deputado em Brasília, já tendo deixado a vice-liderança, algumas vezes votei divergindo do Partido, por razões de consciência, a favor de deter- minado projeto ou aprovação de nomes. Foi assim quando San Tiago Dantas foi indicado para Primeiro- Ministro, no regime parlamentarista: pedi licença para votar a favor, contrariamente à orientação da Liderança — a exemplo do que fez Bilac Pinto, futuro Presidente da UDN. Devidamente autorizados, assim o fizemos. Repito: somente após a autorização do Partido, exata- mente como determinava o Estatuto. Tanto é verdade que o nosso líder, Adauto Lúcio Cardoso, disse certa vez a meu respeito: “Sarney nunca votou contra a orientação do Partido; nas vezes em que divergiu, foi autorizado por nós. Ele é uma alta expressão da nossa Bancada e construiu uma bonita história par- tidária”. Nessa época, eu era vice-presidente da UDN e muito fiel à agremiação. Ressalto isso para dizer que a Democracia não existe sem partidos disciplinados e fortes. Quando os partidos não funcionam assim, a democracia se torna frágil. No Brasil até hoje não consolidamos a tradição de partidos verdadeiramente nacionais, condição que re- monta aos tempos do Império, apesar da histórica divisão entre liberais e conservadores. No tempo da Primeira República, a política se dividiu em partidos regionais, fragmentando a compo- sição partidária e dando lugar ao domínio das oligarquias estaduais. Esse sistema perpetuou as elites no poder e consolidou costumes nefastos para a democracia, como a fraude, o voto de cabresto, o voto aberto e o mapismo: práticas vergonhosas e condenáveis, que burlavam a real vontade popular. Essas práticas levaram à Revolução de 1930, articulada em aliança com os jovens tenentes, depois que Getúlio Vargas assumiu como programa o voto secreto, o fim das oligarquias e a ampliação do poder central em de- trimento dos poderes estaduais. Mesmo assim, o partido de âmbito nacional só veio a ser adotado em 1945, com a chamada Lei Agamenon Magalhães — então Ministro da Justiça —, de 1945. A força remanescente das oligarquias estaduais tinha sido tão forte que retardou o cumprimento do maior dos objetivos da Revolução de 1930 — o fim dos partidos estaduais — até 1945, ou seja, por quinze anos! A grande crise política do Brasil é a desintegração dos Partidos, vítimas da ausência de democracia interna. Após a exigência de legendas nacionais e o fim dos partidos regionais, o que se viu foi a personalização das siglas e seu fracionamento em alas — o que gera o desequilíbrio político atual. Conseguimos, na área econômica, a estabilização da moeda e a consciência nacional de que a inflação é injusta, inimiga do povo e incompatível com o equilíbrio democrático. Já o desequilíbrio político persiste e afeta a essência da democracia e o funcionamento do Con- gresso, a começar pelo orçamento, hoje desintegrador do governo e fonte de corrupção. ■ Líder, Liderança E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY E A RÁDIO O JORNAL AGORA WEBTV Luiz Melo |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 26 E 27 JULHO DE 2026 FALECOMOLUIZMELO E-mail: luizmello.da@uol.com.br Blog: www.luiz melo.blog.br Twitter: @luizmelodiario Instagram: @luizmelodiario© 2018 3 FROM RAPIDINHAS ELEIÇÕES 2026 - Ao lançar candidatura, Flávio acena a mulheres, diz que Jair vai ‘subir rampa do Planalto’ com ele e ataca Lula. Senador fez menção a ser mais ‘moderado’ que o pai, mas disse que tem ‘sangue de Bolsonaro’; ex-presidente apareceu em vídeo feito com IA. ■ FOLIA - Piratão se reestrutura para o Carnaval 2027. Nas mudanças, nomeação de nova diretoria com proposta de aprimorar planejamento e apresentar projeto competitivo para a escola de samba conquistar título do próximo Reinado de Momo. ■ Bandeira Governador Clécio, na convenção do União Brasil, sexta-feira, 24, abordou que coligação Por Todo o Amapá não é um projeto pessoal dele, mas um projeto para o bem de todo o estado do Amapá. Avanço Discurso do senador Davi Alcolumbre, presidente estadual do União Brasil, na convenção em Macapá, mostrou que Amapá deixou período de isolamento para viver momento de crescimento e prosperidade. Candidata ao Senado que mostrou força na convenção do União Brasil, sexta, 24, Alliny Serrão disse que presença dela na chapa majoritária, encabeçada pela dobradinha Clécio/Telinho, representa povo aceitando a continuação da coalização que, sendo ela, vem dando certo no estado. Macapá, Santana e Oiapoque, segundo dados da Justiça Eleitoral, seguem como maiores colégios eleitorais do estado do Amapá. Macapá tem 321.591 eleitores; Santana, 86.030; e Oiapoque 24.262. Eleitorado Em se tratando de números de eleitores, Pracuuba é o município do Amapá com menor quantidade deles, 4.031, e Serra do Navio, com 4.128, o penúltimo. Rabeira Psicólogo André Romero, na Diário FM, neste sábado, 25, alertou que uso excessivo de telas gera insatisfação constante com falsa sensação de conexão e exige limites diários para proteger saúde mental. Otimismo “É uma honra caminhar ao teu lado, Clécio. Vamos fazer um grande debate democrático e disputar os corações do nosso povo”… Do senador Randolfe durante discurso na convenção que formalizou candidatura à reeleição do governador. Firmeza Com objetivo de transformar praça Barão do Rio Branco em espaço de preservação da história e da identidade cultural de Macapá, cresce movimento de dotar o espaço de percurso referente à ancestralidade afro- indígena com paisagismo e símbolos culturais. Memória Atendimento no Fórum de Macapá virou de ponta cabeça, mas não por muito tempo, pois é somente durante reforma que se realiza no prédio, na avenida FAB. Informações sobre mudanças são dadas no Balcão Virtual ou pelos telefones (96) 3312-3580 e (96) 3312- 3581. Momentâneo Comportamento
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