Diário do Amapá - 09 e 10/08/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 09 E 10 AGOSTO DE 2026 2 E ntre 20 de julho e 5 de agosto correu a janela em que partidos e fe- derações homologam candidaturas e desenham coligações, e ao fim dela cinco chapas presidenciais estavam formadas — quatro delas com presidente e vice na mesma legenda. O partido Missão foi o primeiro a se definir, em convenção virtual de 20 de julho, com Renan Santos e o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina. O PL homologou Flávio Bolsonaro em 25 de julho, mas só anunciou o companheiro de chapa no último dia do prazo: o deputado federal Alfredo Gaspar, que havia sido homologado candidato ao Senado por Alagoas menos de vinte e quatro horas antes, escolha que veio depois de as tratativas com PP, União Brasil, Republicanos e Podemos não prosperarem. O PSD apresentou em 26 de julho a chapa de Ronaldo Caiado com Gilberto Kassab, presidente da própria sigla. O Novo fechou em 4 de agosto, a dois dias do en- cerramento, com Romeu Zema e o senador Eduardo Girão, que abandonou a disputa pelo governo do Ceará para ocupar a vaga. Apenas o PT preservou a gramática antiga: Lula e Geraldo Alckmin, do PSB, repetindo a chapa de 2022 sobre uma coligação de sete legendas. A chapa pura, neste ciclo, não é doutrina. É pragmatismo e calcificação, ainda que sempre transitória e momentânea quando se tratam eleições, das composições políticas. A vice-presidência brasileira nem sempre foi peça de composição. Sob a Constituição de 1946, presidente e vice eram eleitos em pleitos separados, e o arranjo produziu, em 1960, o desencontro que atravessaria a década: Jânio Quadros, do PDC, e João Goulart, do PTB, oriundos de chapas adversárias, empossados no mesmo governo em 31 de janeiro de 1961. A Constituição de 1988 fechou essa porta ao vincular a eleição do vice à do titular com quem se registra, e desde então o cargo passou a exercer outra função, mais discreta e mais de- cisiva — a de moeda. José Alencar, empresário têxtil recém-filiado ao PL, entrou na chapa de Lula em 2002 como sinal endereçado ao empresariado; Michel Temer levou o PMDB à chapa de Dilma Rousseff em 2010; Hamilton Mourão, do PRTB, ofereceu a Jair Bolsonaro em 2018 a credencial militar que o partido do candidato não fornecia. Em nenhum desses casos o vice media afinidade. Media alcance. O contraste com o plano estadual ilumina o problema. No Amapá, as convenções demonstraram constância perante o cenário político dos últimos anos. No estado, a chapa majoritária segue operando como ins- trumento de agregação; em Brasília, o mesmo mecanismo se recolheu. Se o vice deixou de ser moeda de aliança, o que passa a construir maioria numa eleição presidencial? Uma chapa que se fecha sobre a própria legenda governa depois com que tipo de relacionamento com a base no Congresso, por exemplo? Isso de fato é tão influente assim? Qual é o lugar de interesse, de fato, das relações de poder onde a matemática e a probabilidade ainda não se cristalizaram? Para mim, a chave da explicação sobre o porvir está no resultado das eleições proporcionais. Essa sim, está bastante indefinida. A urna responde em outubro. ■ DANIELCHAVES E-mail: Daniel.s.chaves@gmail.com O encerramentodas convenções em 5 deagostodisse menos sobre os nomes que disputarãoo Planaltodoque sobrea perdade funçãode umcargoque, por quatrodécadas, or- ganizouaconstruçãode maiorias no Brasil. Analista e Professor da Unifap O contraste com o plano estadual ilumina o problema. No Amapá, as convenções demonstraram constância perante o cenário político dos últimos anos. No estado, a chapa majoritária segue operando como instrumento de agregação; em Brasília, o mesmo mecanismo se recolheu. Vice é importante sim N umdia de sábado, Josué descobriu seu genro fumando. –O que está fazendo, Abraão, não tem vergonha? –O que foi querido sogro? – perguntou espantado o jovem. – Como pode umhebreu esquecer que hoje é sábado? –Mas eu não esqueci que hoje é sábado – foi a simples resposta do genro. – E então o que aconteceu? – Aconteceu que me esqueci de ser hebreu! No 18º Domingo do Tempo Comum continuamos a leitura do capítulo 6 do evangelho de João. Como já expliquei, outras vezes, esse evangelista temum jeito própriode nos comunicar a suamensagem.Ofaz através de perguntas e respostas, comparações emal-entendidos que permitemaprofundar o assunto. Por exemplo, na página do evangelho deste domingo devemos prestar atenção às palavras que acompanhamos dois tipos de alimentos: “aquele que se perde” e “aquele que per- manece até a vida eterna e que o Filho doHomemvos dará” (Jo 6,27). Após amul- tiplicaçãodos pães e dos peixes, quando todos ficaramsatisfeitos, opovo continua a procurar Jesus. Ele entende o esforço daquelas pessoas para encontrá-lo novamente, mas as exorta a procurar um alimento novo, diferente. O próprio Jesus apresenta a si mesmo como esse “novo” alimento e diz: “Eu sou o pão da vida. Quemvemamimnão terámais fome e quemcrê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Aparece claro, a essa altura, que Jesus não está mais falando de umalimento qualquer, perecível, como foi omaná que caiu do céu no deserto no tempo de Moisés. Ele fala agora de umalimento novo para uma vida nova, a vida “eterna”, ou plena, que somente pode ser domde Deus Pai que dá o “verdadeiropãodo céu” (Jo6,32) enviando aquele que “marcou com o seu selo” (Jo 6,27). É nele, Jesus, que devem acreditar aqueles e aquelas que querem realizar “as obras de Deus” (Jo 6,29). Refletindo sobre todas essas palavras bonitas do evangelho de João, o nosso pensamento vai imediata- mente à Eucaristia que celebramos e da qual nos ali- mentamos como Jesus mandou fazer em memória dele. Os sinais são aqueles escolhidos do pão e do vinho,masdeveficar claroqueacelebraçãodaEucaristia nos quer conduzir muito mais longe em nossa vida de cristãos. Faz parte danossa experiência saber que todos nós precisamos de alimentos e de bens materiais para sobreviver. Alguns desses bens são absolutamente ne- cessários, outros acabam se tornando indispensáveis conforme o nosso jeito de viver. Oexemplomais fácil é o da própria internet. Até alguns anos atrás nem sabíamos o que era, hoje ficamos angustiados se a ve- locidade e o tamanho do sinal não correspondem ime- diatamente às nossas expectativas. Também hoje funciona perfeitamente a chamada indústria da diversão. Afinal ninguémé de ferro, precisamos nos divertir, relaxar, consumir aquilo que nos é apresentado como capaz de dar prazer e felicidade. Nemcertas formas de religiosidade escapamdessa busca de bem-estar e de satisfação individual. Estamos esquecendo o essencial, ou seja, que a vida é muito mais do que tudo isso. Ela é feita, em primeiro lugar, de relações entre as pessoas com as quais nos confrontamos e nosos ajudamos a resolver as grandes questões da existência. Por ocupada que seja, é pobre e, talvez, vazia, a vida de quem não sente a falta dos seus pais, dos seus irmãos, de amigos com quem partilhar sonhos e esperanças junto com os medos e as decepções que todos en- frentamos. Estamos fugindo das grandes perguntas das quais ninguém pode se esquivar, aquelas que dão sentido aonosso amar, sofrer e, umdia,morrer. Celebrar a Eucaristia de Jesus é reconhecer nele alguém que viveu plenamente porque nunca buscou satisfações pessoais, mas passou neste mundo “fazendo o bem” a quem precisava. Ensinou que é doando vida aos outros que salvamos a nossa do vazio e do tédio. Precisamos resgatar a nossa fome e a nossa sede de amor, de paz, de justiça e fraternidade. Por causa daquilo que passa e perece, do material e do virtual, estamos esquecendo do essencial. Acreditar e confiar em Jesus é ter a “certeza da fé”: só quando amamos realizamos “as obras de Deus”, umDeus que é amor, bondade e compaixão. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá O exemplo mais fácil é o da própria internet. Até alguns anos atrás nem sabíamos o que era, hoje ficamos angustiados se a velocidade e o tamanho do sinal não correspondem imediatamente às nossas expectativas. Esquecer o essencial

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