Diário do Amapá - 12/08/2026
A ata da reunião em que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros (Selic) para 14% ao ano mostra que a decisão foi tomada em um ambiente de desaceleração da inflação, mas ainda marcado por incertezas. As expectativas inflacionárias, se- gundo o documento divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (11), permanecem elevadas em um cenário de riscos. O comitê avalia que a redução da taxa Selic é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”. Na avaliação, a instituição ressalta ainda que, além de contribuir para a estabilidade de preços, a decisão ajuda a atenuar oscilações da atividade eco- nômica e favorece o pleno emprego. Apesar do corte dos juros, o comitê afirma que o cenário exige prudência. A ata conclui que a política mone- tária vem contribuindo de forma im- portante para o processo de desinflação, mas destaca que a inflação continua pressionada pela demanda. Por isso, o Banco Central entende que os juros ainda precisam permanecer em nível restritivo. Projeções No cenário de referência usado pelo Banco Central, a trajetória dos juros considera as projeções do Boletim Focus. Já a taxa de câmbio parte de R$ 5,10 por dólar e evolui de acordo com a pa- ridade do poder de compra. Inflação e política fiscal O documento registra que a inflação ao consumidor desacelerou nas leituras mais recentes, mas continua acima do limite superior da meta. Já os preços ao produtor apresen- taram recuo, influenciados principal- mente pelo comportamento da indústria extrativa, responsável pela obtenção de recursos naturais, como minérios, pe- tróleo, gás natural e carvão. Os diretores alertam que o cresci- mento do crédito direcionado e as in- certezas em relação à estabilização da dívida pública têm potencial para pres- sionar as taxas de juros da economia. Cenário externo Com relação ao cenário internacio- nal, a ata avalia que as incertezas per- manecem elevadas. Entre os fatores de preocupação estão os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e as dúvidas em relação à condução da po- lítica monetária em economias avan- çadas. O comitê vê um ambiente marcado pela volatilidade nos preços de ativos financeiros e commodities, exigindo cautela por parte dos países emergen- tes. O documento chama a atenção para as incertezas em torno da política eco- nômica dos Estados Unidos, fator que, segundo a ata, continua contribuindo para o cenário internacional instável. Cenário interno O Copom observa sinais de mode- ração gradual da atividade econômica interna desde a última reunião. Segundo o comitê, a economia manteve trajetória de desaceleração. Ainda que com perda de ritmo, o mercado de trabalho continua aquecido, e a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, embora o crescimento da ocupação esteja de- sacelerando. Os rendimentos médios dos traba- lhadores perderam força, mas “ainda crescem em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho”, avalia o Copom. ■ BC APONTA DESACELERAÇÃO DA INFLAÇÃO, MAS MANTÉM ALERTA SOBRE RISCOS Valores divulgados nesta terça-feira (11) pelo Banco Central (BC) mostram que há mais de R$ 5,12 bilhões esquecidos em instituições financeiras brasileiras. Desse total, R$ 3,76 bilhões pertencem a cerca de 22,66 milhões de pessoas f ísicas, e R$ 1,35 bilhão a 2 milhões de pessoas jurídicas, de acordo com informações do Sistema Valores a Receber (SVR). Segundo o BC, dos mais de R$ 20,93 bilhões que estavam esquecidos em instituições financeiras como bancos e consórcios, R$ 15,81 bilhões foram sacados. Dos valores já devolvidos, R$ 11,65 bilhões tiveram como destino 38,73 milhões de pessoas f ísicas, enquanto R$ 4,15 bilhões foram destinados a 4,7 milhões de pessoas jurídicas. Saques Os brasileiros sacaram, em junho, R$ 340 milhões em valores esquecidos por clientes bancários no sistema financeiro. Em maio, foram retirados R$ 427 milhões, valor ligeiramente inferior aos R$ 483 milhões devolvidos em abril. As quantias dos valores a receber são geralmente mais baixas. Para cerca de 18,5 milhões de beneficiários, os valores esquecidos são de até R$ 10 – o que corres- ponde a cerca de 70% do total de beneficiários. Para 4,96 milhões de usuários, os valores devidos encontram-se na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100 (18,73% do total). Valores acima disso foram esquecidos por cerca de 3 milhões de brasileiros (cerca de 11% do total). Sistema O SVR é um serviço do BC por meio do qual o ci- dadão pode consultar se ele próprio, sua empresa ou pessoa morta tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição, como financeiras e cor- retoras. Para a consulta, não é preciso fazer login, basta in- formar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e data de nascimento ou o Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de abertura da empresa, inclusive para aquelas já fechadas. Caso haja algum valor, é preciso acessar o sistema e fazer login com a conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro e verificação em duas etapas. ■ SVR Brasileiros têm mais de R$ 5,1 bilhões esquecidos em bancos ● PROJEÇÕES V Foto/ Rafa Neddermeyer/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 12 DE AGOSTO DE 2026
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