Diário do Amapá - 19/08/2026
A economia brasileira recuou 1,1% na passagemde maio para junho, indicou nesta segunda-feira (17) uma das principais prévias da economia brasileira, o Monitor do PIB, produzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) Apesar da queda no sexto mês do ano, o segundo trimestre apresentou crescimento de 0,3%, puxado pelo con- sumo. Comesse resultado, o desempenho positivo no acumulado de 12 meses é de 1,8%. O estudo mensal é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, que faz estimativas sobre o com- portamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, com base em dados da indústria, co- mércio, serviços e agropecuária. O dado oficial é divulgado trimes- tralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desaceleração A economista Juliana Trece, coor- denadora da pesquisa, aponta que o le- vantamentomostra desaceleração da ati- vidade economica. No primeiro trimestre de 2026, o crescimento em relação ao trimestre an- terior havia sido de 1%. Trece assinala que a desaceleração foi sentida nas três grandes atividades econômicas pesquisadas: agropecuária, indústria e serviços. Ela acrescenta que apenas o consumo não desacelerou no trimestre, mantendo o ritmo de cresci- mento do início do ano. “Essa manutenção do crescimento do consumo deveu-se, principalmente, ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis”, afirma. Apesar da perda de força no cresci- mento trimestre a trimestre, a economista destaca que o resultado do período de abril e junho foi o 20º resultado positivo consecutivo. “Isso demonstra que, embora a taxa possa ser baixa, a economia segue com resultados positivos emmeio ao contexto externo e interno, que tem se mostrado desafiador”. Contexto econômico Entre os motivos que agravam o ce- nário macroeconômico ela cita elevação do preço do barril do petróleo, causado pela guerra no Oriente Médio, os juros em patamares elevados no Brasil, e o alto endividamento da população. No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, deixando-a em 14% ao ano. O patamar alto de juro é uma ferra- menta do BC para tentar frear a inflação, uma vez que a Selic alta encarece o crédito e desestimula consumo e inves- timentos produtivos. Componentes O Monitor do PIB mostra que, no segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 2,6% em relação aos primeiros três meses de 2026. As exportações su- biram 4,5%, e as importações, 5,7%. Os dados são dessazonalizados, isto é, foram excluídas variações sazonais, de forma que seja possível comparar períodos imediatamente seguidos. O estudo estima que a taxa de inves- timento da economia em maio foi de 18,5% (no primeiro trimestre estava em 18,6%). De acordo com a FGV, em valores correntes, o PIB acumulado no primeiro semestre é estimado em R$ 6,557 tri- lhões. ■ FGV ESTIMA QUE PIB DESACELEROU E CRESCEU 0,3% NO SEGUNDO TRIMESTRE O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (17) a estratégia de abertura do comércio de produtos brasileiros para outros países. Segundo ele, outros governos e investidores olham para oBrasil comconfiança. "Emummundo de incertezas, temos de construir o Brasil como umporto seguro, temos de projetar segurança e previsibilidade", disse ao participar de evento na capital paulista. Para Durigan, essa abertura deve ser baseada em ne- gociações e não de dependência de umparceiro exclusivo, na Ásia ou na América do Norte, por exemplo. "[OBrasil] vai fazer o debate sabendo de suas fraquezas e fortalezas", apontou. A fala do ministro ocorre no momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, o governo federal anunciou a abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos (EUA) contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade Eco- nômica. Aprovada no ano passado, justamente em reação ao primeiro tarifaço do governo de Donald Trump, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas uni- laterais de outro país que impacte negativamente a com- petitividade econômica do Brasil. Medidas fiscais Durigan também argumentou sobre a adoção de me- didas, como bloqueio de orçamento e limite de gastos ob- rigatórios, para que o país mantenha a estabilidade fiscal. "Precisamos manter uma trajetória fiscal, sem deses- tabilizar", disse. Sobre a reforma tributária, o ministro reconhece que pode amedrontar, por impor muitas mudanças. Porém, Durigan acredita que 2027 será um importante ano para a transição, e que, ao final, resultará em um sistema melhor, a médio e longo prazo, para o país. A questão dos juros também foi abordada. Durigan afirmou que não há condições de discutir crédito no país sem "juros civilizados", por, conforme o ministro, serem a "milha final" dos ajustes de médio prazo necessários para o desenvolvimento do país. ■ PARCERIA ESTÁVEL Durigan defende que Brasil deve ampliar comércio exterior ● ATIVIDADE ECONOMICA V Foto/ Fernando Frazão/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 19 DE AGOSTO DE 2026
RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=