Diário do Amapá - 03/09/2026
A Comissão de Constituição e Jus- tiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), por vota- ção simbólica, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à jor- nada de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1). Amatéria ainda pre- cisa passar pelo plenário da Casa, em dois turnos de votação. A PEC 221 de 2019 prevê a obriga- toriedade de descanso remunerado de dois dias por semana, sem redução sa- larial, e reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de 14 meses. Dos 27 senadores presentes na co- missão, apenas quatro registraram votos contrários: o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP- MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). O relator Omar Aziz (PSD-AM) re- jeitou todas as 36 emendas apresentadas à PEC, incluindo propostas para manter a possibilidade de escalas de 6x1 ou jornadas superiores a 40 horas. “Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benef ício para o trabalhador”, justificou o relator. A PEC foi criticada pelo líder da oposição Rogério Marinho, que recla- mou do pouco tempo para debater o tema e destacou que a proposta traria inflação para a economia. “Nós vamos gerar, sem dúvida ne- nhuma, inflação, desemprego e infor- malidade em nome da perpetuação do projeto de poder”, disse o parlamentar potiguar. Estudos sobre o fim da 6x1 divergem sobre os impactos para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Rogério Marinho defendeu uma ou- tra PEC, a que cria um regime trabalhista por hora trabalhada, e defendeu as ne- gociações individuais entre patrões e empregados para definição da escala de trabalho. “Esse projeto vai na contramão da necessidade de darmos competitividade à população, ao país e à sociedade bra- sileira”, criticou. O líder da oposição ainda apresentou um destaque para limitar o descanso remunerado dos trabalhados à apenas um dia na semana. Porém, o destaque foi rejeitado pela CCJ. A senadora Eliziane Gama (PSD- MA) rebateu os argumentos de Rogério Marinho e citou a pressão de empresá- rios contra a PEC por aumentar direitos dos trabalhadores. “Toda vez que o Congresso Nacional busca assegurar direitos trabalhistas, o discurso é o mesmo, a economia vai quebrar, o desemprego vai imperar, a inflação vai ocorrer. Isso é um discurso simplesmente para atender os grandes empresários deste país”, afirmou. A senadora defendeu que a PEC assegura mais dignidade à vida dos tra- balhadores, “sobretudo às mulheres bra- sileiras, que têm dupla ou tripla jornada de trabalho, e hoje, com a aprovação do fim da escala 6x1, nós vamos dar dignidade, saúde mental e vamos me- lhorar a produtividade no Brasil”. O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) reclamou da “falta de mão de obra” no Brasil e defendeu a jornada flexível por hora trabalhada. “Está dif ícil a contratação de fun- cionário. Nós, patrões, queremos que os nossos funcionários estejam com a melhor qualidade de vida”, disse, acres- centando que não tinha como apoiar a PEC. “Como é que nós vamos reduzir de 44 horas para 40 horas e essa empresa vai ter a mesma produção? Claro que não. Não adianta nós dizermos que não vai aumentar os custos”, completou o senador por Rondônia. ■ CCJ DO SENADO APROVA PEC QUE ACABA COM JORNADA 6X1 Apesar das turbulências no exterior, a alta interna- cional do petróleo favoreceu o mercado financeiro no Brasil. O dólar caiu para R$ 5,15, e a bolsa avançou mais de 1% e fechou no maior nível em quase quatro meses. A escalada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã favoreceu os ativos brasileiros, com a Petrobras entre os principais destaques do Ibovespa. Principais números Dólar comercial: R$ 5,153 (-0,54%); • Ibovespa: 179.722,48 pontos (+1,3%); • Petróleo Tipo Brent: US$ 94,65 (+4,6%); • PetróleoWTI: US$ 90,22 (+5,2%). • Câmbio O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira (1º) com queda de 0,54%, vendido a R$ 5,153. Com o re- sultado, a moeda estadunidense passou a acumular baixa de 6,12% no ano. No início da sessão, a divisa chegou a subir para R$ 5,20 após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre. O resultado mostrou de- saceleração da economia, reforçando a percepção de que o Banco Central pode voltar a reduzir a Taxa Selic (juros básicos da economia), atualmente em 14% ao ano. A perspectiva de juros menores tende a reduzir a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros. Ao longo da manhã, porém, o dólar perdeu força e passou a operar em baixa, acompanhando o comportamento de outras moedas de países emergentes e a valorização do petróleo. Por volta das 14h20, chegou a cair para R$ 5,13. A queda do dólar em relação às divisas emergentes ocorreuna contramãodasmoedas de economias avançadas. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar ante uma cesta de seismoedas, subia 0,27%, aos 99,681 pontos, no fim da tarde. Ibovespa ganha força O Ibovespa fechou em alta de 1,3%, aos 179.722,48 pontos, depois de ultrapassar os 181 mil pontos pela primeira vez em quase quatro meses. O indicador fechou no nível mais alto desde 12 de maio. As ações da Petrobras, as mais negociadas da bolsa, puxaram o avanço, acompanhando a forte valorização do petróleo nomercado internacional. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) da com- panhia subiram 4,11%. As ações ordinárias (com direito a voto em assembleia de acionista) avançaram 4,14%. ■ IBOVESPA Bolsa sobe 1,3% e atinge maior nível em quase quatro meses ● DESCANSO REMUNERADO V Foto/ Geraldo Magela/Agência Senado FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 03 DE SETEMBRO DE 2026
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