Diário do Amapá - 09/09/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 09 DE SETEMBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N o dia primeiro de julho, diversos bispos da Fraternidade São Pio X foram excomungados (automaticamente) por desrespeito grave ao Direito Canônico (latae sententiae). Eles querem a missa em latim de volta e não aceitam o Papa. Fizeram uma escolha de não seguir a Igreja. Curiosamente, "escolha" é a palavra grega heresia (hairesis). Dessa forma, todos que escolhem não seguir a Igreja, são hereges. Embora eles não vejam, não custa lembrar: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." Um desses frutos é que, enquanto na Igreja Católica mais da metade dos sacerdotes são celibatários (considero os 23 ritos orientais e os Ordi- nariatos dos ex-anglicanos, cujos sacerdotes podem casar), já entre os protestantes e evangélicos não tem nem um. Como podemos constatar, Jesus chamava para o serviço os celibatários, como Paulo. Há uma confusão fundamental no entendimento da Bíblia. A Escritura não se chamava Testamento, mas Aliança (Berit em hebraico e diatheke em grego). Quando Jerô- nimo traduziu a Bíblia, a Igreja estava pacificada, os grandes problemas foram resolvidos emNiceia (325 d.C.). A morte de Jesus rasgou o véu do Templo, ou seja, a Antiga Aliança estava encerrada, fazia sentido traduzir a Nova Aliança para Testa- mento (de Jesus). Diante de tanta divisão e confusão atualmente, os que vivem na heresia não percebem que o Antigo Testamento não tem mais validade, foi substituído por Jesus Cristo. Pelo ano 57, Paulo escreve pela primeira vez a esse respeito na primeira carta aos Coríntios (1Cor 11,25): Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou tam- bém o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o be- berdes, fazei-o em memória de mim”. Paulo não coloca na boca de Jesus "neo diatheke" (nova aliança), mas "kaine diatheke", ou seja "nova e melhor aliança". E, conforme atesta Hebreus, ela é superior (7,22) e mais perfeita (8,6), e a antiga é antiquada, envelhecida e condenada a desaparecer (8,13). No mesmo momento em que Jesus institui a Nova Aliança, ele estabelece a Ceia Pascal. No versículo anterior (1Cor 11,24): Jesus tomou o pão, deu graças (eucaristesas em grego, por isso Eucaristia), partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós”. Os hereges também não celebram o Corpo e Sangue de Cristo como ele próprio determinou. E não custa lembrar o que ele disse (Jo 5,48-55): Eu sou o pão da vida, o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Quem comer deste pão viverá eternamente. E eu o ressuscitarei no último dia. E observe que os ministros que Jesus não chama traem-se pelo amor ao dinheiro: impõem um dízimo de 10% que não faz parte da Nova Aliança. E os fieis da heresia são espoliados, tiram a comida de seus filhos para enriquecer uns ministros de Satanás (2Cor 11,13-15). A excomunhão (ek koinonéo) é a situação daquele que não quis fazer parte daquela comunidade (koinonia) que chamou a si mesma de "convite" (ekkesia, donde Igreja) "para todos" (kath holes, donde Católica), conforme Atos (9,31). ■ Excomungados E observe que os ministros que Jesus não chama traem-se pelo amor ao dinheiro: impõem um dízimo de 10% que não faz parte da Nova Aliança. E os 3eis da heresia são espoliados, tiram a comida de seus 3lhos para enriquecer uns ministros de Satanás (2Cor 11,13-15). E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO H á coisas que só o Estado brasileiro consegue transformar em negócio. Uma delas é a morte. Você trabalha, economiza, compra uma casa, junta algum patrimônio, paga imposto sobre a renda, sobre o consumo, sobre a propriedade e, quando finalmente chega a hora de entregar o que construiu aos filhos, aparece o fisco com a mão estendida. É o ITCMD, o conhecido imposto sobre herança e doação. Agora, com a reforma tributária, o governo conseguiu melhorar o que já era ruim. A partir de 2027, os estados terão de adotar alíquotas progressivas, conforme o valor do patrimônio, com teto de 8%. E não é só a alíquota que pode pesar. A cobrança deverá considerar o valor de mercado dos bens, abandonando em muitos casos aqueles valores fiscais ou contábeis convenientemente mais baixos. Resultado previsível. Famílias estão correndo aos cartórios para antecipar doações. Foram 74.535 escrituras públicas de doação de imóveis no primeiro semestre de 2026, recorde para o período. É a velha lógica brasileira funcionando com precisão de relógio suíço. O cidadão percebe que o Estado pretende cobrar mais e tenta transferir seu patrimônio antes que a mordida aumente. Não porque queira fraudar ninguém. Não porque esteja procurando privilégio. Apenas porque descobriu, mais uma vez, que no Brasil possuir alguma coisa é quase uma provocação ao poder tributário. Mas há uma ironia ainda maior. A reforma é apresentada como modernização, racionali- zação, justiça fiscal. Palavras bonitas para uma máquina que, na prática, encontra novas ma- neiras de alcançar o patrimônio privado. A progressividade pode parecer elegante no dis- curso, mas progressividade também significa que quanto maior o pa- trimônio, maior será a pancada. E há quem ainda acredite que o problema brasileiro seja o cidadão que tenta proteger aquilo que conquistou. Não é. O verdadeiro escândalo é um sistema que transforma planejamento familiar em corrida contra o calendário tributário. Quem construiu patrimônio precisa agora decidir se entrega uma parte ao Estado hoje ou corre o risco de entregar uma parte maior amanhã. No Brasil, até a herança vem com boleto. E depois ainda chamam isso de justiça. ■ Até para morrer o brasileiro paga imposto O verdadeiro escândalo é um sistema que transforma planejamento familiar em corrida contra o calendário tributário. Quem construiu patrimônio precisa agora decidir se entrega uma parte ao Estado hoje ou corre o risco de entregar uma parte maior amanhã. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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