Diário do Amapá - 13 e 14/09/2026
A RÁDIO O JORNAL AGORA WEBTV Luiz Melo |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 13 E 14 SETEMBRO DE 2026 FALECOMOLUIZMELO E-mail: luizmello.da@uol.com.br Blog: www.luiz melo.blog.br Twitter: @luizmelodiario Instagram: @luizmelodiario© 2018 3 FROM RAPIDINHAS PÉ DE OUVIDO - Lula conversa com ministros do STF sobre o julgamento das mensagens de Vorcaro e Moraes. ■ DECISÃO - “Entrei na corrida pelo Senado não porque tenho pretensão política. É missão. Tenho interesse de que o povo possa ter oportunidade de escolher representante que, de fato, possa se comprometer com ele e fazer aquilo que muitos tiveram oportunidade e não fizeram”, magistrada aposentada candidata à Câmara Alta, Juíza Jô. ■ Audição Sistema Diário de Comunicação fecha nesta segunda, 14, rodada de entrevistas com postulantes ao Senado Federal, no programa LuizMeloEntrevista. Das 8h às 9h é sabatinado Hélio Palheta Silva, do PCO. Duelo Podem apostar, sem medo: esse ‘pega’ por cadeira no Senado entre Acácio, Alliny, Lucas, Randolfe e Rayssa (ordem alfabética/mais bem pontuados), antes de se revelar tedioso e cansativo, ainda vai render muito ‘pano pras mangas’. E só perdem aqueles que já ‘torcem o nariz’ se achando… Médica anestesiologista, Karlene Lamberg, Secretária de Saúde da Prefeitura de Macapá, na 1ª gestão de Furlan, foi condenada - 5 anos - pela Justiça Federal do Amapá por peculato e associação criminosa. A ver com esquema de desvio de combustível adquirido com recursos federais destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19. Mas ainda cabe recurso. “Toda criança tem direito a uma família e toda família tem direito de amar“. Com essa expressão, Cleuma Duarte promete que se eleita deputada estadual vai propor desburocratização do processo de adoção de crianças no Amapá. Simplificação Condenação Candidata ao Senado, deputada estadual Alliny Serrão, se eleita, vai lutar por recursos que possam ampliar a proteção das mulheres, levando-a absolutamente a todos os 16 municípios do Amapá. Bandeira Eleições gerais deste ano serão realizadas com uso de mais de 560 mil urnas eletrônicas, em todo o país. Há quatro modelos de urnas, todos facilitando acessibilidade de eleitores com deficiência. Inclusão Em pesquisas recentes, se críveis ou não, Institutos Doxa e Veritá voltaram a atiçar ‘fogo no parquinho’ - leia-se, eleição. Mas, pelo menos com uma verdade verdadeira: ninguém ainda pode cantar vitória, apesar do adiantado da hora. Dúvida cruel Juíza Lívia Simone é a mais nova juíza-membro substituta do Tribunal Pleno do TRE-AP, na Classe dos Juízes de Direito – assumiu sexta-feira, 11, no lugar da também juíza Gelcinete Lopes. Julgadora Segundo o TSE, menores colégios eleitorais do Brasil se encontram na região Norte – Acre 614 mil eleitores, Amapá 577 mil e Roraima com 401 mil pessoas aptas a votar. Últimos Senador Randolfe alerta que Amapá precisa de gente com capacidade no Congresso Nacional, tanto intelectual como de articulação, não de parlamentares sem propostas claras e que fogem dos debates durante campanha. Exigência Esposo de Luciana Gurgel, candidata à vice-governadora na chapa de Furlan, deputado federal Vinicius ainda não botou bloco na rua pra pedir votos pela reeleição dele. E sem maiores explicações. Remanescente uando eu nasci Deus me deu o meu melhor amigo, o livro, que me acompanhou a vida inteira, ensinou-me tudo o que sei, os conhecimentos que adquiri e encheu os meus ócios com a beleza e a força da literatura. Até hoje, nas águas tranquilas dos meus 96 anos, ele não me larga, nem eu largo a ele. O costume tornou-se a minha própria vida. Sempre digo que dois caminhos alimentaram meus dias: o da literatura e o da política. A literatura foi a vocação, e falar de literatura é falar do livro, dessa segunda natureza que me ali- mentou a cabeça. A política entrou na minha vida pelos desafios que passei a viver e de que me tornei parte, querendo enfrentá-los para melhorar a sorte do povo dos municípios em que nasci, onde cresci e nos quais lutei. Meu desejo eminha determinação eram aliviar o sofrimento, que testemunhei na minha meninice, na adolescência e na juventude, e meus olhos viam as dificuldades, a pobreza e as injustiças no ambiente em que vivia. Depois, adulto, transportei a minha inconformidade para o Maranhão e, mantendo esta nobre ambição, tornei-me governador e creio ter feito um bom trabalho, separando a sua História em dois momentos, antes e depois de minha administração. Finalmente, o destinome levou a decidir sobre políticas pú- blicas e lidar comproblemas nacionaismaiores ainda, gigantescos, e lutar contra soluções demagógicas e simplistas para problemas dif íceis e quase insolúveis. AHistória se contorcia. Ademocracia renascia emminhasmãos emummomentode grandes obstáculos. Nela e para ela concentrei todos os esforços, de tal modo que hoje podemos celebrar seus primeiros quarenta anos, com uma sociedade democrática de massa e uma Constituição que é das poucas elaboradas nos países que naquele tempo fizeram a transição para a democracia, o que foi ressaltado pelo brasilianista Ronald Schneider ao analisar aquelas transições democráticas. Mas o que quero mesmo é dizer que, diante da minha frus- tração de não ter tido a oportunidade de frequentar um grande centro de formação, foi da biblioteca que me socorri para ter êxito na busca de suprir as minhas deficiências por meio do estudo: como não podia adquirir muitos livros, fui atrás deles nas bibliotecas, sendo frequentador delas a vida inteira, a começar pela Biblioteca doMaranhão, que naquele tempo tinha o nome de Benedito Leite, um grande político e intelectual ma- ranhense. Agora leio, com grande curiosidade, matéria bastante instigante do competente jornalista Irineu Machado, do UOL, sobre a observação diária e empírica que, durante dez anos, com persistência, realiza em suas viagens de metrô, das leituras que os passageiros fazem durante o percurso entre o trabalho e a casa. Aprimeira percepção dele foi sobre aquilo que é noticiado diariamente, o declínio do hábito de leitura. Em “Frequento uma bibliotecamóvel subterrânea”, pela diversidade e quantidade de leitura que presencia no metrô, o jornalista Irineu Machado desmistifica a ideia de que o brasileiro não lê. Em abono de sua tese destaco o êxito da Bienal do Livro de São Paulo, com a presença de cerca de seiscentasmil pessoas, que por ali passaram comprando livros, participandodasmesas-redondas eprestigiando palestras e debates com autores. A outra percepção de Irineu Machado é que a “biblioteca móvel subterrânea”, é bastante atualizada com autores clássicos e contemporâneos. Assim FreidaMcFadden, Kurt Vonnegut, Guimarães Rosa estão juntos na escolha de seus leitores demetrô. É realmente uma diversidade grande: McFadden é uma autora de suspenses, e Vonnegut é umcondenador das guerras, como seu livro sobre o bombardeio de Dresden, que deixou centenas de mortos e destruiu a bela e icônica igreja, restaurada com a ajuda do povo do mundo inteiro. Estranho encontrar Guimarães Rosa em companhia dessa gente, ele que divide comMachado de Assis, cada um em seu tempo, serem os maiores autores da literatura brasileira. Outra constatação, esta minha, sobre o livro, é que ele anda muito: à noite, quando estamos buscando em nossa biblioteca os livros de nossa preferência, nós os retiramos do lugar e, no dia seguinte, eis a nossa procura pelo livro que “andou na ma- drugada”. Meus cumprimentos e minha louvação a Irineu Machado pelo ineditismo de sua reportagem, mostrando que encontramos, nesse hábitonometrô, uma extensão da nossa casa e da biblioteca para a leitura, sempre viva. Mas os livros merecem de nós um carinho muito grande. Temos os nossos amores por eles. Quando tive de separar-me de muitos deles, 24 mil volumes — 90% da minha biblioteca foi doada à Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney —, meu coração se apertou. Despedi-me do O Estadista do Império, de JoaquimNabuco, e do Pesquisas eDepoimentos, de Tobias Monteiro, e quase chorei. ■ Livros e Bibliotecas E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY Q
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