Diário do Amapá - 16/09/2026

A RÁDIO O JORNAL AGORA WEBTV Luiz Melo |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 16 DE SETEMBRO DE 2026 FALECOMOLUIZMELO E-mail: luizmello.da@uol.com.br Blog: www.luiz melo.blog.br Twitter: @luizmelodiario Instagram: @luizmelodiario© 2018 3 FROM RAPIDINHAS DIFICULDADES - Acesso à Aldeia Manga é só por via terrestre, a 20 quilômetros da sede de Oiapoque. Deslocamento às aldeias Espírito Santo e Santa Izabel é feito por via fluvial. Oiapoque concentra o maior eleitorado indígena do Amapá - mais de três mil aptos a votar. ■ Páreo Julgamento de recurso contra ex- prefeito Furlan, no TSE, prossegue quinta-feira, 17… Com placar da votação, interrompida emmaio por causa de pedido de vista do ministro Nunes Marques, em 2 a 1, pela cassação e inelegibilidade do hoje candidato ao governo. Mas quatro ministros ainda faltam votar. De cama O ex-presidente José Sarney segue estável no UDI Hospital, em São Luís, tratando uma pneumonia decorrente de uma virose. Em conversa com o filho dele, Fernando, a expectativa era de alta para amanhã, dia 16/9, embora os últimos boletins médicos oficiais informem que ainda não há uma previsão formalizada pela equipe de saúde. Programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90.9) recepciona nesta quarta-feira, 16, Carlos Cley, que disputa governo do Amapá pelo PSTU - em sabatina das 8h às 9h. Titular da infraestrutura do estado, Odailson Benjamin garante que 80% da construção do novo Hospital de Emergência estão concluídos e que logo haverá entrega da obra, sem precisar tempo. Saúde Otimista, secretário estadual da saúde, Rinaldo Martins, diz que HE de cinco pavimentos e 212 leitos entrará em funcionamento, atendendo pacientes, ainda em 2026. Hospital De fato, Justiça Eleitoral brasileira tem dado preciosas ajudas para eleições limpas, como a biometria, recurso tecnológico que eliminou possibilidade de uso de documentos falsos ou de títulos de eleitores já falecidos para manipular resultados. Equipe da 4ª Zona Eleitoral fez visita técnica às aldeias Manga, Espírito Santo e Santa Izabel para verificar condições de votação e tomar providências para garantir atendimento dos eleitores indígenas nas Eleições de 2026. Vistoria Mendonça e Gilmar batem boca em julgamento: ‘Desfaçatez’ e ‘Me respeite!’… Decano acusou colega de ‘leviandade’ e ‘sentimento policialesco’; escalada levou Dino a pedir vista do processo. Política 2ª Vara de Competência Geral e da Infância e Juventude da Comarca de Laranjal do Jari inspecionou 1ª Delegacia de Polícia, Delegacia de Atendimento à Mulher e Delegacia da Infância e Juventude, no município. Relatório será encaminhado para Tjap e, depois, para CNJ. Averiguação Propostas E m Macapá, um homem de 66 anos foi morto a pedradas e pauladas numa pracinha do Re- sidencial Jardim Açucena, no Buritizal. O crime dele? Atos que alguém considerou obsce- nos. Ninguém esperou a polícia. Ninguém chamou um advogado. Ninguém perguntou se aquele homem estava doente ou em surto. A multidão julgou, condenou e o executou em minutos. Esse não é um caso isolado. Em Copacabana, no Rio de Janeiro, um rapaz com dificuldade de fala e problemas psiquiátricos foi espancado até a morte porque alguém gritou que ele teria roubado uma bicicleta. Ele era inocente. O erro não impediu a execução. No Brasil, em 2024, houve um linchamento a cada dois dias. A cada dois dias, um tribunal sem toga, sem beca, sem juiz, sem defesa e sem provas sentencia alguém à morte. E quem são as vítimas preferidas desse tribunal? São os que não conseguem se explicar. São os doentes, os vulneráveis, os que vivem nas margens. Aquele idoso de 66 anos, sozinho, sem família no Residencial Açucena, talvez em plena crise psi- quiátrica, foi reduzido a um rótulo antes de ser re- duzido a sangue. Chamaram ele de tarado. E com esse carimbo, qualquer crueldade virou ‘justiça’. É isso que me assusta: não apenas a violência, mas a normalização da violência. O Brasil já não se choca. O Brasil já acha natural que a rua vire tribunal e que a pedra e o pau virem sentença. Quando a punição deixa de ser monopólio do Estado e vira espetáculo da multidão, não tem justiça possível. Tem apenas vingança. E vingança não distingue culpado de inocente, não distingue criminoso de doente. A desumanização é o motor desse horror. Para espancar um idoso com pau e pedra, é preciso antes apagar nele a imagem de uma pessoa. Ele vira o “drogado”, o “tarado”, o “ladrão”. Depois de rotulado, deixa de merecer explicação, deixa de merecer defesa ou piedade. É assim que a dúvida morre, e com ela, qualquer chance de justiça verdadeira. Estamos todos doentes? Não no sentido clínico, mas há um adoecimento coletivo real: a desconfiança nas instituições virou desprezo, a desconfiança no outro virou desuma- nização. O Estado que não chega, que não protege, que não trata, deixa um vácuo – e o vácuo é preen- chido por sangue. Por isso eu repito, como advogado: ninguém tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos. O linchamento é crime, sempre. Mas punir os agressores não basta. Precisamos reconstruir a confiança no Estado, precisamos acolher os que vivem nas margens, precisamos tratar os que sofrem em silêncio antes que o próximo tribunal das ruas dite a próxima sentença – e a próxima vítima seja alguém que a gente ama. ■ O tribunal das ruas E-mail: diario-ap@uol.com.br Advogado e Jornalista Registro JORGE ANAICE

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