Diário do Amapá - 16/09/2026
O Brasil precisamais que dobrar os investimentos em infraestrutura para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos padrões in- ternacionais. É o que aponta o estudo Fi- nanciamento dos Investimentos em In- fraestrutura no Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que propõe um novo regime de financiamento para ampliar a participação do capital privado e sustentar projetos de longo prazo. Em 2024, foram investidos R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, equivalentes a 2,27% do PIB. Segundo a CNI, o país pre- cisaria elevar esse patamar para 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 550 bilhões por ano, e mantê-lo por pelo menos duas décadas. Do total investido em 2024: R$ 188,1 bilhões (70,5%) vieram • do setor privado; R$ 78,6 bilhões foram investi- • mentos públicos; Estados e municípios responde- • ram pela maior parte dos aportes públicos. Novomodelo Para a CNI, nenhuma fonte de recur- sos, isoladamente, é capaz de atender às necessidades do país. O novo regime de- veria combinar recursos públicos e pri- vados, ampliar o mercado de capitais e criar condições para investimentos de longo prazo. Emnota, opresidente daCNI, Ricardo Alban, defende estabilidade econômica e institucional para atrair capital. “O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, instituições sólidas e segurança ju- rídica para criar condições de mobilizar mais recursos privados para o setor de infraestrutura, sem abrir mão do papel estratégico dos investimentos públicos”, ressalta. Alban tambémdefende uma estratégia de Estado para garantir continuidade aos projetos. Segundo ele, a modernização da infraestrutura demanda esforço contí- nuo, sistemático e de longo prazo, com uma política de Estado, conduzida por diversos governos. Fontes privadas O estudo mostra uma mudança na composição do financiamento da infra- estrutura de 2010 a 2024. Em valores atualizados para 2024, as fontes privadas passaramde umamédia deR$ 88,6 bilhões no período de 2010 a 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024. Nomesmo intervalo, os recursos pú- blicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107bilhões. As instituiçõesmultilaterais responderampor R$ 8,4 bilhões em2024. Na última década, houve uma mu- dança estrutural no financiamento da in- fraestrutura brasileira. Aparticipação das fontes privadas passou de 29,3%, entre 2010 e 2014, para 61,5% em 2024. Medidas propostas A CNI aponta que o novo regime deve incluir: estabilidade macroeconômica e • fiscal, para reduzir riscos e o custo do capital; fortalecimento do mercado de • capitais, com mais investidores ins- titucionais; expansão do crédito privado, • commodelos que distribuam riscos de forma mais eficiente; carteiramaior de projetos estru- • turados para concessões e parcerias; segurança jurídica e previsibili- • dade regulatória; e autonomia técnica das agências • reguladoras. O estudo também destaca o papel do BancoNacional deDesenvolvimento Eco- nômico e Social (BNDES) e de outras instituições públicas de desenvolvimento na redução de riscos, estruturação de projetos e mobilização de capital priva- do. ■ BRASIL DEVE DOBRAR INVESTIMENTOS PARA ZERAR DÉFICIT EM INFRAESTRUTURA CNI V Foto/ Marcello Casal JrAgência Brasil ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 16 DE SETEMBRO DE 2026
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