Diário do Amapá - 22/09/2026
A economia brasileira recuou 0,4% na passagem de junho para ju- lho, segundo estimativa do Mo- nitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta quinta-feira (17). Julho foi o segundo mês seguido de variação negativa. Em junho, a re- tração ficou em 1%. A pesquisa faz estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, reunindo dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária. A análise passa por ajuste sazonal, isto é, são eliminados os efeitos sazonais e de calendário, de forma que seja pos- sível comparar períodos diferentes. Em relação com o mesmo mês de 2025, julho de 2026 apresenta alta de 1,3%. No acumulado de 12 meses, a variação é positiva em 1,8%. Em junho, o acumulado era 2,2%. Cenário “desafiador” A economista Juliana Trece, coor- denadora da pesquisa, aponta que o resultado reflete “o enfraquecimento das três grandes atividades econômicas, com retração da agropecuária e estag- nação da indústria e dos serviços”. Ela classifica o cenário externo como “desafiador”, por causa da elevação das tarifas dos Estados Unidos impostas a parte das exportações brasileiras e da alta do preço do petróleo, motivada pela guerra no Oriente Médio. No cenário doméstico, Trece lista obstáculos como o os juros elevados e o endividamento das famílias. Desempenhos De acordo com o estudo, o consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB, cresceu 0,4% no trimestre móvel até julho. A taxa é a menor desde o trimestre móvel terminado em outubro de 2025 (0,2%). A FGV utiliza bases trimestrais de comparação “por apresentar menor vo- latilidade que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente, permitindo melhor compreensão da trajetória”. A chamada Formação Bruta de Ca- pital Fixo (FBCF), indicador que mede o investimento na economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 1,4% no trimestre móvel até julho. Foi a quarta expansão seguida. De acordo com a FGV, em valores correntes, o PIB acumulado até julho é estimado em R$ 7,853 trilhões. Resultado oficial OMonitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da eco- nomia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na quarta-feira (16), que indicou recuo de 0,2% em julho na comparação com ju- nho. O BC projeta que houve expansão de 1,5% em 12 meses. O resultado oficial do PIB é apre- sentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último dia 1º, o instituto divul- gou que o PIB do segundo trimestre variou 0,5% em relação ao segundo tri- mestre. Em 12 meses, alta foi de 1,9%. O resultado do terceiro trimestre será conhecido apenas em 2 de de- zembro. Expectativa O relatório Focus da última segun- da-feira (14), sondagem do Banco Cen- tral (BC) com instituições do mercado financeiro, estima que a economia bra- sileira vai terminar 2026 com alta de 1,89%. ■ ECONOMIA RECUA 0,4% NA PASSAGEM DE JUNHO PARA JULHO, ESTIMA FGV Omercado financeiro reduziu de 13,75%para 13,50% a expectativa para a taxa básica de juros Selic ao fim de 2026. Aprojeção, apresentada pelo BoletimFocus divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central, indica que o mercado trabalha com a expectativa de novo corte de juros ainda no ano corrente. A revisão para baixo ocorre cinco dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter reduzido em 0,25 ponto percentual a Selic, que está agora em 13,75%. A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para alcançar a meta de inflação. O cenário, portanto, reforça a avaliação de que o ciclo atual de juros será flexibilizado nos próximos meses, à medida que a inflação se mantém relativamente controla- da. Para 2027, a estimativa para a Selic permanece em 12% ao ano. Já as projeções para 2028 e 2029 ficaram estáveis em 10,50% e 10%, respectivamente. Emrelação à inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mercado elevou ligeiramente a previsão para este ano, de 4,90% para 4,92%. Para 2027, a expectativa foi mantida em 4,30%; e para 2028, em 3,80%. Selic x inflação A taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a Selic é elevada, o crédito tende a ficar mais caro, o que reduz o consumo e ajuda a conter a alta dos preços, alémde estimular a poupança. Já a redução dos juros busca estimular a atividade eco- nômica, ao facilitar o acesso ao crédito e incentivar investi- mentos e consumo. Vale lembrar que os bancos consideramtambémoutros fatores, nahoradedefinir os juros cobrados dos consumidores. Entre eles, risco de inadimplência, lucro e despesas admi- nistrativas. Economia A estimativa para o crescimento da economia brasileira apresentou nova revisão para baixo. A projeção para a ex- pansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu de 1,89% para 1,88%. Para 2027, a previsão recuou de 1,45% para 1,43%. As estimativas para 2028 foram mantidas em 1,87%. No mercado de câmbio, as projeções permaneceram estáveis, tanto para este ano como para os anos subsequentes: de R$ 5,20 em 2026; de R$ 5,28 em 2027; e de R$ 5,30 em 2028. ■ JUROS Mercado reduz projeção da Selic para 13,50% ● IBRE V Foto/ Miguel Ângelo/CNI/Direitos Rese FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 TERÇA-FEIRA | 22 DE SETEMBRO DE 2026
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