Diário do Amapá - 24/09/2026

D e cada 100 empreendedores no Brasil no ano passado, 35 tinham registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), o que equivale a 10,7 milhões de pessoas nessa condição. Essa é a maior proporção já registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, o país tinha 103 milhões de pessoas ocupadas, sendo 30,6milhões consideradas empreendedoras, o que in- clui empregadores e trabalhadores por conta própria. Quase 20 milhões (65% deles) não tinham CNPJ. Os dados fazemparte de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amos- tra de Domicílios (Pnad) Contínua, di- vulgada nesta quarta-feira (23). O estudo é feito desde 2012, com exceção de 2020 e 2021, por causa da pandemia de covid-19, que inviabilizou a coleta de dados. Evolução histórica Em 2012, 24% dos empreendedores tinham CNPJ. No último ano antes da pandemia, a proporção chegou a 29,3%. Em2024, eram33,6%.O registro no CNPJ pode representar vantagens ao trabalha- dor, como emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários empresariais, contratar funcionários formais, além de benef ícios previdenciários. Essa modalidade de formalização também é positiv para a economia, uma vez que o trabalhador contribui com tri- butos. Empregadores e conta própria O IBGE classifica os empreendedores como empregadores ou trabalhadores por conta própria. Para o instituto, conta própria é a pessoa que trabalha explorando o próprio empreendimento. Já o empre- gador é quem trabalha explorando o pró- prio empreendimento, com pelo menos um empregado. Entre os empregadores, 81,1% têm CNPJ. Desde 2019, esse nível fica em pelo menos 80%, comportamento que o IBGE classifica como “estável empatamar elevado”. No grupo dos trabalhadores por conta própria, são 27,1%, o maior de toda a série histórica. Em 2012, eram 15%. Apesar de alcançar nível recorde em 2025, o analista da pesquisa, William Kratochwill, aponta que o patamar é considerado “baixo” e o associa ao nível de instrução do trabalhador. “O trabalho por conta própria, na grande parcela dele, é realizado por pes- soas com um nível de instrução mais baixo”, diz. “A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quantomais instrução a pessoa tem, mais preparada ela está para o mercado”, completa. Classificação por escolaridade Pela primeira vez na série histórica, mais dametade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com nível superior ti- nham registro formal. Os com ensino médio completo e superior incompleto (29,7%) também es- tavam acima da média (27,1%). Os conta própria com ensino funda- mental completo e médio incompleto (18,6%) e os sem instrução e fundamental incompleto (11%) figuravam comos me- nores percentuais. Para Kratochwill, o avanço do CNPJ entre os conta própria com maior ins- trução é impulsionado por programas governamentais de desburocratização e redução de custos, como o Microem- preendedor Individual (MEI). “É umprograma que facilita o registro, facilita para a pessoa ter a sua empresa legalizada, registrada, que possa abrir uma conta no banco, realizar operações, receber formalmente via Pix ou boleto”, descreve. ■ BRASIL CHEGA A 35% DOS EMPREENDEDORES COM CNPJ OMinistério da Fazenda reduziu de 2,3%para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em2026. Para 2027, a estimativa tambémfoi revisada para baixo, de 2,5%para 2,3%. As novas projeções constam doBoletimMacrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta terça-feira (22). Segundo a SPE, a revisão reflete principalmente os efeitos dos juros ainda restritivos sobre a atividade econô- mica, com impactomais acentuado nos setores de serviços e indústria. A equipe econômica também passou a consi- derar uma trajetória de flexibilização monetária "margi- nalmente mais gradual do que o previsto" anteriormente. Inflação em 4,9% A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Con- sumidor Amplo (IPCA) em 2026 caiu de 5,1% para 4,9%. Apesar da melhora, a estimativa continua acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. A meta contínua estabelecida para o país é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite superior, portanto, é de 4,5%. Segundo a SPE, a revisão incorpora os resultados do IPCA até julho, que ficaram parcialmente abaixo do previsto anteriormente, principalmente no caso dos preços de alimentos consumidos nos domicílios e, em menor medida, dos serviços. A Fazenda também citou a melhora das expectativas de inflação e amanutenção da Taxa Selic (juros básicos da economia) emnível contracionista, que desestimula a ati- vidade econômica. "Arevisão tambémincorpora amelhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em pa- tamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026", ressaltou a SPE no relatório. Serviços e indústria A revisão do crescimento para 2026 foi concentrada principalmente nos setores mais sensíveis às condições de crédito e à demanda doméstica. As novas estimativas são: Serviços: de 2,4% para 1,8%; • Indústria: de 2,1% para 1,7%; • Agropecuária: de 1,8% para 2,8%. • A melhora esperada para a agropecuária compensou apenas parcialmente a piora nas projeções para serviços e indústria. ■ ESTIMATIVA Governo reduz projeção do PIB para 2% em 2026 e 2,3% em 2027 ● IBGE V Foto/ Rafa Neddermeyer/Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 24 DE SETEMBRO DE 2026

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