Diário do Amapá - 08/10/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 08 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E m artigo anterior citei o livro "A Bíblia dos Pergaminhos do Mar Morto" (e Dead Sea Scrolls Bible) de Eugene Ulrich e outros pes- quisadores que traduziram para o inglês e que utilizo como material de consulta. OsPergaminhos doMarMorto incluemmais de225manuscritos "bíblicos", dos quais cerca de 215 foram encontrados em Qumran. Quase todos esses manuscritos estão fragmentados, com algumas exceções, como 1QIsaa e 11QPsa. Estão incluídas partes de todos os livros doAntigoTestamento judeu e protestante, com exceção de Ester e Neemias, e alguns livros das Bíblias Católicas foramencontrados emQumran: Tobias, BenSira (tambémconhecido como Sirac ou Eclesiástico) e a Carta de Jeremias (conhecida como Baruc 6). Também se acredita que a comunidade de Qumran considerasse os livros de 1 Enoque e Jubileus como Escritura Sagrada. Um pergaminho importante, a Carta Halákica de Qumran (4QMMT), sugere a organização das Escrituras: "E também escrevemos para vocês para que tenham discernimento no livro de Moisés e nos livros dos Profetas e em Dav[id]". É a mesma que Jesus utiliza, conforme vemos emLucas (24,44): "que tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos deve ser cum- prido". O livro de Tobias foi ignorado por judeus, pro- testantes e evangélicos, especialmente por não ser original em hebraico, embora São Jerônimo tenha dito que utilizou uma cópia nesta língua para traduzir para latim. Afirmam ainda hoje que a Igreja só aceitou os deuterocanônicos no século XVI, o que não é verdade e ignoram que eles estavam na Septuaginta, o Antigo Testamento uti- lizado pelos primeiros cristãos, os apóstolos e dis- cípulos. O Livro de Tobias foi confirmado como um livro canônico pelo Concílio de Roma (382). Os protestantes ainda criticavam a utilização das partes do peixe como se fossemagia, embora achem normal mirar a estátua de uma serpente para se curar de envenenamento. Então, descobriramo livro de Tobias naCaverna 4 de Qumran, quatro rolos estão escritos em aramaico e um está em hebraico. Isso não prova qual seja a língua original, mas confirma relatos de que era popular na época de Jesus. Era consenso, antes das descobertas de Qumran, que Tobias estava datado entre os séculos I e III d.C., mas o manuscritomais antigo, 4QTobitd, foi datado em100 a.C., embora a história provavelmente tenha sido composta já no final do século III a.C. "Eu, Tobit, andei nos caminhos da verdade e da justiça todos os dias da minha vida", assim começa a fascinante história de Tobit, um judeu do final do século VIII a.C., que viveu no exílio em Nínive, a capital da antiga Assíria. A história narra as adversidades de Tobit, que culminam em cegueira. Seu filho Tobias, com a ajuda de Azarias, o anjo Rafael dis- farçado, embarca em uma aventura que proporciona a cura para a cegueira de seu pai, resgata uma donzela em apuros e que se torna sua esposa e estabelece sua fortuna. Ao longo da narrativa, o leitor aprende que alimentar os famintos, vestir os pobres e honrar o pai e a mãe são as chaves para a piedade. ■ Então, descobriram o livro de Tobias na Caverna 4 de Qumran, quatro rolos estão escritos em aramaico e um está em hebraico. Isso não prova qual seja a língua original, mas confirma relatos de que era popular na época de Jesus. Era consenso, antes das descobertas de Qumran, que Tobias estava datado entre os séculos I e III d.C. Tobias hebraico E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO A cada 20 segundos, uma adolescente dá à luz a uma criança na América Latina e no Caribe. E a gente aqui, no meio dessa ba- gunça, sem perceber que a conta desse problema não é apenas social, mas também econômica: US$ 15,3 bilhões por ano, em 15 países da região. Um buraco no PIB que poderia estar sendo investido em educação, saúde ou desenvolvimento. Mas não. Estamos gastando para tentar remediar um problema que já deveria ter sido prevenido. Quem paga essa conta? Em sua maioria, as próprias adolescentes. O Estado, que deveria estar garantindo informação, prevenção e suporte, arca com uma parte irrisória: 1,8 bilhão de dólares por ano. Mas para cada dólar investido na prevenção da gravidez na adolescência, o retorno pode chegar a US$ 40, dependendo do país. Isso não é cari- dade, é economia básica. Os números são assustadores. Uma adoles- cente que tem filho antes dos 15 anos tem muito menos chance de estudar, se qualificar, conseguir um bom emprego. Em contrapartida, quem se torna mãe depois dos 20 tem até três vezes mais possibilidade de chegar ao ensino superior. Isso se traduz em diferença salarial, autonomia e possibilidade de saída do ciclo de pobreza que castiga tantas famílias na região. O problema tem cor, tem classe social e tem histórico. Adolescentes negras, indígenas e de regiões rurais são as que mais enfrentam a gravidez precoce. E não é coincidência. É falta de acesso a serviços de saúde, educação e oportunidades. Jogue aí na mistura o casamento infantil, a vio- lência sexual e a falta de informação sobre saúde reprodutiva, e você tem a receita perfeita para manter as desigualdades como estão. O que fazer? Alguns países já reduziram a taxa de gravidez na ado- lescência em 50% com medidas simples, mas eficazes. Educação sexual na escola, acesso a contraceptivos, legislação contra casamentos precoces, participação ativa das adolescentes na formulação de políticas. Parece básico, não? E é. Mas básico é tudo que governos inoperantes têm dificuldade em garantir. Amigos leitores, concordem ou não, a roda da desigualdade segue girando, esmagando sonhos, oportunidades e futuras gerações. Porque, no fim das contas, não estamos falando só de números e estatísticas. Estamos falando de vidas. De meninas que, ao invés de estarem na escola, estão trocando fraldas. E isso, senhores governantes, é uma tragédia anunciada. ■ O preço da maternidade precoce na América Latina Adolescentes negras, indígenas e de regiões rurais são as que mais enfrentam a gravidez precoce. E não é coincidência. É falta de acesso a serviços de saúde, educação e oportunidades. Jogue aí na mistura o casamento infantil, a violência sexual e a falta de informação sobre saúde reprodutiva, e você tem a receita perfeita para manter as desigualdades como estão. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIO J.L. SIMÃO
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