Diário do Amapá - 15/10/2026
A Receita Federal deve ser vista so- bretudo como ferramenta estra- tégica do Estado brasileiro, e não só como órgão de arrecadação e fiscali- zação. De acordo com o ministro da Fa- zenda, Dario Durigan, o grande volume de informações reunidas pelo Fisco pode orientar políticas públicas, aperfeiçoar mecanismos de controle e aumentar a eficiência da atuação estatal. Durigan participou, nesta quarta-feira (14), da abertura do 4º Congresso de Direito Tributário e Aduaneiro. “Vejo a Receita como plataforma de inteligência do Estado brasileiro, mais do que um mero órgão que tem que coletar tributo.” A avaliação doministro tempor base quatro frentes relacionadas à Receita, des- tacadas em seu discurso: atuação como infraestrutura crítica do Estado; uso de dados para subsidiar políticas públicas; modernizaçãoda fiscalizaçãopormeio da análise de informações agregadas; incorporação de inteligência artificial. "A Receita precisa contribuir mais para o desenho de políticas públicas", acrescentou. Segundo ele, as informações produ- zidas pelo órgãopodemauxiliar Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos de controle em tomadas de decisão. Fiscalização Oministro defendeumudança de pa- radigma, com maior uso de dados para identificar padrões e anomalias. Como exemplo, citou o trabalho conjunto da Receita com a Agência Nacional do Pe- tróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ao monitorar os efeitos da deso- neração de combustíveis. "A fiscalização que nós estamos pe- dindo é uma fiscalização que olha para o dado agregado", afirmou, ao destacar, nesse contexto, o potencial da inteligência artificial. De acordo comele, o volume de dados que passará a ser compartilhado entre União, estados e municípios, com a im- plementação da reforma tributária, am- pliará significativamente a capacidade analítica da Receita. Carbono Oculto Como exemplo das possibilidades abertas por essemodelo, oministro citou aOperaçãoCarbonoOculto, investigação que apura estruturas de lavagem de di- nheiro usadas para ocultar os reais con- troladores de empresas ligadas ao setor de combustíveis, incluindo a aquisição de uma das maiores distribuidoras do país. Emuma das fases da operação, foram identificadas movimentações de cerca de R$ 11 bilhões por diferentes camadas da estrutura investigada. Ainvestigação revelouousodefintechs e de pelomenos 40 fundos de investimento para ocultação patrimonial e blindagem de recursos, dificultando a identificação dos reais controladores dos ativos e da origem do dinheiro utilizado nas opera- ções. Metodologia Mais doque os resultados da operação, Durigan destacou o método empregado. Para ele, a análise de grandes bases de dados permite identificar estruturas que fogem aos padrões comuns do mercado e direcionar investigações de forma mais eficiente. Durigan mencionou também, com base em uma apresentação feita pela equipe da Receita, estruturas associadas à Reag e ao BancoMaster como exemplos de casos que chamaram a atenção por apresentarem características atípicas. Para o ministro, a combinação entre análisededados, integraçãode informações e inteligência artificial pode ampliar a ca- pacidade do Estado de formular políticas públicas e aperfeiçoar a fiscalização. "A Receita Federal pode mudar o pa- tamar de funcionamento do Estado bra- sileiro para um patamar de um Estado eficiente e inteligente." ■ DURIGAN DEFENDE RECEITA COMO PLATAFORMA DE INTELIGÊNCIA DO ESTADO O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) subiu 1,3 ponto em outubro, para 46,2 pontos, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar da melhora, o indicador permanece abaixo dos 50 pontos, faixa que separa a confiança da falta de confiança. Com isso, a indústria brasileira completa 22 meses consecutivos sem confiança. O avanço foi impulsionado pela melhora nas ex- pectativas dos empresários para os próximos seis meses. Em contrapartida, a avaliação sobre as condições atuais das empresas e da economia piorou, atingindo o menor nível desde julho de 2020, durante a pandemia de covid-19. O Índice de Expectativas, que mede as perspectivas para os próximos seis meses, subiu 2,1 pontos em ou- tubro, alcançando 49,3 pontos. O resultado aproxima o indicador da linha dos 50 pontos e sinaliza uma redução do pessimismo dos empresários nos próximos 180 dias. O índice considera as perspectivas para o desem- penho das próprias empresas e para a economia brasi- leira. Embora tenha apresentado avanço, ainda per- manece abaixo do patamar que indica confiança. Condições atuais Na contramão das expectativas, o Índice de Con- dições Atuais recuou 0,2 ponto em outubro, passando para 40 pontos. Esse é o menor resultado desde julho de 2020. A queda foi influenciada principalmente pela ava- liação negativa dos empresários sobre a situação de suas próprias empresas. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a percepção desfavorável está re- lacionada à redução da demanda por produtos indus- triais, à pressão dos custos e às incertezas no cenário internacional. “Esse patamar bastante negativo é explicado por uma série de fatores. Alguns elementos já vêm de algum tempo, como a queda da demanda por produtos industriais, mas outros, mais recentes, agravaram o quadro”, explicou Azevedo em nota. A CNI também destacou que os custos elevados têm pressionado a saúde financeira das empresas, agra- vando as dificuldades enfrentadas pelo setor. ■ ICEI Confiança da indústria sobe em outubro, mas setor segue pessimista ● ATUAÇÃO ESTATAL V Foto/ PrintScreen/ Receita Federal/ Youtube FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 15 DE OUTUBRO DE 2026
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