Diário do Amapá - 18 e 19/10/2026
Homem da Lei Autor da Lei Seca, que completou 18 anos, o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) teve um merecido reconhecimento nacional. Foi selecionado um dos 10 melhores federais de 2026 pelo júri técnico do Prêmio Congresso em Foco. A escolha reuniu parlamentares de diferentes partidos do País, avaliados por especialistas em política, comunicação e atividade legislativa. Hugo Leal está no seu 5º mandato na Câmara. Brasil dos negócios Estudo da Hotmart identificou 620 municípios, em 25 Estados e no DF, com empreendedores que superaram R$ 1 milhão em faturamento líquido acumulado na plataforma. A expansão ultrapassa fronteiras: 1 em cada 3 empreendedores vende para o exterior, alcançando mais de 180 países. A IA também impulsiona o setor, com crescimento médio anual de 115% nas vendas de produtos educacionais sobre o tema. Avibras ativa A Globe Investimentos, holding de investimentos pessoais dos irmãos Joesley e Wesley Batista, concluiu a aquisição da totalidade do capital da Avibras Aeroco, que reúne ativos estratégicos, instalações industriais e o portfólio tecnológico da Avibras Indústria Aeroespacial. A Globe passa a ser a única acionista da Nova AVB. O CEO da companhia será Bruno Dantas, ex-ministro do Tribunal de Contas da União. Lobo solitário Único voto contrário à PEC do fim da escala 6×1, o senador Hamilton Mourão (Rep-RS) destoou da pressa populista no Senado. Ao alertar para o risco de demissões e o sufocamento das pequenas empresas – variados estudos de associações já indicaram isso – Mourão expôs a insensatez de uma aprovação açodada e eleitoreira. Postura isolada e coerente que alerta ao alto custo econômico da medida que a maioria preferiu ignorar. TSE e Dallagnol O presidente da OAB-PR, Luiz Fernando Pereira, cobrou celeridade do TSE no julgamento do registro de candidatura do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo), eleito Senador. Para ele, a demora deixa o Paraná em um cenário de indefinição sobre quem de fato ocupará a vaga e lembra que a legislação prevê que esses processos sejam resolvidos antes do pleito. “É ruim que o Estado fique sem saber quem vai assumir”. O ataque oficial Aministra das Mulheres do Governo Lula da Silva, Márcia Carvalho Lopes incentivou num grupo de whatsapp de mais de 70 líderes políticos e empresários um ataque com fake news a Alfredo Gaspar, o vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). Amensagem encaminhada por ela ao grupo há dias – ao qual a Coluna teve acesso – citou o seguinte texto: “Estou organizando uma campanha de redes para amanhã comvídeos de mães dizendo SOU MÃE DE (menino/menina/adolescente) E NÃOVOTO EMVICE ACUSADO DE ESTUPRO DE CRIANÇA”. Márcia é irmã do ex-ministro Gilberto Carvalho, o mais próximo do presidente Lula da Silva em dois mandatos. Como notório, por falta de provas e recomendação da PGR, o ministro Gilmar Mendes, do STF, arquivou a denúncia de que Gaspar teria cometido o crime, por “falta de indícios mínimos”. A PF também não encontrou provas. Mesmo assim a campanha do PT utilizou a informação em seu programa eleitoral. Gaspar já processou e venceu na Justiça alagoana ação contra a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) por falso testemunho. ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 18 E 19 DE OUTUBRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO N o dia 25 de outubro deste ano, o eleitor brasileiro voltará para escolher o presidente da República. O debate entre os candidatos Flávio e Lula está acirrado. Diversos são os temas em evidência: segurança pública, economia, saúde pública, educação, questões de gênero, políticas para mulheres, dentre outros. Na disputa pelo Palácio do Planalto, voltou a ocupar lugar no debate público, neste segundo turno, questões relacionadas à fé, religião e política. Ambos os candidatos têm tido forte apelo reli- gioso, principalmente nas redes sociais e por meio do comparecimento à missas, cultos e outros am- bientes de cunho espiritual, tudo em busca do voto. Pesquisas eleitorais mostramque Flávio Bolsonaro conta com maioria dos evangélicos quanto às in- tenções de votos (mais de 60%) contra 25% de Lula, conforme pesquisa Datafolha divulgada em 8 de outubro. Mas afinal, o que fé e religião têm a ver com po- lítica e disputa eleitoral? Há quem diga que fé e política são como água e óleo, não se misturam. Será mesmo? Aqueles que fazem a separação entre religião (fé) e política partem do pressuposto de que o mundo invisível (sobrenatural) é separado do mundo f ísico-material e não se tocam. Para eles, a religião pertence à esfera do sagrado e nada tem a ver com a esfera política. São mundos incomunicáveis. Essa visão separatista remonta a Platão, principal expoente da visão dualista, segundo o qual o mundo está dividido em duas esferas, a esfera do invisível, das ideias eternas (plano superior) e o da “matéria”, mais baixo, temporal e f ísico, sendo separado do reino espiritual. De fato, quando se faz uma análise apressada sobre essa temática, parece estranho quando se busca compatibilizar fé e política. Mas essa separação é apenas aparente, pois um olhar “fora da caixa” permite perceber que fé e política não são realidades estanques, fechadas em si. Para início de compreensão, basta a seguinte reflexão: o mundo f ísico (Por meio de sua voz po- derosa, foram criados o sol, as estrelas, a lua, as águas dos oceanos, mares e rios, as árvores e os animais) foi criado a partir do mundo invisível (es- piritual). Deus disse: Haja luz e houve luz. Por de Sua voz poderosa, foram criados o sol para governar o dia e a lua e as estrelas para iluminar a noite (Gênesis 1.3; 1.16). Voltando ao debate sobre fé e política. Ao se olhar para fé e política a partir de uma mentalidade holística e não dualista, fica fácil perceber que são realidades comunicáveis. A cosmovisão cristã correta não vê a esfera espiritual separada da realidade so- ciopolítica, mas sim como esferas entrelaçadas. A cosmovisão diz respeito à maneira como vemos o mundo e as pessoas. A cosmovisão cor- responde à estrutura mental da pessoa. É como óculos, que alguém coloca a fim de enxergar a rea- lidade. Nas palavras de JB Carvalho, uma mentalidade “é um hábito mental que determina como você in- terpreta e responde às situações da vida”. Nessa senda, a visão de mundo (mentalidade) de cada pessoa afeta sua percepção sobre o modo como interpreta as relações políticas. Na hora de fazer a escolha do candidato à presidência, parcela significativa do eleitorado brasileiro levará em conta não só o plano econômico e as propostas para combater o desemprego, a fome, as mazelas da saúde, o enfretamento à violência urbana, mas tam- bém os valores morais e espirituais que o candidato defende. Aristóteles, em sua obra intitulada Política, pontua que o ser humano tem uma inclinação natural para viver em comunidade (na polis) e, por essa razão, é por natureza um animal político (zon politikon). Em realidade, o ser humano é um ser multifacetado, que apresenta uma dimensão biológica, social, psicológica, econômica, política e espiritual. Neste segundo turno para corrida ao Palácio do Planalto, milhões de eleitores estão de olho no que Flávio e Lula pensam sobre o direito à vida, aborto, conceito de família, questões de gênero, educação sexual, liberdade religiosa, liberdade de expressão e censura, igrejas e a relação com a esfera pública, entre outros temas. Portanto, no 25 de outubro, data do 2º turno, parcela expressiva do eleitorado, ao apertar o te- clado da urna eletrônica, estará escolhendo seu candidato tendo em conta o que ele defende em termos fé e religiosidade. Em resumo, o ato de votar representa, não apenas uma escolha estri- tamente política, pois também traduz a cosmovisão do eleitor, que, ao exerceu seu direito constitu- cional, escolherá o candidato que melhor lhe re- presenta quanto à pauta espiritual-religiosa. Por- tanto, fé e política se misturam sim. ■ E-mail: iaci.pelaes@mpap.mp.br IACI PELAES Doutor em direito e justiça (UFMG) Pr. Presidente da Assembleia de Deus do Amapá Fé e política podem andar juntas?
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