Diário do Amapá - 18 e 19/10/2026
A equipe econômica estuda oferecer linhas de crédito e programas de capacitação para empresas que en- frentaremdificuldades como fimda escala de trabalho 6x1, disse nesta sexta-feira (16) oministro da Fazenda, Dario Durigan. Se- gundo ele, o impacto da emenda constitu- cional sobre os empregadores ainda será avaliado, mas o governo prevê financia- mento específico para a transição. “É possível que a gente faça, por exem- plo, uma espécie de linha de crédito ou de capacitação para a inovação”, afirmou Du- rigan em entrevista à TV Band nesta sex- ta-feira (16). A medida, ressaltou o ministro, busca ajudar os negócios a se adaptarem à nova jornada, com investimentos em inovação e produtividade. Durigan também men- cionou que o governo pretende apoiar em- presas afetadas pela reforma tributária. Inovação e capacitação Durigan afirmou que a equipe econô- mica ainda está analisando quais empresas e setores terão maior impacto com a mu- dança. A intenção é destinar o apoio aos negócios que precisarem de mais recursos para reorganizar as atividades. Segundo oministro, a adaptação pode envolver modernização de processos, trei- namento de funcionários e adoção de novas tecnologias paramanter a produçãomesmo commenos dias de trabalho. “Os empresários têm que ter apoio do governo para participar desse novo tempo, que é uma mudança civilizacional”, decla- rou. O ministro citou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e outros sistemas de capacitação como parceiros em iniciativas de treina- mento, especialmente para pequenos ne- gócios. Apoio às pequenas empresas Durigan afirmou que o governo já am- pliou o limite de crédito para pequenas empresas, de R$ 250 mil para R$ 500 mil, inclusive para operações destinadas ao ca- pital de giro, recursos usados para manter as despesas e o funcionamento cotidiano dos negócios. O ministro não anunciou uma deso- neração da folha de pagamento ou outra compensação direta aos empregadores. Em vez disso, destacou a possibilidade de financiamento direcionado e capacitação para empresas que precisarem se adaptar. “Já temos uma previsão de ter linhas de crédito específicas para essa transição, tanto da reforma tributária quanto do fim da jornada 6x1”, disse. Impacto ainda será avaliado A mudança na jornada foi aprovada pelo Congresso e promulgada nesta sexta- feira. A nova regra prevê dois dias de des- canso remunerado por semana e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Durigan afirmou que o governo ainda vai medir os efeitos da mudança sobre os diferentes setores e portes de empresas. Segundo dados citados pelo ministro, de 68% a 70% dos empregos no país estão fora da escala 6x1. Ele tambémdefendeu que a adaptação pode trazer ganhos de produtividade, com processos mais eficientes e menor rotati- vidade de trabalhadores. Juros e ajuste fiscal Na entrevista, Durigan tambémafirmou que a taxa de juros segue como umdesafio para a economia brasileira. Oministro de- fendeu a continuidade do ajuste das contas públicas e a busca por superávits primários maiores nos próximos anos, mas semmu- danças abruptas na política econômica. “Vamos continuar melhorando as con- tas públicas, gerando superávit, mas de maneira gradual, sem dar cavalo de pau na tua vida, sem gerar incerteza e impre- visibilidade”, afirmou. Durigan disse que a estratégia deve preservar políticas públicas e evitar impactos negativos sobre a atividade econômica. Afirmou que a proposta de ajuste fiscal de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em prazo curto, debatida durante as eleições exigiria cortes em programas sociais e outras políticas. ■ GOVERNO PREVÊ CRÉDITO A EMPRESAS AFETADAS POR FIM DA 6X1, DIZ DURIGAN As propostas econômicas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e FlávioBolsonaro (PL) apresentam diferenças na condução das contas públicas, na política tri- butária e nas relações de trabalho. Enquanto Lula aposta na continuidade domodelo atual, com investimentos públicos, programas sociais e valorização da renda, Flávio defende a redução da estrutura estatal, cortes de despesas e diminuição de impostos e encargos. Apesar das divergências, as duas campanhas reconhecem a necessidade de enfrentar o crescimento da dívida pública. O principal contraste está nos instrumentos previstos para equilibrar as contas e estimular a atividade econômica. Resumo das propostas econômicas Lula Continuidade com ampliação de investimentos e • políticas sociais Contas públicas:manter o arcabouçofiscal, controlar • o crescimento das despesas e buscar resultados fiscais melhores com crescimento econômico. Impostos: aprofundar a tributação progressiva, • commaior contribuição proporcional das rendasmais altas. Trabalho e renda: manter a valorização real do • salário mínimo e defender a redução da jornada semanal para 40 horas, sem corte salarial. Investimentos: ampliar infraestrutura, reindustria- • lização, inovação e energia renovável. Programas sociais: manter o Bolsa Família e • expandir políticas habitacionais e de combate à fome. Flávio Bolsonaro Redução do Estado e contenção mais forte das • despesas Contas públicas: criar uma nova regra fiscal, com • limites para despesas associados à trajetória da dívida. Gastos públicos: reduzir ministérios, cargos co- • missionados e despesas administrativas. Impostos: propor reduções tributárias e simplificação • regulatória. Trabalho e emprego: criar modalidades de con- • tratação commenor custo para empregadores em de- terminados grupos etários. Produção: estimular o agronegócio, melhorar a • logística, ampliar o armazenamento de safras e apoiar a produção nacional de fertilizantes. ■ CAMINHOS DISTINTOS Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado ● TRANSIÇÃO V Foto/ Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 18 E 19 DE OUTUBRO DE 2026
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