Diário do Amapá - 24/10/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 24 DE OUTUBRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br C onfesso que estou cada vez mais surpreso com a capacidade do ser humano em acreditar em coisas muito estranhas ao bom senso. Conheci alguns alemães da época da segunda guerra e a curiosidade da ascensão do Nazismo sempre me foi grande. O que vejo hoje pelo mundo, não só no Brasil, levou-me a pesquisar: como o cérebro sabe que algo é real? Achei um artigo no Popular Science de julho de 2025 que resume bem isso. A psicóloga pioneira Mary Cheves West Perky, relata em um artigo de 1910 sobre imaginação e percepção: pediu a pessoas que visua- lizassem objetos, um tomate vermelho, uma folha verde, etc. em uma parede em branco. Secretamente, naquele espaço aparentemente vazio, Perky projetava imagens quase invisíveis desses mesmos objetos na pa- rede. Os sujeitos não perceberam nada, atribuindo os objetos percebidos às suas imaginações em vez das projeções. Ela concluiu que parecia que a imagem da imaginação deve ter muito em comum com a percepção da vida cotidiana. Mais de um século depois, muitos pesquisa- dores concordam, acreditando que imaginação e percepção trabalham juntas para criar nosso senso de realidade. Mas como nosso cérebro sabe o que é real e o que não é? É o tema da pes- quisa da neurocientista Nadine Dijkstra, investi- gadora principal (PI) no Imagine Reality Lab da University College London. Ela observa que nosso cérebro cria a nossa percepção da realidade con- fiando nos olhos e ouvidos. Esse modelo de experienciar a realidade é efi- ciente, mas não infalível: às vezes nosso cérebro erra. Essa dissonância é algo que Dijkstra examina em seu estudo, publicado recentemente na Neu- ron. Esperava-se que os resultados fossem mais complicados e nuançados, em vez disso, a atividade cerebral medida por exames de ressonância mag- nética funcional (fMRI) mostraram que podia- se prever se alguém acreditava ou não que uma imagem era real peloo nível de atividade no giro fusiforme, a região localizada em ambos os lados do cérebro atrás das têmporas e que desempenha um papel importante no reconhecimento de rostos e objetos, mas sua capacidade de poten- cialmente distinguir o real do falso é algo que os neurocientistas não sabiam antes. No experimento, pediram aos participantes que imaginassem conjuntos de linhas diagonais em uma tela projetadas na máquina de ressonância através de um espelho. Linhas diagonais eram exibidas contra um fundo ruidoso, tipo estática de TV para tornar mais dif ícil distinguir realidade de imaginação. Quando alguém via linhas projetadas reais, a atividade no giro fusiforme era mais forte do que quando sabia que estava simplesmente imaginando as linhas diagonais. Na parte frontal do cérebro, a ínsula anterior do córtex pré-frontal, que atua como uma espécie de conector entre redes cerebrais, também mostrou atividade aumentada quando os participantes viam as linhas projetadas. Isso é muito importante, pois se confirmar a ligação entre a atividade no giro fusiforme e alucinações, por exemplo, pode permitir que no futuro estimulem essa parte do cérebro para tratar sintomas de esquizofrenia e outros transtornos cerebrais. ■ No experimento, pediram aos participantes que imaginassem conjuntos de linhas diagonais em uma tela projetadas na máquina de ressonância através de um espelho. Linhas diagonais eram exibidas contra um fundo ruidoso, tipo estática de TV para tornar mais difícil distinguir realidade de imaginação. O cérebro e a realidade MARIO EUGENIO Teólogo, pedagogo e advogado E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com D omingo, 25 de outubro de 2026, os brasileiros voltarão às urnas para escolher entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Na véspera, o país parece caber inteiro na tela de um celular: promessas, acusações, vídeos, cortes de debates e certezas gritadas por gente que, muitas vezes, não mostra de onde tirou o que diz. Em segundo turno, a campanha aperta o passo e encurta as frases. O eleitor ouve planos para melhorar a renda, proteger benef ícios, reduzir a violência e devolver ao país a prosperidade. Há propostas que merecem debate; há anúncios cuja proximidade da eleição convida à pergunta: por que agora, como serão pagos e quem será beneficiado? A tentação do palanque é transformar o adversário em ameaça absoluta e o próprio candidato em solução para tudo. Assim, discutir caminhos cede lugar a disputar medos. O que essa campanha revela sobre os candidatos não é apenas o que cada um promete, mas como cada um trata a verdade, os limites do poder e quem pensa diferente. Quem governa um país plural precisa convencer sem intimidar e aceitar que nenhuma vitória eleitoral autoriza tudo. Nas redes, a mentira chega vestida de notícia urgente. Vídeos manipulados, imagens geradas por inteligência artificial e mensagens sem fonte, misturam fatos e in- venções até que a dúvida pareça inútil. Levantamento citado pela Agência Brasil identificou ao menos 554 peças de deepfake publicadas durante o primeiro turno. Isso mostra a escala do problema, o que parece apontar para uma operação coordenada para enganar eleitores. Acusações de “fábrica de fake news” circulamentre as campanhas, contudo, cabe verificar cada caso, identificar autores e exigir provas antes de transformar suspeita em sentença. A educação também entrou na disputa, como costuma acontecer quando o país está polarizado. Há quemdenuncie aparelhamento e doutrinação nas escolas e universidades; há quemveja nessas acusações uma tentativa de deslegitimar professores e instituições. O fato é que Escola e Universidade não existem para fabricar adesões: devem ensinar a per- guntar, confrontar argumentos e distinguir conhecimento de propaganda, sem jamais se tornar o “aparelho ideológico do estado”. E Cortes Superiores, estão sob os holofotes político, onde suas decisões provocam críticas e disputas. Aqueles que deveriam ser Bastiões da Lei, na prática comportam- se como cabos eleitorais, quando tomamdecisões fundadas em seu espectro político de preferência ou a pedido de seu político de estimação. Contudo, os Tribunais e seus membros devem ser criticáveis e prestar contas de suas ações e decisões, pois, a democracia exige controle do poder — inclusive do poder de julgar. Outra triste realidade nesse cenário político, é a per- cepção que muito do jornalismo tradicional parece tender a favorecer seu político predileto. Isso fica claro nas escolhas das linhas editoriais e de pautas que revelam in- clinações e erros que merecem correção. Felizmente, as redes sociais, apesar de suas ressalvas, existem para de- mocratizar as informações, permitindo que o jornalismo digital cumpra um extraordinário papel informativo na sociedade. E agora, o futuro das pessoas tem preço? Alguns eleitores trocam seu apoio por vantagens, cedem a pressões ou são capturados pela desinformação? Sim, e os políticos corruptos descobriram isso e se utilizam ostensivamente dessa ferramenta. Se não bastasse a famigerada “boca de urna”, na atualidade a compra de votos se institucionalizou, por meio dos cargos por contrato, onde além de serem obrigados a votar, são também, obrigados a fazer campanha para quem está à frente da máquina pública. E o que dizer dos benef ícios e direitos sociais, que se tornaram uma arma de chantagem e ameaça em favor de quem está no poder. O voto tem valor justamente porque ninguém deveria ser capaz de comprá-lo, pois, é instrumento de decisão, fiscalização e mudança. Por isso é legítimo desconfiar de medidas anunciadas ou aprovadas em período eleitoral. Uma lei pode responder a uma necessidade urgente; mas, pode também virar peça de campanha. O cidadão não deve confundir benef ício público com favor de can- didato, nem aceitar como generosidade aquilo que é financiado com recursos de to- dos. A saída então, é não vender seu voto, mas, escolher as melhores propostas, rejeitando as mentiras mesmo quando nos favorecem, sem esquecer de proteger o direito de discordar. O futuro não cabe numa promessa nem termina quando a urna fecha. O Brasil pode melhorar — não por milagre, mas quando todos se recusam a tratar a democracia como propriedade de um partido. ■ E o que dizer dos benefícios e direitos sociais, que se tornaram uma arma de chantagem e ameaça em favor de quem está no poder. O voto tem valor justamente porque ninguém deveria ser capaz de comprá-lo, pois, é instrumento de decisão, fiscalização e mudança. Quanto vale o seu futuro? RODRIGO LIMA JUNIOR

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