Diário do Amapá - 05/11/2026

O artigo de umdos economistas da equipe que elaborou oPlanoReal, professor André Lara Resende, tem ganhado destaque nos últimos dias por acusar oBancoCentral (BC) de causar desequilíbrio fiscal no Brasil por meio das altas taxas de juros. O especialista defende novas regras para as despesas e os juros no país. “Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater.” Formado pela PUCdo Rio de Janeiro, André Lara Resende temPhD emecono- mia peloMassachusetts Institute of Tech- nology (MIT), nos Estados Unidos, além de ter atuado em instituições financeiras no Brasil. O especialista questiona a teoria eco- nômica defendida pelomercadofinanceiro e pelo BC para justificar a taxa Selic em 13,75% ao ano. Segundo ranking da Mo- neyou, o Brasil tem a taxa de juros real mais alta do mundo. “Acuso a grande imprensa de repetir, semexame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.” Escrito às vésperas do primeiro turno eleitoral, o artigo de André Lara Resende ainda acusou “todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizamopaís, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade”. OBancoCentral justifica os juros ele- vados, entre outros motivos, devido às pressões inflacionárias e aos déficits fiscais primários nas contas públicas, que é quan- do as despesas superam as receitas, ex- cluindo os gastos com a dívida. Segundo a autoridade monetária, os gastos primáriosmaiores que arrecadação pressionam a inflação. Dívida e déficit públicos Apesar de reconhecer que o Brasil gastamal e aloca recursos de forma “irra- cional”, como nos casos das emendas par- lamentares, das vantagens salariais do Ju- diciário e das isenções tributárias “de toda ordem”, André Lara Resende demonstra que oBrasil temumdéficit fiscal pequeno, entre os menores do mundo. “Quando se exclui o serviço da dívida, as contas estão praticamente equilibradas. A grande despesa do Estado é com os juros sobre a dívida”, escreveu. A dívida pública brasileira cresceu de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026. Para combater esse au- mento, analistas do mercado financeiro tem cobrado corte de despesas da União, o que tende a afetar as políticas sociais. O professor André Lara Resende re- conhece que o crescimento da dívida é insustentável, mas destaca que o problema não está nos “gastos primários”, que são as despesas com serviços públicos que o mercado financeiro cobra para reduzir. “Nos últimos anos, exceto durante a Covid, o resultado primário foi apenas li- geiramente negativo; já o déficit nominal, puxado pelos juros, foi sempre alto e agora aproxima-se de 10% do PIB”, expli- cou. “O equilíbrio das contas públicas não é uma condiçãonecessária enemsuficiente para o bom funcionamento da política econômica”, afirmou no artigo publicado no Substack. André Lara Resende concluiu que a redução da taxa de juros é a solução para odesequilíbriofiscal noBrasil. Nos últimos 12 meses, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento ou 8,9% do PIB. “Aeconomia temumproblema básico: a extraordinariamente alta taxa básica de juros. Um problema que tem solução clara. Só é preciso vencer os preconceitos associados a uma teoriamonetária e fiscal anacrônica”, concluiu. ■ ECONOMISTA DE PLANO REAL ACUSA BC DE CAUSAR ROMBO FISCAL VIA JUROS DÍVIDA PÚBLICA V Foto/ Geraldo Magela/Agência Senado FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 05 DE OUTUBRO DE 2026 O mercado financeiro elevou as projeções para a taxa básica de juros (Selic), a inflação e o dólar neste ano e reduziu, pela terceira semana consecutiva, a estimativa de crescimento da economia. Os dados constamdo BoletimFocus, relatório semanal di- vulgado peloBancoCentral comprojeções domercadofinanceiro para inflação, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. Neste primeiro boletim após o resultado das eleições pre- sidenciais, a projeção para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026 passou de 13,25% na semana passada para 13,5% – mesmo patamar estimado há quatro semanas. Atualmente, a Selic está em 13,75%, o que indica que o mercado ainda espera por um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Para 2027 e 2028, as projeções para a Selic estão em 12,5% e 11%, respectivamente. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito e ajudam a reduzir a demanda e os preços, mas podem frear a atividade econômica. Juros menores estimulam o consumo e os investimentos, favorecendo o crescimento, mas podem pressionar a inflação. Inflação Utilizado paramedir a inflação oficial do país, o Índice Na- cional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também está entre as projeções do Boletim Focus. As estimativas do mercado financeiro para 2026 subiram de 5,19% há uma semana, para 5,22%. Há quatro semanas, a projeção para o IPCA era de 5,01%. Para 2027, omercado projeta inflação de 4,76%. Para 2028, a expectativa é de 4%. A prévia da inflação oficial ficou em0,32% emoutubro, se- gundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação. A desaceleração em relação a setembro (0,70%) foi in- fluenciada principalmente pela queda da energia elétrica resi- dencial, após a adoção da bandeira tarifária verde no mês de outubro. A maior pressão de alta veio dos alimentos, com destaque para tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata-inglesa (10,96%) e arroz (5,80%). Economia Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país, o mercado financeiro reduziu, pela terceira semana consecutiva, as projeções para 2026. Há uma semana, o mercado projetava crescimento de 1,8% para o PIB em 2026. Na atual edição do Boletim Focus, essa estimativa recuou para 1,76%. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 1,2% e para 2028, 1,8%. ■ BOLETIM FOCUS Mercado eleva projeção para inflação, juros e dólar em 2026 ●

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