Diário do Amapá - 04/09/2026
A Comissão de Constituição e Jus- tiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), por vota- ção simbólica, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à jor- nada de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1). Amatéria ainda pre- cisa passar pelo plenário da Casa, em dois turnos de votação. A PEC 221 de 2019 prevê a obriga- toriedade de descanso remunerado de dois dias por semana, sem redução sa- larial, e reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de 14 meses. Dos 27 senadores presentes na co- missão, apenas quatro registraram votos contrários: o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP- MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). O relator Omar Aziz (PSD-AM) re- jeitou todas as 36 emendas apresentadas à PEC, incluindo propostas para manter a possibilidade de escalas de 6x1 ou jornadas superiores a 40 horas. “Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benef ício para o trabalhador”, justificou o relator. A PEC foi criticada pelo líder da oposição Rogério Marinho, que recla- mou do pouco tempo para debater o tema e destacou que a proposta traria inflação para a economia. “Nós vamos gerar, sem dúvida ne- nhuma, inflação, desemprego e infor- malidade em nome da perpetuação do projeto de poder”, disse o parlamentar potiguar. Estudos sobre o fim da 6x1 divergem sobre os impactos para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Rogério Marinho defendeu uma ou- tra PEC, a que cria um regime trabalhista por hora trabalhada, e defendeu as ne- gociações individuais entre patrões e empregados para definição da escala de trabalho. “Esse projeto vai na contramão da necessidade de darmos competitividade à população, ao país e à sociedade bra- sileira”, criticou. O líder da oposição ainda apresentou um destaque para limitar o descanso remunerado dos trabalhados à apenas um dia na semana. Porém, o destaque foi rejeitado pela CCJ. A senadora Eliziane Gama (PSD- MA) rebateu os argumentos de Rogério Marinho e citou a pressão de empresá- rios contra a PEC por aumentar direitos dos trabalhadores. “Toda vez que o Congresso Nacional busca assegurar direitos trabalhistas, o discurso é o mesmo, a economia vai quebrar, o desemprego vai imperar, a inflação vai ocorrer. Isso é um discurso simplesmente para atender os grandes empresários deste país”, afirmou. A senadora defendeu que a PEC assegura mais dignidade à vida dos tra- balhadores, “sobretudo às mulheres bra- sileiras, que têm dupla ou tripla jornada de trabalho, e hoje, com a aprovação do fim da escala 6x1, nós vamos dar dignidade, saúde mental e vamos me- lhorar a produtividade no Brasil”. O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) reclamou da “falta de mão de obra” no Brasil e defendeu a jornada flexível por hora trabalhada. “Está dif ícil a contratação de fun- cionário. Nós, patrões, queremos que os nossos funcionários estejam com a melhor qualidade de vida”, disse, acres- centando que não tinha como apoiar a PEC. “Como é que nós vamos reduzir de 44 horas para 40 horas e essa empresa vai ter a mesma produção? Claro que não. Não adianta nós dizermos que não vai aumentar os custos”, completou o senador por Rondônia. ■ CCJ DO SENADO APROVA PEC QUE ACABA COM JORNADA 6X1 Num dia marcado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo cenário eleitoral no Brasil, a bolsa disparou mais de 3% e atingiu o nível mais alto desde maio. O dólar caiu pela terceira vez seguida e encerrou no menor valor em três semanas. Principal índice da B3, o Ibovespa disparou 3,05% nesta quarta-feira (2), aos 185.205,09 pontos. O indicador subiu pela 11ª vez seguida. Nomercado de câmbio, o dólar comercial caiu 0,91%, a R$ 5,106, no terceiro pregão seguido de queda. No exterior, o petróleo avançou diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Principais números Ibovespa: 185.205,09 pontos (+3,05%); • Dólar comercial: R$ 5,106 (-0,91%); • Dólar em três sessões: -1,72%; • Dólar no ano: -6,97%; • Petróleo tipo WTI: US$ 91,01 (+0,88%); • Petróleo tipo Brent: US$ 95,63 (+1,04%). • Ibovespa em alta O Ibovespa teve a maior valorização percentual em um único dia desde março e chegou a 186.028,06 pontos na máxima, nível não alcançado desde 6 de maio. Na mí- nima, o índice marcou 179.733,57 pontos. Alémdo cenário eleitoral, o desempenho foi sustentado pelofluxo de investidores estrangeiros para ações brasileiras. Depois de uma forte saída de capital externo nas primeiras semanas de agosto, os estrangeiros voltaram a comprar ativos locais nos últimos pregões do mês passado. Dólar recua O dólar à vista fechou em R$ 5,106, com queda de 0,91%. Foi o menor valor de encerramento desde 7 de agosto, quando a moeda terminou o pregão cotada a R$ 5,084. A moeda chegou a subir 0,33% durante a manhã, atingindo R$ 5,1702. Após a divulgação da pesquisa eleitoral, porém, passou a acelerar a queda, chegando a R$ 5,09 pouco depois das 14h. Com o resultado desta quarta-feira, o dólar acumula baixa de 1,72% em três sessões e de 6,97% no ano. No mercado internacional, o índice que mede o de- sempenho da moeda americana diante de uma cesta de seis divisas caía 0,13%, aos 99,548 pontos. (Com informações da Reuters) ■ ALTA Bolsa dispara 3% e atinge o maior nível desde maio ● DESCANSO REMUNERADO V Foto/ Geraldo Magela/Agência Senado FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 04 DE SETEMBRO DE 2026
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