Diário do Amapá - 20 e 21/09/2026
A RÁDIO O JORNAL AGORA WEBTV Luiz Melo |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 20 E 21 SETEMBRO DE 2026 FALECOMOLUIZMELO E-mail: luizmello.da@uol.com.br Blog: www.luiz melo.blog.br Twitter: @luizmelodiario Instagram: @luizmelodiario© 2018 3 FROM RAPIDINHAS ASFALTO - Em Macapá, Brasil Novo e Novo Buritizal recebem serviços de pavimentação executados pelo Governo do Amapá. O cronograma da Secretaria da Seinf estabelece intervenções em 45 vias, como as ruas Paraná, Raul Monteiro Valdez e Tiago Flexa da Costa (zona sul) e avenidas Abacatal, Acerola e Jambeiro (zona norte), que somam mais de 18 quilômetros de extensão. ■ LICITUDE - Concurso para Sesa, cujas inscrições foram abertas dia 14 passado com provas em 20 de dezembro próximo, embora parcialmente, atende TAC da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, da Probidade Administrativa e das Fundações de Macapá em relação a concursos e contratos temporários. ■ Disputa Nesta reta final de campanha, deputado Acácio Favacho, do MDB, cresce nas pesquisas para o Senado, já em empate técnico comAlliny Serrão (União Brasil) com preferência acima de 20% do eleitorado. Parelha Abordagem do Instituto F5 Pesquisas e Consultoria revelou empate técnico para que seria a segunda vaga do Senado entre Randolfe Rodrigues e Lucas Barreto, ambos com índice superior a 30%. Rayssa ainda lidera com 56,8% da preferência popular. Nesta segunda, 21, Jairo Palheta, do PCO, responde perguntas sobre futuro do Amapá como terceiro entrevistado pela Diário FM na programação de sabatinas aos pretendentes ao governo do estado. Charuto, uísque e encontro em Londres: o que se sabe da foto de Gonet com Vorcaro. Procuradoria-Geral da República confirma a autenticidade da foto e diz que não vai comentar. Política Candidato A porção brasileira da Margem Equatorial, a partir da costa do Amapá, é formada pelas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. As estimativas disponíveis indicam um potencial de 11 bilhões de barris na Foz do Amazonas e de 20 bilhões a 30 bilhões na bacia Pará-Maranhão. Somadas, as projeções das duas bacias chegam a 41 bilhões de barris. Petróleo Sempre é bom lembrar que ao ir para seção onde vota eleitor não pode levar celular, mas pode fazer uso da milenar ‘colinha’, nesta ordem… Deputado federal, estadual, senador (1ª vaga), senador (2ª vaga), governador, presidente. Atenção Aposentados e pensionistas do INSS, que comparecerem para votar nas eleições de outubro, não precisarão fazer a verificação da Prova de Vida neste ano. De acordo com o Ministério da Previdência Social, a verificação será feita de forma automática a partir do cruzamento das informações da Justiça Eleitoral com a base de dados do INSS. Prova Candidata ao Senado, Alliny Serrão promete que, se eleita, apresentar proposta de financiamento federal de um salário mínimo para mulheres saídas da violência doméstica e que pretendam levar nova vida. Esse ganho seria agregado a outros benefícios assistenciais. Projeto “A maior apreensão de dinheiro da história do Amapá é fruto de trabalho sério e técnico contra o crime organizado, e não tem qualquer relação com crime eleitoral, como tentaram espalhar”… Excerto de Nota do Graco e Gaeco sobre apreensão de milhões de reais em dinheiro vivo do crime organizado. Golpe A norma eleitoral permite que candidatos com registro sub judice realizem atos de campanha e tenham o nome na urna eletrônica enquanto estiverem nessa situação. Mas isso não significa que o registro tenha sido aprovado. A candidatura continua sendo analisada pela Justiça Eleitoral e pode ter a situação alterada conforme o julgamento dos recursos. Subjudice mês de setembro é para mim especial por um motivo aparentemente menor: é o mês de aniversário das duas cidades que marcaram, mais que qualquer outra, os meus primeiros dias: Pinheiro, onde nasci, e São Luís, onde me tornei gente e que conquistou o meu coração. Minhas lembranças de Pinheiro são envoltas numa certa neblina, mas nela há focos de nitidez, às vezes não em coisas que lembre com meus olhos, mas com um conhecimento tão remoto que dificilmente posso distinguir dos outros: a chuva que caía, Mãe Benta, que tinha sido escrava, a parteira da cidade, e ficou ao lado de minha Mãe e minha Avó durante o trabalho de parto, a ida de meu Pai de madrugada à Farmácia do Zé Alvim para obter um remédio— injeção de pitruitina — para restabelecer as contrações do parto, a promessa de meu Pai de que eume chamaria José de Ribamar, o nascer empelicado, as joias colocadas na bacia para o banho do recém-nascido. Minha lembrança real é meio confusa. Eu devia ter uns três anos, passa uma fileira de índios com passos cadenciados diante da casa. Não há rostos, as figuras deslizam. Depois minha Mãe ajudou-me a entender: eram índios canelas, que vinhamde quando emquando adquirir mantimentos, trocando peles de animais selvagens por pólvora, açúcar, farinha e fumo. Sua aldeia estava vinte léguas distantes, já na selva do rio Tury. Mas a cidade se fechava, no medo de um passado de lutas e mortes. Assimminha primeira memória é do medo. Minha segunda memória, da mesma época, é de uma lata de flandres combiscoitos sobre umamesa com toalha vermelha; há choros. Aprendi que naquele dia minha bisavó, que fora visitar o filho deputado em São Luís, morrera em casa dele. A partir daí me vem a lembrança das pessoas, como minha Avó Madona. Por tudo perpassa a memória da chuva, do pote com água de caneca, da cozinha com os caldeirões de ferro, em trempes de pedra, com carvão de árvores secas, das fruteiras, manga, figo, laranja-da-terra, tangerina e da horta de quintal com tomate, vinagreira, maxixe, alface e abóbora. Só mais tarde vem se somar à lembrança de minha Mãe Kiola a de meu Pai — influência definitiva em minha vida —, Sarney de Araújo Costa. Vítima da perseguição política do regime Vargas, ele foi transferido de cidade emcidade e percorri com ele o Maranhão. Eu o acompanhei nas entranhas f ísicas do Estado, mas foi minha chegada a São Luís a maior revelação de minha vida. Meu pai fora chamado para trabalhar na Procuradoria do Estado, e começamos a vida itinerante que marcou minha infância. Embarcamos cedo em São Bento. Passei mal na viagem. O balanço do barco nas ondas violentas, os gritos, o gemer da vela, as cangas de água que lavavam o convés. Ao anoitecer, na entrada doPortode SãoLuís,melhorei. Chegávamos. Olhei as luzes da cidade. Tudo me pareceu muito claro e belo. Via a eletricidade pela primeira vez e fiquei intrigado com essa luz que não se apagava, como acontecia com os morrões das lamparinas. Do barco tomamos uma canoa que encostava na rampa, feita de pedra, que avançava na água e era coberta pela maré. O limo a tornava escorregadia e os catraieiros ajudavam a evitar os tombos das pessoas. Os barcos chegavamcomasmarés, eminha TiaMartinhana e seu marido Isaac Lobato nos esperavam. A quantidade de carroças — tão diferentes dos poucos carros de boi de São Bento—que recebiammalas, cofos, sacos, engradados de gali- nhas, patos, porcos, gaiolas de passarinho, paneiros de farinha e peixe salgado, couros de boi, caças e peles de caças, os cachos de banana, as laranjas, o cupuaçu, a carne seca e a grande quantidade de amêndoas de babaçu, de arroz e de feijão —me impressionou. Uma carroça levou nossos sacos, e nós fomos de bonde. O bonde! —Quempuxa o bonde?—A eletricidade. Não entendi. Quando, depois, vi a lança do bonde correndo no fio, imaginei que a lança era o cavalo da carroça e o boi do carro. Ficamos emcasa de TiaMartinhana por umas duas semanas. Dali descobri a cidade de São Luís com seus casarões altos que pareciam ir ao céu, o casario que se derramava emocre ladeiras acima e abaixo, as telhas a cobrir tudo como um lençol estendido sobre a cidade. Deslumbramento! São Bento — muito menos Pinheiro — não era o centro do mundo. Pinheiro, fundada em 1856, completou há poucos dias seus cento e setenta anos. Ali mantenhomeus vínculos familiares, grandes amizades, essa lembrança insubstituível da terra em que nascemos. Ali se cristaliza minha primeira ligação com a Baixada, terra alagada, de capins de toda espécie, pássaros em bando, peixes de água doce que vivem em lagos e poções. ■ Minhas cidades E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY O
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