Diário do Amapá - 06/11/2026
A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Mone- tária (Copom) do Banco Central foi alvo de críticas do setor produtivo. Entidades da indústria e do comércio apontam prejuízos à atividade econômica, ao cré- dito, aos investimentos e ao orçamento público. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também criticou a decisão. CNI cobra redução Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como equivocada e excessivamente con- servadora. Para a entidade, amanutenção dos juros elevados encarece o crédito, prejudica empresas e famílias e desacelera a economia. O presidente da confederação, Ri- cardo Alban, defendeu a retomada dos cortes na próxima reunião do Copom, prevista para dezembro. “É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a con- vergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a esta- bilidade dos preços”, afirmou. A entidade também destacou o au- mento do endividamento das famílias e a pressão sobre os custos de financia- mento das empresas. Apas aponta impacto O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, afirmou que os juros elevados prejudicamcomércio, serviços e indústria, além de limitar o consumo e os investi- mentos. “Está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica”, decla- rou. Queiroz acrescentou que a taxa de juros é um impedimento ao crescimento econômico e citou a expectativa de ex- pansão inferior a 2% neste ano. Centrais criticam decisão A Confederação Nacional dos Tra- balhadores do Ramo Financeiro (Con- traf-CUT) e a Central Única dos Traba- lhadores (CUT) criticaramamanutenção da Selic. Para a presidenta da Contraf- CUT e vice-presidente da CUT, Juvandia Moreira, a política monetária amplia o endividamento e compromete recursos públicos. “Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segu- rança”, afirmou. A Força Sindical, por sua vez, classi- ficou a decisão como “irracional, nefasta e desastrosa”. O presidente da entidade, Miguel Torres, afirmou que os juros altos restringem o crédito, a produção e a geração de empregos. Lindbergh acusa mercado O deputado federal Lindbergh Farias atribuiu amanutenção dos juros à pressão do mercado financeiro após a eleição presidencial. “É inadmissível que, depois da derrota de seu candidato, a Faria Lima passe a torcer contra o Brasil e use os juros como instrumento de pressão sobre o governo eleito”, afirmou o parlamentar em postagem nas redes sociais. Para o deputado, a decisão do Copom encarece o crédito e sufoca a produção. Lindbergh também cobrou explicações do Banco Central sobre a interrupção do ciclo de cortes e defendeu investi- mentos em indústria, ciência e infraes- trutura. ■ SETOR PRODUTIVO CRITICA MANUTENÇÃO DA SELIC EM 13,75% AO ANO JUROS V Foto/ Antonio Cruz/Agência Brasil ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 06 DE OUTUBRO DE 2026
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