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Empresário amapaense

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rádio e agora por meio da fibra ótica?

Batista

– Positivo, tendo sempre o ganho

tanto de velocidade como de capacidade. Hoje

por ser o nosso backbone terrestre via link de

rádio a capacidade é limitada, então a gente não

pode vender outros planos com velocidade

maior e o custo de manutenção também dessa

rede Macapá-Belém que é alto, haja vista que

você tem que atravessar de um estado para outro

fazendo manutenções preventivas constante-

mente. Com a fibra você tem uma qualidade

maior, mais estabilidade e capacidade maior

também.

Diário – Essa rede que o senhor instalou

pelo Marajó e também pelo interior do Ama-

pá não deixa de prestar um serviço social

também, afinal alcança onde o poder público

ainda não chegou, não é?

Batista

– Ah sim, isso realmente foi um

ganho muito grande para as comunidades desses

municípios, pois o poder público do Pará é que

deveria atender essas comunidades tão distantes,

mas acabou a nossa empresa fazendo esse papel

social. Onde passam as nossas torres nós abri-

mos o sinal, atendemos prefeituras, escolas e a

comunidade, que é o mais importante.

Diário – A partir do Linhão do Tucuruí o

que vai acontecer com esse sistema via rádio

que o senhor instalou até Belém?

Batista

– Continua funcionando, fica de bac-

kup, uma reserva técnica para o caso de ocorrer

algum problema na fibra do Linhão de Tucuruí,

assim nós continuaremos a atender nossos clien-

tes, sem perda de sinal, até que se restabeleça

a conexão.

Diário – Qual o futuro que o senhor vis-

lumbra para essa comunicação de dados?

Batista

– Acho que é acima de tudo um direi-

to o cidadão ter acesso a essas tecnologias. Com

a chegada da fibra ótica irá reduzir muito o custo

do serviço para o usuário final. Nossa proposta

é reduzir o máximo esse custo para uma maior

quantidade de usuários se conectarem, fazendo

o que se chama de inclusão digital. Do ponto

de vista comercial continuaremos inovando e

acompanhando as novas tecnologias. Nosso sis-

tema de cabos já está preparado para levar ao

consumidor agora três modalidades de comu-

nicação, a internet, a telefonia e a tv a cabo.

Não podemos ficar parados vendo o bonde da

história passar.

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Carreira...

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Visão...

Perfil...

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Diário do Amapá – O senhor foi funcio-

nário da antiga Embratel, quando aquela

empresa estatal era o único meio dos mora-

dores do Amapá se comunicarem com o

mundo, via telefone, não é?

Carlos Batista

– Positivo. Nós trabalhamos

na Embratel de 1980 a 1990, foram dez anos,

portanto, e a Embratel era realmente a única

empresa que tratava de dados e também de tele-

fonia para o estado do Amapá.

Diário – O senhor era técnico em teleco-

municações?

Batista

– Sou até hoje, com muito orgulho.

Ando com meu alicate e minha chave de fenda

na pasta, não tem jeito.

Diário – A partir daí o senhor decidiu

sair da chamada zona de conforto, por assim

dizer, pela estabilidade e outras prerroga-

tivas do serviço público e decidiu ser

empreendedor. Pensava em vender o que?

Batista

– É, eu pedi a conta e foi uma sur-

presa para os meus chefes. Falavam que em

mais de vinte anos de Embratel nenhum fun-

cionário tinha pedido a conta. Chamaram-me

até de doido... [risos] Mas eu estava vendo o

lado empresarial, que já estava na veia, por

assim dizer. Sai para fundar a empresa que

existe até hoje.

Diário – Vendendo o que?

Batista

– Na verdade começou com con-

serto de aparelhos eletrônicos, venda de com-

ponentes eletrônicos, antenas parabólicas por

exemplo. Depois cresceu bastante no ramo da

informática também e das telecomunicações

hoje.

Diário – O senhor então foi pioneiro na

questão da distribuição do sinal de internet,

uma grande novidade naquela época?

Batista

– Exatamente, fomos pioneiros tam-

bém em prover acesso à internet, já com a

Embratel fornecendo link, nós montamos um

provedor já iniciando a atender a demanda que

existia, numa velocidade muito baixa, 9.600k

que era um negócio já muito veloz para a épo-

ca. Fomos crescendo e chegamos ao que somos

hoje, uma empresa de telecomunicações grande

né?

Diário – Bem, mas o Amapá ainda não

tinha acesso à internet de maior velocidade,

a banda larga, então o senhor decidiu ir bus-

car em Belém, num projeto de vanguarda

em que espalhou antenas repetidoras e atra-

vessou o Marajó.

Batista

– Realmente, foi um projeto muito

audacioso interligar dois estados numa região

muito alagada como a Ilha do Marajó, uma

belíssima região. Mas nenhuma outra empresa

teve a coragem de fazer o que nós fizemos indo

buscar esse sinal na cidade de Belém, numa

distância de quase 400 quilômetros e para isso

instalando onze torres de repetição de links de

micro-ondas, passando a atender Macapá com

banda larga de alta velocidade já.

Diário – Até então a internet que se tinha

em Macapá chegava por satélite?

Batista

– Isso. Saímos de uma latência que

é 600 milissegundos para 60 milissegundos,

ou seja, nós ganhamos, logo de imediato, dez

vezes a velocidade que se tinha antes. Então

estávamos provendo a internet de altíssima

velocidade que temos hoje.

Diário – Muita gente diz que não viveria

hoje sem a internet. Para o senhor que veio

lá de trás, das telecomunicações deficientes

da Macapá de outrora, vê como esse bem

valioso que é a internet?

Batista

– De fato, hoje ninguém vive sem

internet. E não tem como ficar sem internet.

Cada dia a demanda é maior e cada dia se pre-

cisa de mais velocidade. Então o que a nos-

sa empresa tem feito e está fazendo, é ins-

talar uma rede de fibra ótica para a

região metropolitana, que já está bas-

tante grande, em torno de 400 quilô-

metros, para que nós possamos atender

melhor nossa clientela.

Diário – Então seus consumido-

res irão migrar para um sistema em

que o sinal será distribuído por cabos

de fibra ótica?

Batista

– Hoje nós estamos distribuin-

do a banda larga na capital e no interior. No

início via rádio, mas como a nossa rede foi a

primeira preparada para fazer a conexão com

a fibra que vem com o Linhão do Tucuruí, assi-

namos contrato com a empresa e iniciamos a

implantação dessa nova tecnologia em breve

todos os nossos clientes vão ter uma capacidade

muito grande e uma velocidade com estabili-

dade proporcionada pela fibra ótica.

Diário – Então foram conquistas impor-

tantes, saindo do satélite, indo para a via

A trajetória vitoriosa de um empresário visionário

que se firmou no ramo das telecomunicações no Amapá

Continuaremos

inovandoeacompa-

nhandonovastecnologias.

Nossosistemadecabosjá

estápreparadoparalevarao

consumidoragoratrês

modalidadesde

comunicação:internet,

telefoniaeatvacabo.Não

podemosficarparados.

CLEBER BARBOSA

Da Redação